Acórdão · TJSP

1013518-18.2025.8.26.0405

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.II DP2Rel. MARCIO BONETTI7 abr 2026
Falso advogadoApp digitalWhatsAppPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe falso advogado via WhatsApp (processo real como isca): culpa concorrente 50/50 mantida — banco condena a R$2.300; dano moral afastado; honorários majorados para 15%; recurso da consumidora desprovido por unanimidade.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
App digital
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 4.600,00
Divisão da responsabilidade
Concorrente 50/50
Descrição do golpe

Golpe do falso advogado: criminosos contataram a vítima via WhatsApp alegando necessidade de atualização cadastral para liberação de crédito judicial em processo real, induzindo-a a abrir conta em seu próprio nome na instituição ré e realizar transferência PIX de R$ 4.600,00

Marcadores do caso
Pix Unico Alto ValorDispositivo Da Vitima UsadoContratacao Digital
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoKyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 2.300,00
Dano moral
R$ 0,00
Afastado Mero Aborrecimento
Custo total estimado
R$ 2.300,00
Fundamento do afastamento do dano moral

culpa_concorrente_afasta_dano_moral

Teses

  • ★ principalMaterialParcialAcolhida
    Culpa Concorrente Falso Advogado Pix Conta Propria

    Art. 945 CC aplicado: vítima transferiu PIX voluntariamente sem cautelas mínimas contribuindo decisivamente para o dano; banco falhou na abertura de conta e monitoramento — divisão 50/50 mantida.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaAnalise Valor AtipicoHipossuficiente TecnicaBiometria Ausente
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Dano Moral Afastado Culpa Concorrente

    Culpa concorrente afasta imputação integral do dano moral à instituição pois abalo decorreu em parte substancial da própria conduta da autora.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteOperacao Atipica
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Sucumbencia Proporcional 75 25 Majoracao Honorarios

    Autora obteve apenas R$2.300 dos R$14.600 pleiteados; honorários majorados de 10% para 15% por força do art. 85 §11 CPC em razão do recurso desprovido.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Responsabilidade Integral Sumula479

    Súmula 479 STJ aplicada mas ponderada pela culpa concorrente da vítima; responsabilidade integral afastada pois transferência foi voluntária sem cautelas mínimas.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Uso Indevido Dados Abertura Conta Fraudulenta

    Uso indevido de dados não ultrapassou mero aborrecimento diante da culpa concorrente demonstrada; restituição proporcional material suficiente para recompor equilíbrio.

    Requisitos
    Dados Fornecidos Voluntariamente
  • ProcessualPró-bancoRejeitada
    Presuncao Veracidade Por Ocultacao Extratos

    Ausência de extratos completos não afasta culpa concorrente pois fato determinante do prejuízo é a transferência voluntária da autora, tornando irrelevante a destinação posterior dos valores.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorLog Auditoria Disponivel

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamentou a responsabilidade objetiva da Astro por fortuito interno (abertura irregular de conta e ausência de bloqueio de movimentação atípica), sendo ponderada — não excluída — pela culpa concorrente da vítima.

  • Art Cc945

    Autorizou a divisão 50/50 do prejuízo material ao reconhecer que a vítima contribuiu decisivamente ao realizar PIX voluntário sem cautelas mínimas, afastando a responsabilidade integral da instituição.

  • TJSP1011534-41.2025.8.26.0100

    Precedente TJSP (Rel. Des. Júlio César Franco, 22ª Câmara) no golpe do falso advogado com conta aberta em nome da vítima: culpa concorrente 50/50, danos morais afastados — idêntico ao caso sub judice, citado como paradigma.

Contrapontos rebatidos

  • Autora alegou ocultação deliberada dos extratos para presumir responsabilidade integral; acórdão rebateu que eventual deficiência probatória reforça falha do serviço mas não exclui a imprudência inicial da consumidora, pois o fato gerador consolida-se com a transferência voluntária.
  • Autora invocou Súmula 479 STJ para responsabilidade integral da instituição; acórdão reconheceu a aplicabilidade da súmula mas a ponderou com o art. 945 CC, pois a consumidora contribuiu decisivamente ao realizar PIX voluntário sem verificar destinatário ou autenticidade da narrativa.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não comprovou regularidade dos mecanismos de validação na abertura da conta (biometria facial possivelmente capturada via link fraudulento), mas a falha probatória apenas reforçou a falha do serviço sem eliminar a culpa concorrente da vítima.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·sentença fls. 203/211
  • ·apelação fls. 215/230
  • ·contrarrazões fls. 239/253
  • ·processo nº 1042885-66.2024.8.26.0100

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Osasco · 7ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Liege Gueldini de Moraes
Competência
Cível
Data de autuação
13 mai 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 14.600,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. II (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
MARCIO BONETTI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 14.600,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

Inteiro teor

Abrir em nova aba
Abrir inteiro teor

O documento abre em uma nova aba (visualização original do TJSP).