Acórdão · TJSP

1013128-04.2024.8.26.0625

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.II DP2Rel. JOÃO BATTAUS NETO18 mar 2026
Consignado não contratadoMercantilConsignado INSSDigital (não especificado)Consignado indevido
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Mercantil condenado por consignado INSS fraudulento: devolução em dobro + dano moral R$5k — ausência de biometria, geolocalização e prova de contratação determinaram responsabilidade objetiva (Súmula 479/STJ).

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Empréstimo consignado fraudulento contratado eletronicamente sem autorização da autora aposentada, com descontos indevidos em benefício previdenciário. Contratos firmados simultaneamente no mesmo dia e hora sem utilização do crédito.

Marcadores do caso
Vitima IdosaVitima Aposentado InssContratacao DigitalRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoOperacoes Em Sequencia RapidaPre Emprestimo Antes Transferencia
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoMonitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Consignado Fraudulento Ausencia Cautelas Biometria Geolocalizacao

    Banco não comprovou cautelas mínimas (biometria, geolocalização, documentação) e o próprio bloqueio da conta reconheceu a anomalia; responsabilidade objetiva aplicada via Súmula 479/STJ.

    Requisitos
    Biometria AusenteAnalise Sequencia Operacoes AnomalaOperacao AtipicaAlerta Antifraude DisparadoLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio CompletoAusencia Prova Tecnica Autor
  • Repeticao DobroPró-consumidorAcolhida
    Repeticao Dobro Art42 Cdc Tema929 Stj

    Repetição em dobro deferida pois cobrança indevida contrária à boa-fé objetiva, conforme Tema 929/STJ e EAREsp 600663/RS e correlatos.

    Requisitos
    Operacao AtipicaAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralParcialParcial
    Dano Moral Privacao Verba Alimentar Minorado

    Dano moral configurado in re ipsa pela privação de verba alimentar (benefício previdenciário), mas quantum minorado de R$7.000 para R$5.000 por razoabilidade e proporcionalidade.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Fortuito Externo Culpa Exclusiva Vitima

    Tese de fortuito externo rejeitada pois banco não comprovou a regularidade da contratação nem afastou a falha do serviço; Súmula 479/STJ classifica como fortuito interno.

    Requisitos
    Senha Validada BancoCombo Probatorio CompletoDados Fornecidos Voluntariamente
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Ausencia Dano Moral Aborrecimento

    Privação de verba de natureza alimentar (benefício previdenciário de aposentada idosa) configura dano moral in re ipsa, não mero aborrecimento.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Classificou a fraude como fortuito interno, afastando a excludente de responsabilidade do banco e fundamentando a condenação objetiva.

  • Art Cdc14

    Base da responsabilidade objetiva pelo fato do serviço, dispensando comprovação de culpa e invertendo o ônus probatório ao banco.

  • Earesp600663/RS

    Fixou a tese do Tema 929/STJ determinando a repetição em dobro independentemente do elemento volitivo, base para dobrar a restituição.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou contratação eletrônica regular via senha pessoal; acórdão rejeitou pois tela sistêmica unilateral não comprova autoria, ausentes biometria, geolocalização e foto com documento pessoal.
  • Banco alegou que autora utilizou o crédito via TED/PIX; acórdão constatou que os contratos foram firmados no mesmo dia/hora sem utilização do crédito, havendo apenas saque do benefício previdenciário.
  • Banco alegou culpa exclusiva da vítima/fortuito externo; acórdão contrapôs que o próprio banco bloqueou a conta reconhecendo tacitamente a anomalia, configurando fortuito interno pela Súmula 479/STJ.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não cumpriu ônus de provar a regularidade da contratação (art. 14, §3º, I do CDC), ausentes biometria, geolocalização, conversas por SMS/WhatsApp e documentação mínima, o que foi determinante para a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·tela sistêmica fls. 174/188
  • ·contratos nº 807783663 e 807783662
  • ·cartões RMC/RCC fls. 18
  • ·sentença fls. 220/230
  • ·decisão liminar fls. 80/81
  • ·saque benefício previdenciário fls. 04

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Taubaté · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Antonio Carlos Lombardi De Souza Pinto
Competência
Cível
Data de autuação
6 set 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 58.126,69
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Empréstimo consignado
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. II (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
JOÃO BATTAUS NETO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 58.126,69
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários - Empréstimo consignado
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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