Acórdão · TJSP

1010389-24.2025.8.26.0625

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.II DP2Rel. GUILHERME SANTINI TEODORO12 dez 2025
Engenharia social (genérica)MercantilConta corrente PFPresencialPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP não conheceu apelação do Banco Mercantil por dialeticidade: banco impugnou consignado inexistente, mantendo restituição dobrada de R$2.824 por PIX fraudulentos em conta de aposentada.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 1.412,00
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Vítima recebeu brinde entregue por motofretista em sua residência e, dias depois, constatou ausência de saldo na conta, com transferências fraudulentas via PIX realizadas por terceiros sem sua autorização, destoando completamente de seu perfil de uso.

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssPix Unico Alto ValorDispositivo De Terceiro Usado
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 2.824,00
Dano moral
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 2.824,00

Teses

  • ★ principalProcessualPró-consumidorAcolhida
    Nao Conhecimento Falta Dialeticidade

    Razões recursais impugnaram contrato de consignado inexistente nos autos, sem atacar os fundamentos reais da sentença, violando art. 1.010 II e III CPC e princípio da dialeticidade.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorOutro
  • MaterialPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Transferencias Pix Nao Autorizadas

    PIX fraudulentos destoavam completamente do perfil da aposentada (conta usada só para receber benefício, sem app nem chave PIX); banco não comprovou regularidade dos sistemas de segurança.

    Requisitos
    Operacao AtipicaAlerta Antifraude Nao DisparadoBo Registrado TempestivoHipossuficiente TecnicaCombo Probatorio Completo
  • Repeticao DobroPró-consumidorAcolhida
    Repeticao Dobro Art42 Cdc

    Restituição em dobro mantida pois o banco não demonstrou erro justificável; débitos fraudulentos não configuram hipótese de exceção ao art. 42 parágrafo único CDC.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorHipossuficiente Tecnica
  • MaterialPró-consumidorRejeitada
    Banco Vitima Fraude Terceiro

    Tese não conhecida por falta de dialeticidade; banco se referiu a fraude em consignado inexistente nos autos, não aos PIX fraudulentos objeto do processo.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo ProvadoAusencia Prova Tecnica Autor
  • CompensacaoPró-consumidorRejeitada
    Compensacao Valores Recebidos

    Pedido de compensação não conhecido pois as razões recursais eram inepta, referindo-se a contrato inexistente nos autos.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-consumidorRejeitada
    Descabimento Repeticao Dobro

    Argumento pelo retorno à restituição simples não conhecido: banco não impugnou especificamente os fundamentos da sentença sobre aplicação do art. 42 CDC.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cpc1.010, II e III

    Fundamento central para não conhecimento do recurso: apelação não expôs fato, direito nem razões do pedido de nova decisão, sendo inepta como meio impugnativo.

  • Art Cdc42, parágrafo único

    Base legal da restituição em dobro mantida: débitos fraudulentos não configuram erro justificável, impondo devolução duplicada ao banco.

  • Sumula Stj479

    Consagrou responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno em fraudes por terceiros, afastando excludente de responsabilidade alegada.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que documentos originais foram apresentados na contratação, mas o acórdão identificou que a narrativa se referia a contrato de consignado inexistente no processo, não às transferências PIX objeto da lide.
  • Banco sustentou genericamente ausência de fragilidade nos sistemas e responsabilidade de terceiro; sentença reconheceu que operações atípicas deveriam ter sido bloqueadas pelo antifraude.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não juntou provas de que os sistemas de segurança funcionaram adequadamente, deixando de cumprir ônus do art. 373 II CPC, o que foi decisivo para manutenção da condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·extratos bancários fls. 50/55
  • ·boletim de ocorrência fls. 23/24
  • ·informes fls. 20/55

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Taubaté · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Rodrigo Valério Sbruzzi
Competência
Cível
Data de autuação
14 jul 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 11.412,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. II (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
GUILHERME SANTINI TEODORO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 11.412,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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