Acórdão · TJSP

1003342-28.2025.8.26.0292

Falso funcionário/gerenteMercantilConsignado INSSLigaçãoConsignado indevido
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Mercantil perde em fraude consignado INSS (falso funcionário): ausência de metadados digitais invalida contratos; responsabilidade objetiva mantida; dano moral reduzido a R$5k — voto unânime sem divergência recursável.

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
Recíproca · banco maior
Descrição do golpe

Golpe do falso funcionário: terceiros se passaram por funcionários do banco e induziram a aposentada a fornecer dados/credenciais, permitindo a contratação fraudulenta de empréstimos e antecipação de 13º salário em seu nome

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoPre Emprestimo Antes TransferenciaContratacao Digital
Sinais de alerta
Antifraude FalhouSem Biometria ContratacaoMonitoramento DeficienteKyc Deficiente Conta Destino

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Ausencia Metadados Validacao Digital Contratos Eletronicos

    Banco não apresentou geolocalização, IP, trilha de auditoria nem assinatura qualificada; senha isolada insuficiente para provar autoria em contexto de fraude reconhecida, com ônus invertido pelo CDC art. 6º VIII.

    Requisitos
    Log Auditoria DisponivelBiometria ValidadaSenha Validada BancoAusencia Prova Tecnica AutorHipossuficiente TecnicaCombo Probatorio Completo
  • MaterialPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Operacoes Atipicas Sem Bloqueio Preventivo

    Crédito vultoso com dissipação instantânea destoava do perfil da correntista; banco não acionou bloqueio preventivo configurando fortuito interno nos termos da Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Operacao AtipicaAlerta Antifraude Nao DisparadoMonitoramento Ativo ReconhecidoAnalise Valor AtipicoPre Existencia Emprestimo Antes Pix Suspeito
  • MoralParcialParcial
    Reducao Quantum Dano Moral Para 5000

    Dano moral in re ipsa reconhecido pela privação de verba alimentar, mas quantum reduzido de valor original para R$5.000 conforme parâmetros da Câmara para casos análogos sem negativação.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaBo Registrado Tempestivo
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Fornecimento Voluntario Dados

    Tese rejeitada porque a fraude só se consumou pela ineficiência dos mecanismos de segurança do banco e ausência de validação digital adequada, afastando culpa exclusiva da vítima.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Regularidade Contratacao Uso Senha Pessoal

    Senha isolada sem metadados (IP, geolocalização, trilha de auditoria) insuficiente para comprovar autoria em contexto de fraude reconhecida pelo próprio banco.

    Requisitos
    Senha Validada BancoLog Auditoria DisponivelBiometria ValidadaToken Digital Confirmado

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva do banco por fraudes de terceiros no âmbito de operações bancárias, caracterizando fortuito interno e mantendo o nexo causal.

  • STJ1.413.542/RS

    EREsp - Tema 929 - determinou modulação da restituição em dobro apenas para descontos após 31/03/2021, limitando o alcance temporal da condenação material.

  • Art Cdc6_VIII

    Fundamento da inversão do ônus da prova nas contratações eletrônicas contestadas, impondo ao banco o dever de provar autenticidade com metadados que não foram apresentados.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou uso de senha pessoal como prova de regularidade; acórdão rebateu afirmando que senha isolada sem geolocalização, IP e trilha de auditoria não comprova que foi a autora quem realizou ou autorizou os empréstimos em contexto de fraude notória.
  • Banco invocou culpa exclusiva da vítima por fornecer dados a fraudadores; acórdão rebateu demonstrando que a fraude só se consumou pela ineficiência dos mecanismos de segurança e ausência de bloqueio preventivo de transações atípicas.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não apresentou geolocalização, IP, trilha de auditoria ou assinatura qualificada nas contratações eletrônicas contestadas, descumprindo ônus probatório invertido pelo CDC art. 6º VIII, o que determinou a declaração de inexigibilidade dos contratos.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·contratos nº 0065228890001, 807590793, 910001989039 e 91000199639 (fls. 37/40 e 191/195)
  • ·sentença fls. 326/330
  • ·razões recursais fls. 344/359
  • ·contrarrazões fls. 366/372

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de São José dos Campos · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Luís Mauricio Sodré de Oliveira
Competência
Cível
Data de autuação
16 mai 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 29.001,01
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. VII (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
JOÃO JOSÉ CUSTODIO DA SILVEIRA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 29.001,01
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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