Acórdão · TJSP

1006326-34.2025.8.26.0405

ApelaçãO CíVel14ª CDPrivRel. PENNA MACHADO18 fev 2026
MotoboyCartão de créditoLigaçãoCompra com cartão
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe do motoboy com clonagem de cartão e R$ 37,6 mil em <4 min: TJSP 14ª Câmara mantém condenação por fortuito interno (Súmula 479/STJ), dano moral R$ 5k e majoração de honorários para 15%.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Cartão de crédito
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
Compra com cartão
Valor fraudado
R$ 37.639,72
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe do motoboy: criminosos se passaram por prepostos de empresa de entrega de presentes, enviaram motoboy à residência da vítima com maquininha com defeito, clonaram o cartão de crédito e realizaram transações no valor de R$ 37.639,72 em menos de 4 minutos.

Marcadores do caso
Valor Alto AtipicoOperacoes Em Sequencia RapidaCartao Fisico Entregue
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 37.639,72
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 42.639,72

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorRejeitada
    Sumula479 Fortuito Interno Cartao Clonado Motoboy

    Tese do banco de fortuito externo/culpa da vítima foi rejeitada: transações atípicas de R$ 37,6 mil em <4 min, perfil destoante e o próprio sistema da ré bloqueou uma operação idêntica, configurando fortuito interno (Súmula 479/STJ).

    Requisitos
    Analise Valor AtipicoAnalise Intervalo Transacoes CurtoOperacao AtipicaAlerta Antifraude DisparadoAlerta Antifraude Nao DisparadoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Uso Senha Dados Pessoais

    Tese rejeitada porque as transações destoavam completamente do perfil da consumidora e o ônus de comprovar pertinência das transações ao perfil do correntista é da instituição financeira, não da vítima.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteOperacao AtipicaAnalise Intervalo Transacoes Curto
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Fato Ocorrido Em Ambiente Externo Terceiro Fraudador

    Tese rejeitada pois a ação criminosa ocorreu no âmbito das operações bancárias gerenciadas pela ré, configurando fortuito interno independentemente de o agente ser terceiro externo.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Cobranca Indevida Sem Assistencia Administrativa

    Dano moral reconhecido in re ipsa: cobrança extravagante mantida sem assistência administrativa, somente suspensa por tutela provisória, ultrapassando mero dissabor tolerável; indenização de R$ 5.000 mantida.

    Requisitos
    Estorno Solicitado TempestivoContato Central Anterior
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Confunde Com Merito

    Preliminar de ilegitimidade passiva rejeitada por confundir-se com o mérito: o argumento da ré era a própria ausência de responsabilidade, questão de fundo, não de legitimidade.

    Requisitos
    Outro

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da condenação: responsabilidade objetiva da administradora por fortuito interno em operações bancárias, afastando a tese do banco de fortuito externo.

  • Art Cdc14_caput

    Base legal da responsabilidade objetiva do fornecedor por defeitos na prestação do serviço, combinado com a Súmula 479/STJ para sustentar o dever de indenizar.

  • TJSP1002798-91.2021.8.26.0482

    Precedente da própria 14ª Câmara (Rel. Lavínio Donizetti Paschoalão, 30/09/21) sobre golpe do motoboy análogo, com mesmo valor de dano moral (R$ 5.000) e mesma lógica de fortuito interno por movimentações atípicas, utilizado para ratificar integralmente a sentença.

Contrapontos rebatidos

  • O banco alegou que a autora entregou seus dados ao motoboy, imputando culpa exclusiva (art. 14 §3º II CDC). O acórdão rebateu: o ônus de comprovar que as transações correspondem ao perfil do consumidor é da instituição financeira, não da vítima.
  • O banco alegou que a fraude ocorreu em ambiente externo ao sistema bancário. O acórdão rebateu: os estelionatários utilizaram o cartão gerenciado pela ré com dados bancários obtidos, configurando fortuito interno no âmbito das operações bancárias (Súmula 479/STJ).
  • O banco invocou campanhas de prevenção a fraudes como contramedida eficaz. O acórdão rebateu que campanhas publicitárias não têm o condão de inibir a responsabilidade quando a fraude ocorre concretamente no âmbito de atuação da instituição.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco não comprovou que as transações de R$ 37,6 mil em <4 min correspondiam ao perfil de consumo da autora; o acórdão expressamente atribuiu esse ônus à instituição financeira, e seu descumprimento foi determinante para a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·Sentença fls. 284/294
  • ·Apelação fls. 300/337
  • ·Contrarrazões fls. 341/344 e 345/347
  • ·tutela de urgência concedida

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Osasco · 4ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Competência
Cível
Data de autuação
7 mar 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 47.639,72
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Moral
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
14ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
PENNA MACHADO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 47.639,72
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Contratos - Cartão de Crédito
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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