Dano Moral In Re Ipsa

1.205 casos com esta tese
Casos analisados
1.205
% parcial (50/50 e afins)
23%
% pró-banco
0%
% pró-consumidor
77%
Mediana do custo
R$ 9.670,00
75% dos casos custaram até R$ 16.144,00
115 casos com Itaú como parte (10%)

Estudo aprofundado

O dano moral decorre do próprio fato da fraude — dispensa prova de abalo extrapatrimonial quando o desconto atinge verba alimentar ou o consumidor é obrigado a judicializar para desfazer contrato que nunca firmou.

O argumento canônico

A tese parte de uma premissa humilde: nem toda fraude bancária presume dano moral. O padrão dominante no TJSP, reforçado pelo REsp 2.161.428/SP (Moura Ribeiro, 11/03/2025) e pelo EAREsp 2.715.690/SP — que exige prova específica do dano extrapatrimonial quando ausente negativação clássica —, é exigir prova concreta de repercussão: negativação, cobrança vexatória, comprometimento de subsistência. O que esta tese captura é precisamente o conjunto de situações em que essa prova é dispensada porque o próprio fato é autoexplicativo.

Dois vetores fáticos produzem essa dispensa nos extratos examinados. O primeiro, majoritário, é o desconto em verba alimentar — tipicamente benefício previdenciário do aposentado. O raciocínio se apoia em fato notório (CPC arts. 374 I e 375): privar um aposentado de parte do benefício é, por definição, ferir a dignidade e a subsistência. Desembargadora Márcia Rezende Barbosa de Oliveira sintetiza em Apel. 1003725-87.2024: "A interferência indevida nessa verba, ainda que mínima, acaba por afetar diretamente a própria dignidade do autor... resulta de fato notório, constatado pela experiência comum... independendo, assim, da existência de prova constante dos autos, daí ser considerado como um dano moral in re ipsa". O mesmo vetor aparece em Jairo Brazil (19ª CDP), Luís Franzé (17ª CDP), Battaus Neto (Núcleo 4.0-T.II) e Spencer Almeida Ferreira (38ª CDP).

O segundo vetor, menos frequente mas relevante, é a obrigação de judicializar para desfazer contrato fraudulento combinada com recusa administrativa do banco. Lavínio Paschoalão em Apel. 1018591-16.2025 enuncia: "a situação... ultrapassou o mero aborrecimento não indenizável, haja vista que a falha na prestação do serviço do réu, consubstanciada na permissão de contratação de financiamento de veículo em nome da autora evidentemente lhe ocasionou substancial desgaste, em especial por ter sido obrigada a demandar em juízo para solucionar problema que não deu causa". Spencer Almeida Ferreira vai além em Apel. 1002963-08.2025: "A recusa dos réus em todas as tentativas do consumidor de resolver o problema administrativamente agravou o sofrimento".

Os fatos típicos que disparam a tese são: (i) consignado não contratado descontando em folha de aposentado — o cluster dominante; (ii) financiamento de veículo ou cartão RMC fraudulento em nome de hipervulnerável; (iii) recusa administrativa sistemática do banco em resolver extrajudicialmente. A hipervulnerabilidade etária merece atenção especial: o REsp 2.052.228/DF consolida que a condição de idoso afasta a aplicação do art. 945 CC, impedindo que culpa concorrente fragmente o reconhecimento do dano — padrão confirmado por Ricardo Pessoa de Mello Belli (19ª CDP) e por julgados do Núcleo 4.0-T.VII.

O que falha fora dessa matriz é a ausência cumulativa dos vetores agravantes: quando a fraude atingiu conta com saldo folgado, sem verba alimentar, e o banco estornou administrativamente em prazo razoável, o TJSP tem negado o moral (é o padrão de dano_moral_mero_aborrecimento, com 71 casos principais e 63% pró-banco — matriz oposta).

Como os relatores TJSP a articulam

Os transtornos advindos do uso indevido de dados pessoais, ante engenharia social, a resultar em contrato fraudulento aliado ao fato dos descontos indevidos no benefício previdenciário são patentes... A contratação não consentida, com descontos indevidos e privação dos escassos recursos, não podem ser tidas como meros aborrecimentos ou simples dissabores. Tais acontecimentos traduzem situação de angústia e impotência do consumidor.

Des. Jairo Brazil · 19ª CDP · Apel. 1003943-09.2024 · j. 14/04/2026

não há necessidade de prova do dano moral, que ocorre in re ipsa, bastando, para o seu reconhecimento e consequente condenação ao pagamento de indenização, a prova do nexo de causalidade entre a conduta e o dano sofrido, ambos evidenciados nos autos... notória a potencialidade lesiva das subtrações incidentes sobre verba de natureza alimentar.

Des. Luís H. B. Franzé · 17ª CDP · Apel. 1005968-04.2024 · j. 31/03/2026

Evidente a natureza alimentar do benefício recebido pelo autor, voltado para garantia da subsistência do requerente, tenho que os prejuízos geraram dissabor passível de ser indenizado a título de danos morais, diversamente do que foi pontuado na sentença.

Des. João Battaus Neto · Núcleo 4.0-T.II · Apel. 1004128-72.2025 · j. 30/03/2026

O dano moral experimentado é manifesto pela situação de angústia, intranquilidade e abalo psicológico acarretados da perspectiva de privação de parte considerável de seu patrimônio, inclusive verba de caráter alimentar, a possibilidade de não poder honrar com os compromissos financeiros assumidos e a sensação de impotência e de desconfiança no que diz respeito à fragilidade do sistema oferecido pelo réu.

Des. Marcelo Ielo Amaro · 16ª CDP · Apel. 1002419-42.2025 · j. 25/03/2026

O considerável valor das operações e a recusa dos réus em todas as tentativas do consumidor de resolver o problema administrativamente, agravaram o sofrimento experimentado por quem se percebe vítima de fraude perpetrada por terceiro.

Des. Spencer Almeida Ferreira · 38ª CDP · Apel. 1002963-08.2025 · j. 27/03/2026

As citações convergem num núcleo: dano moral in re ipsa exige uma condição objetiva de agravamento — verba alimentar, hipervulnerabilidade, recusa administrativa. Não é presunção automática decorrente do simples fato "fraude bancária ocorreu". Essa distinção é o que separa o slug desta tese do padrão dano_moral_mero_aborrecimento — que capta casos em que essas condições agravantes faltam.

Quando funciona

  • Consignado fraudulento com desconto em benefício previdenciário. Vitória quase automática. Exemplo: Apel. 1003943-09.2024 (Jairo Brazil, R$ 10.000); Apel. 1005968-04.2024 (Franzé, R$ 10.000).
  • Hipervulnerabilidade etária isolada. O REsp 2.052.228/DF afasta o art. 945 CC para idosos — culpa concorrente não fragmenta o dano quando a vítima é aposentado ou beneficiário de INSS. Consolidado no Núcleo 4.0-T.VII e 19ª CDP.
  • Atipicidade aritmética flagrante. Volume e velocidade de operações objetivamente incompatíveis com o perfil transacional afastam culpa concorrente e reforçam o in re ipsa: 116 PIX em 3 horas, 13 TEDs em 2 dias, 6 empréstimos em 10 minutos — a anomalia é autoevidente e dispensa prova adicional de abalo.
  • Cartão RMC ou consignado de longo prazo (anos) sobre benefício previdenciário. Trato sucessivo reforça dano — Apel. 1002014-47.2025 (Russo, R$ 5.000 em descontos desde 2017).
  • Financiamento de veículo fraudulento que obriga judicialização. Mesmo sem negativação. Apel. 1018591-16.2025 (Paschoalão, R$ 10.000) e Apel. 1002963-08.2025 (Spencer, R$ 10.000, Bradesco Financiamentos).
  • Múltiplos contratos fraudulentos em nome de idosa + recusa administrativa. Apel. 1002419-42.2025 (Ielo Amaro, R$ 2.919,27 — exato do pedido).
  • Golpe de falsa central com perda real (endividamento em cheque especial). Mesmo com culpa concorrente — Apel. 1101753-37.2024 (Blikstein, moderação para R$ 2.000).
  • Casos de alto valor (acima de R$ 50.000). Em 207 casos dos 3 bancos focais com valores superiores a R$ 50k, o banco vence em apenas 1 — Itaú (cd 20248707, R$ 599 mil revertido por bloqueio preventivo). A assimetria confirma que, nessa faixa, o dano moral decorre estruturalmente da própria fraude.

Outros paradigmas recentes

Quando falha

  • Fraude sem negativação, sem verba alimentar, estornada em prazo razoável. Padrão oposto (dano_moral_mero_aborrecimento). Precedente controla: AgInt EDcl AREsp 1.669.683/SP (Bellizze). Ver Apel. 1004526-26.2024 (Mara Trippo Kimura, estorno no primeiro dia útil afasta dano moral).
  • Cartão retido ATM com restituição integral + ausência de negativação. O padrão-Rui Porto Dias em cartão retido: Apel. 1125535-73.2024 — "Prejuízo estritamente material, integralmente ressarcido, resolve-se na esfera patrimonial".
  • Golpe contra marca usurpada sem nexo com fornecedora nominal. Apel. 1001244-29.2024 (Márcio Teixeira Laranjo, 13ª CDP — VIP Cred usada pelos fraudadores): "não se lhe podendo exigir poder ubíquo de controle por sobre toda a coletividade". Responsabilidade cai sobre o laranja que recebeu o dinheiro.
  • Turma VIII do Núcleo 4.0 (Thomaz Carvalhaes Ferreira) em cenário de culpa concorrente. Entendimento consolidado: culpa concorrente afasta o moral. Ver Apel. 1000528-55.2025 — só não reduziu quantum pela proibição de reformatio in pejus.
  • EAREsp 2.715.690/SP — dano moral exige prova específica fora das hipóteses clássicas. Precedente recente que o banco deve invocar sempre que a fraude não atingiu verba alimentar nem gerou negativação ou recusa administrativa documentada.

Provas e requisitos

Provas que reforçam a tese (lado consumidor)

  • Extrato do benefício previdenciário com os descontos — é a peça-mãe em consignado.
  • Comprovação de hipervulnerabilidade (idade, renda mínima, gratuidade de justiça já reconhecida) — ancora a argumentação de "patrimônio mínimo" e bloqueia o art. 945 CC via REsp 2.052.228/DF.
  • Reclamação administrativa + recusa documentada — é o que transforma mero_aborrecimento em in_re_ipsa. Aparece como vetor autônomo nos casos da 38ª CDP.
  • Comprovação de que a ação judicial foi necessária — o simples ajuizamento de declaratória vira fato agravador quando o banco não resolveu extrajudicialmente.
  • Extrato de operações demonstrando atipicidade aritmética — volume e velocidade flagrantemente incompatíveis com o perfil: elimina o argumento de culpa concorrente e reforça a presunção do dano.

Provas cuja ausência derrota (lado banco, se não juntar)

  • Prova de estorno imediato — quando presente, derruba a tese (Mara Trippo em motoboy Bradesco).
  • Histórico transacional com valores/contratações similares — usado contra o consumidor por Cristina Di Giaimo Caboclo em Apel. 1000136-79.2025: banco juntou extratos com PIX rotineiros de R$ 10.000 e afastou tanto dano material quanto moral.

Contra-argumentos eficazes (defesa do banco)

  • Estorno administrativo comprovado em prazo curto. Ancorada no padrão Mara Trippo (Apel. 1004526-26.2024) e AgInt EDcl AREsp 1.669.683/SP. "Primeiro dia útil" é o benchmark de ouro.
  • Perfil histórico transacional compatível. Usado por Cristina Di Giaimo Caboclo (Apel. 1000136-79.2025) para derrubar atipicidade — sem atipicidade, sem falha, sem moral.
  • Culpa concorrente explícita. No Núcleo 4.0-T.VIII (Thomaz Carvalhaes Ferreira) tem efeito excludente — "a participação ativa do consumidor no evento danoso compromete o nexo de causalidade e afasta a configuração de lesão à esfera extrapatrimonial" (Apel. 1000528-55.2025). Em outras câmaras (17ª, 37ª, 16ª) apenas modera o quantum.
  • Engano justificável vedando a dobra. Battaus Neto separa os planos (Apel. 1004128-72.2025): concede dano moral in re ipsa mas nega restituição em dobro porque o banco não cobrou com dolo. Útil para reduzir a condenação mesmo perdendo a tese.
  • EAREsp 2.715.690/SP — prova específica do dano. Quando não há negativação, verba alimentar nem recusa administrativa, o banco pode exigir prova afirmativa do abalo extrapatrimonial — e invocar conjuntamente o REsp 2.161.428/SP (Moura Ribeiro, 11/03/2025).
  • Usurpação de marca por terceiro sem vínculo. Márcio Teixeira Laranjo em Apel. 1001244-29.2024.

Fundamentos jurídicos centrais

  • Súmula 479 STJ — responsabilidade objetiva por fortuito interno. Alta frequência.
  • Tema 466 STJ / REsp 1.197.929/PR (Salomão, 2011) — fraude de terceiro como fortuito interno. Alta frequência.
  • Tema 1.061/STJ / REsp 1.846.649/MA — ônus do banco de provar autenticidade do contrato impugnado. Frequência alta (consignado).
  • Tema 929/STJ / EAREsp 676.608/RS — dobra independe de má-fé pós-30/03/2021.
  • CPC arts. 374 I e 375 — fato notório dispensa prova. Fundamento específico do padrão in re ipsa por desconto em verba alimentar.
  • REsp 2.161.428/SP (Moura Ribeiro, 11/03/2025) — contraprecedente: exige prova concreta quando não há negativação externa. Banco deve invocar sempre que a fraude não atingiu verba alimentar.
  • EAREsp 2.715.690/SP — dano moral exige prova específica fora das hipóteses de negativação clássica. Reforça o contraprecedente acima.
  • REsp 2.052.228/DF — hipervulnerabilidade etária afasta art. 945 CC; culpa concorrente não reduz nem exclui o dano para idosos. Consolidado no Núcleo 4.0-T.VII e 19ª CDP.
  • REsp 2.215.907/SP (02/09/2025) — precedente-âncora de responsabilidade objetiva com nexo de causalidade em fraudes bancárias; aparece em consignado e hipervulnerabilidade.
  • Súmulas 54 e 362 STJ — juros desde o evento; correção do arbitramento.

Variação por câmara / relator

Emerge do corpus uma geografia clara do in re ipsa:

  • Pró-presunção robusta: 19ª CDP (Jairo Brazil, João Camillo, Mello Belli), 17ª CDP (Luís Franzé), 38ª CDP (Spencer Almeida Ferreira, Paschoalão), 16ª CDP (Ielo Amaro), Núcleo 4.0-T.IV (Léa Duarte — via Teoria do Desvio Produtivo), Núcleo 4.0-T.VII (Márcia Rezende, Fabiana Calil).
  • Pró-presunção moderada — concede R$ 2.000–3.000 quando há culpa concorrente: 37ª CDP (Blikstein), 13ª CDP (Márcio Teixeira Laranjo — só contra laranja direto), 14ª CDP (César Zalaf — padrão tripartite, com inovação de biometria por videochamada coercitiva).
  • Contrária — só concede com negativação clássica: 18ª CDP (Israel Góes dos Anjos, Zanluqui), 22ª CDP (Mario Leite), Núcleo 4.0-T.V (Rui Porto Dias — mantém "prejuízo estritamente patrimonial" em cartão retido), Núcleo 4.0-T.VIII (Thomaz Carvalhaes Ferreira — culpa concorrente excluinte).
  • Divergência intra-TJSP paradigmática: 12ª CDP (Castro Figliolia) aplica Teoria do Desvio Produtivo do Marcos Dessaune em cenários não-clássicos (Apel. 1121706-84.2024 — troca de cartão de táxi, R$ 5.000 de moral pela "via crucis" do consumidor), enquanto 13ª CDP (Simões de Almeida) afasta o moral em situações materialmente equivalentes. Essa fratura é mapeada em detalhe nas divergências internas do corpus.
top 10 câmaras que mais julgam essa tese · banco / parcial / consumidor
  • 38ª CDPriv0%·93%97
  • 12ª CDPriv0%·79%96
  • 20ª CDPriv0%·79%90
  • 16ª CDPriv0%·80%82
  • 14ª CDPriv0%·79%76
  • 19ª CDPriv0%·77%75
  • NJ4.0 T.VII DP20%·80%74
  • NJ4.0 T.III DP22%·69%55
  • 21ª CDPriv0%·91%54
  • NJ4.0 T.IV DP22%·76%54
pró-bancoparcialpró-consumidor

O ônus probatório em jogo

A presunção in re ipsa emerge quando o banco falha em demonstrar estorno tempestivo ou compatibilidade com o perfil transacional, enquanto o consumidor produz os vetores agravantes — extrato da verba alimentar, recusa administrativa documentada, hipervulnerabilidade comprovada, ou atipicidade aritmética objetiva. A atipicidade é o vetor mais consolidado recentemente: quando o volume e velocidade das operações são objetivamente incompatíveis com qualquer perfil razoável, a presunção do dano independe de prova subjetiva adicional.

Sub-padrões dentro da tese

A categoria é sólida mas abriga 4 sub-padrões que merecem visibilidade:

  1. in_re_ipsa_verba_alimentar_inss — o cluster dominante (centenas de casos no corpus). Valor de R$ 5.000–10.000, padrão consolidado. Reforçado pelo REsp 2.052.228/DF em casos de idosos.
  2. in_re_ipsa_judicializacao_forcada — quando o banco recusou estorno administrativo. Valor de R$ 10.000 na 38ª CDP.
  3. in_re_ipsa_recuperacao_em_cadeia_laranja — quando o dano moral recai sobre o terceiro que recebeu (não o banco nem a fornecedora usurpada). Paradigma Apel. 1001244-29.2024.
  4. in_re_ipsa_desvio_produtivo — Castro Figliolia (12ª CDP) usa teoria do Dessaune fora do contexto clássico (negativação/fila). Valor R$ 5.000.

Como usar isso na prática — defesa do banco

Quando o cliente chega com ação em que o autor pede dano moral in re ipsa, a primeira pergunta é factual: houve desconto em verba alimentar? houve recusa administrativa documentada? houve judicialização sem resposta prévia? houve atipicidade aritmética objetiva? Se a resposta é negativa nos quatro, a defesa tem caminho sólido: invocar o REsp 2.161.428/SP (Moura Ribeiro, 11/03/2025) e o EAREsp 2.715.690/SP, citar AgInt EDcl AREsp 1.669.683/SP, e juntar comprovante de estorno administrativo em prazo curto. Esse é o padrão Mara Trippo: primeiro dia útil após o BO + extratos do perfil compatível = improcedência dos morais.

Quando é consignado fraudulento descontando em INSS, a situação muda: as chances de evitar o moral caem drasticamente, especialmente se o autor for idoso (REsp 2.052.228/DF bloqueia o art. 945 CC). A estratégia realista é (i) tentar reduzir o quantum invocando o padrão interno da câmara de distribuição (R$ 5.000 no Núcleo 4.0-T.VII é o teto; na 19ª chega a R$ 10.000); (ii) negar a dobra com fundamento em engano justificável (Battaus Neto em Apel. 1004128-72.2025 — sem postura ativa do banco, engano justificável veda o art. 42 par. único CDC); (iii) se houver participação do consumidor no golpe e ele não for idoso, pedir culpa concorrente e invocar o padrão da Turma VIII do Núcleo 4.0 (Apel. 1000528-55.2025) para defender que isso exclui — não apenas modera — o dano moral.

Em câmara de distribuição desfavorável (16ª, 19ª, 20ª, 37ª, 38ª, Núcleo 4.0-T.VII), a defesa deve ser realista e pedir o quantum menor da faixa, com argumento residual de vida financeira preservada.

Combo probatório — como ler esta tese

Gatilho automático do dano moral presumido. Fator 6 consumidor acionado por duas portas: (i) negativação SPC/Serasa clássica; (ii) descontos indevidos em verba alimentar INSS que comprometam o mínimo existencial. CPC arts. 374 I e 375 tornam fato notório.

Pró-banco

7 fatores · 5+ = banco vence ~90%

  • #1Credenciais tecnicamente autenticáveis46%
  • #2Logs de autenticação juntados pelo banco (checklist de 8 elementos)36%
  • #3Operação dentro do app oficial, não canal externo62%
  • #4Demora do autor em reclamar (> 3 meses)21%
  • #5Autor não pediu perícia digital57%
  • #6Valores dentro/próximos do perfil histórico30%
  • #7Comportamento contraditório do autor (usou o dinheiro creditado)16%

Pró-consumidor

6 fatores · 4+ = consumidor vence ~90%

  • #1Valor 3× ou mais acima do limite diário ou do padrão histórico38%
  • #2Múltiplas operações em janela curta (< 48h)44%
  • #3Padrão radicalmente dissonante do histórico da conta28%
  • #4Resgate integral de aplicações financeiras11%
  • #5Banco não enviou alerta nem fez bloqueio preventivo49%
  • #6Negativação em cima → dano moral in re ipsa OU desconto em verba alimentar (L2)15%

Onde essa tese vinga

Anatomia estatística

Precedentes-âncora

súmulas, artigos e REsps citados nos votos

Contrapontos rebatidos

alegações do autor afastadas pelos relatores

Recomendações práticas

ações sugeridas pro advogado do banco

Combo probatório

Gatilho automático do dano moral presumido. Fator 6 consumidor acionado por duas portas: (i) negativação SPC/Serasa clássica; (ii) descontos indevidos em verba alimentar INSS que comprometam o mínimo existencial. CPC arts. 374 I e 375 tornam fato notório.

379 extratos lidos · 4.028 acórdãos· 13 fatores calibrados· 6 zonas de modulação· peso dobrado: fatores com ★

Combo pró-banco

7 fatores · 5+ = banco vence (~90%)

Combo pró-consumidor

6 fatores · 4-6 = consumidor vence (~90%)

Matriz de desfechos por faixa de fatores

Combo pró-banco
FaixaNBancoParc.Cons.
6-7 de 718100%0%0%
4-5 de 77580%15%5%
2-3 de 711040%40%20%
0-1 de 71768%32%60%
Combo pró-consumidor
FaixaNBancoParc.Cons.
5-6 de 6620%10%90%
3-4 de 611510%38%52%
1-2 de 615535%43%22%
0 de 64779%15%6%

Combo misto (2-3 × 2-3) domina o corpus — ~125 extratos dos 379 lidos. Nesses casos, a proporção não é automaticamente 50/50: ela modula conforme a câmara julgadora, como mostra o mapa abaixo.

Zonas de modulação · o mapa de quem divide quanto

Por que esse estudo existe. Quando há culpa concorrente, o art. 945 do CC abre a porta pra dividir o prejuízo — mas não diz em que proporção. Lendo os 379 acórdãos em profundidade, mapeamos 6 padrões recorrentes de como as câmaras do TJSP efetivamente dividem.

O que ele diz. A mesma configuração probatória pode sair 50/50 na Valeria Longobardi, 60/40 banco na Márcia Rezende ou 75/25 contra o banco receptor na 14ª CDP. A câmara de distribuição manda tanto quanto os fatores do caso. Saber em qual zona seu caso cai antes do julgamento muda o cálculo de risco e o desenho da peça.

50/50
50/50

Modulação clássica art. 945 CC. Quando o combo apresenta 2-3 fatores de cada lado em câmaras generalistas, o relator divide meio-a-meio o prejuízo material e costuma afastar o dano moral.

Câmaras ·
Núcleo 4.0-T.I, Núcleo 4.0-T.II, Núcleo 4.0-T.VIII
Relatores ·
Valeria Longobardi, João Battaus Neto, Daniel Issler, Thomaz Carvalhaes Ferreira
Casos paradigma
8
  • 1004267-46.2024· Valeria Longobardi

    Paradigma do 50/50. Spoofing reconhecido + credenciais autenticadas — culpa concorrente pura.

  • 1013074-23.2025.8.26.0554· Valéria Longobardi

    Falsa central · Bradesco mantido condenado a 50% dos R$ 112 mil em PIX e caixa eletrônico por falha em bloquear transações atípicas ao perfil (Súmula 479).

  • 1001098-40.2025.8.26.0062· João Battaus Neto

    Golpe do WhatsApp · Bradesco condenado a 50% (R$ 945) por falha no KYC da conta receptora; danos morais afastados por culpa concorrente da vítima.

60/40 banco
60/40

Modulação assimétrica em favor do consumidor (banco absorve 60%). Surge em casos Núcleo 4.0-T.VII com autorização manifesta de operação anômala pelo banco — o 'risco do negócio' pesa mais que a cedência de credenciais da vítima.

a gravidade da culpa do réu, que autorizando a transação indicativa de fraude, deve ter a responsabilidade preponderada pelo risco do negócio — 60% dos prejuízos
Câmaras ·
Núcleo 4.0-T.VII
Relatores ·
Márcia Rezende, Fabiana Calil
Casos paradigma
4
  • 1000757-96.2025· Márcia Rezende

    60% banco por autorizar transação indicativa de fraude. Paradigma da modulação assimétrica.

  • Falso advogado com empréstimo + PIX de R$ 15.944 · culpa concorrente 60% banco / 40% autor; dano moral afastado.

  • Fraude com empréstimo de R$ 4.900 e transferência imediata · 60% banco e 40% autor; inexigibilidade do débito e ressarcimento proporcional.

70/30 banco
70/30

Modulação forte contra o banco — reservada a falha bifásica grave (golpe físico na agência + ausência de bloqueio). Duas falhas decisivas do banco em momentos distintos elevam a proporção.

Câmaras ·
Núcleo 4.0-T.VII
Relatores ·
Márcia Rezende
Caso paradigma
1
  • 4003440-11.2025· Márcia Rezende

    ATM com nota falsa emitida pelo próprio caixa eletrônico + não bloqueio subsequente → 70% banco.

75/25 banco receptor
75/25

Aplicável a banco receptor da transferência em fraude com KYC falho na abertura de conta. Padrão severo da 14ª CDP — instituição receptora responde quase integralmente por deixar entrar laranja.

Câmaras ·
14ª CDP
Relatores ·
Thiago de Siqueira, Alexandre David Malfatti, Léa Duarte
Casos paradigma
6
  • 1004401-86.2025· Thiago de Siqueira

    Falso leilão · Santander receptor sem KYC documentado → 75% contra o banco receptor.

  • 1027361-22.2025.8.26.0576· Thiago de Siqueira

    Falsário abriu conta no Banco Inter · falha do banco reconhecida; dano moral afastado por ausência de prova de abalo concreto além de mero aborrecimento.

  • Golpe da OLX · empréstimos fraudulentos nulos, restituição em dobro de R$ 257 e dano moral de R$ 6 mil por fortuito interno (PicPay e Mercado Pago) (Súmula 479).

seletiva (só moral)

Culpa concorrente NÃO reduz o material — banco paga 100% — mas afasta o dano moral. Modulação não-tradicional: usa a culpa da vítima para cortar só o extrapatrimonial.

Câmaras ·
23ª CDP
Relatores ·
Lígia Araújo Bisogni
Casos paradigma
5
  • 1000131-31.2025· Lígia Araújo Bisogni

    100% material + dano moral afastado por culpa concorrente. Paradigma da modulação seletiva.

  • 1004836-02.2024.8.26.0020· Lígia Araújo Bisogni

    Falsa central com acesso remoto e transferências atípicas · Bradesco mantido condenado a R$ 60.851 em empréstimo inexigível (Súmula 479).

  • 1000659-85.2025.8.26.0205· Lígia Araújo Bisogni

    Falso advogado via WhatsApp · Bradesco condenado a restituir R$ 8.680 por falha no monitoramento; dano moral afastado por culpa concorrente (art. 945 CC).

fortuito bifásico

Decomposição do caso em duas fases: fortuito externo na contratação (banco isento) + fortuito interno na movimentação (banco responde pelo remanescente). Dobra e moral afastados.

Câmaras ·
Núcleo 4.0-T.IV
Relatores ·
Dimitrios Zarvos Varellis
Casos paradigma
6
  • 1019246-40.2025· Dimitrios Zarvos Varellis

    Fortuito externo fase contratação + fortuito interno fase movimentação → compensação do remanescente na conta + dobra afastada + moral afastado.

  • 1008435-50.2023.8.26.0127· Dimitrios Zarvos Varellis

    Consignado obtido via correspondente irregular · C6 condenado à restituição em dobro + dano moral de R$ 5 mil por desconto indevido em benefício previdenciário — fortuito interno configurado.

  • 1061557-68.2024.8.26.0506· Dimitrios Zarvos Varellis

    Falso oficial de justiça presencial · banco não impediu empréstimo de R$ 14.786 e PIX de R$ 9.999 fora do perfil; condenação mantida por falha do serviço (Súmula 479).

Casos paradigma recentes

1016008-74.2024.8.26.000815 abr 2026 · SIMÕES DE ALMEIDA · 13ª CDPrivConsumidorcusto R$ 15.000,00Invasão de conta / empréstimos fraudulentos

TJSP reforma improcedência e condena PagSeguro por PIX fraudulento não autorizado (R$10k material + R$5k moral), aplicando Súmula 479 STJ e fortuito interno por falha no sistema de segurança.

O dano moral decorre do próprio fato: transação indevida em valor substancial que foge do perfil de consumo da autora, sem providências extrajudiciais pela instituição, superando o mero aborrecimento.

1005042-38.2025.8.26.006615 abr 2026 · ALEXANDRE BATISTA ALVES · 16ª CDPrivConsumidorcusto R$ 10.000,00Consignado não contratado

Banco Pan reativou indevidamente cobranças de empréstimos consignados já quitados, gerando negativação e descontos em benefício previdenciário; TJSP nega provimento ao banco (não conhecido em parte por falta de dialeticidade) e dá parcial provimento ao recurso adesivo da autora majorando dano moral para R$ 10.000,00 e mantendo repetição em dobro do indébito.

Dano moral in re ipsa configurado pela negativação indevida de nome já adimplido, descontos sobre benefício previdenciário de natureza alimentar e vazamento de dados pessoais a terceiros estelionatários; majoração do quantum de R$ 8.000,00 para R$ 10.000,00

1005809-28.2025.8.26.066415 abr 2026 · MARCELO IELO AMARO · 16ª CDPrivConsumidorcusto R$ 41.739,00Falsa central de atendimento

PagBank condenado a restituir R$31.739 em Pix fraudulentos após golpe da falsa central de atendimento (negociação de taxas de maquininha), por falha no monitoramento de transações atípicas ao perfil do correntista; honorários majorados para 15%.

O dano moral é presumido (in re ipsa) nos casos de fraude bancária que causam prejuízo patrimonial expressivo, configurando situação que ultrapassa o mero aborrecimento, mantida a indenização de R$10.000,00 fixada na sentença.

1012904-50.2025.8.26.003715 abr 2026 · ALEXANDRE BATISTA ALVES · 16ª CDPrivConsumidorcusto R$ 15.000,00Consignado não contratado

TJSP nega provimento a recurso do PicPay: empréstimo consignado contratado fraudulentamente em nome de idosa com Alzheimer, com uso de fotos antigas; banco condenado a restituição em dobro e dano moral de R$ 15.000,00

Dano moral configurado pela indevida subtração de parcela de verba alimentar de idosa com Alzheimer, comprometendo sua subsistência e segurança financeira, mantido o valor de R$ 15.000,00 fixado na sentença.

1019819-78.2025.8.26.040515 abr 2026 · ALEXANDRE BATISTA ALVES · 16ª CDPrivConsumidorcusto R$ 10.364,51Falsa central de atendimento

Banco Bradesco negado provimento: golpe falsa central com spoofing e vazamento de dados de PJ (R$ 7.364,51); fortuito interno configurado; dano moral R$ 3.000,00 mantido; honorários majorados para 15%.

Pessoa jurídica com capital social de R$ 10.000,00 sofreu fraude de R$ 7.364,51, comprometendo adimplemento de obrigações e consecução do objeto social, configurando ofensa à honra objetiva indenizável em R$ 3.000,00, conforme Súmula 227 STJ.