Acórdão · TJSP

1003095-39.2022.8.26.0070

ApelaçãO CíVel23ª CDPrivRel. JORGE TOSTA30 jan 2026
MotoboyBanco do BrasilCartão de créditoPresencialCompra com cartão
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Visa condenada solidariamente por falha antifraude em cartão furtado (R$4.086): transações atípicas em bares/madrugada não bloqueadas; dano moral R$6k mantido; honorários majorados para 18%.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Cartão de crédito
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
Compra com cartão
Valor fraudado
R$ 4.086,02
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Cartão de crédito furtado em via pública; terceiro realizou compras fraudulentas em bares e estabelecimentos de alimentação na madrugada seguinte, com valores elevados e arredondados, destoando do padrão do consumidor; banco não bloqueou as operações atípicas apesar da comunicação do furto

Marcadores do caso
Cartao Fisico EntregueMultiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoOperacoes Em Sequencia Rapida
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 4.086,02
Dano moral
R$ 6.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 10.086,02

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorAcolhida
    Falha Monitoramento Transacoes Atipicas Pos Furto

    Banco e Visa não comprovaram regularidade das transações; sistema falhou ao não detectar operações atípicas pós-furto comunicado em 29/08/2022.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoAnalise Valor AtipicoAnalise Horario AtipicoAnalise Intervalo Transacoes CurtoOperacao AtipicaBo Registrado TempestivoEstorno Solicitado TempestivoAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio Completo
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Presumido Cobranca Indevida Negativacao

    Dano moral in re ipsa reconhecido: cobrança indevida R$4.086 e negativação após contestação formal configuram desvio produtivo do consumidor, extrapolando mero aborrecimento.

    Requisitos
    Bo Registrado TempestivoEstorno Solicitado TempestivoHipossuficiente Tecnica
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Legitimidade Passiva Bandeira Cartao Cadeia Consumo

    Preliminar de ilegitimidade da Visa rejeitada: bandeira integra cadeia de fornecimento, aufere lucro e responde solidariamente (arts. 7º parágrafo único, 14 e 25 §1º CDC).

    Requisitos
    Outro
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Bandeira Nao Emissora

    Alegação de ilegitimidade passiva da Visa rejeitada: teoria do risco do empreendimento e solidariedade CDC afastam a tese de exclusão por não ser emissora.

    Requisitos
    Outro
  • MaterialPró-consumidorRejeitada
    Responsabilidade Exclusiva Banco Emissor

    Responsabilidade exclusiva do BB rejeitada: solidariedade da cadeia de consumo (Súmula 479 STJ + arts. CDC) alcança a Visa como participante do arranjo de pagamento.

    Requisitos
    Outro
  • MoralPró-consumidorRejeitada
    Reducao Quantum Dano Moral Excessivo

    Pedido subsidiário de redução do quantum rejeitado: R$6.000 considerado proporcional e razoável, com caráter compensatório e pedagógico preservados.

    Requisitos
    Analise Valor Atipico

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva das instituições financeiras e da Visa por fraudes de terceiros (fortuito interno), afastando excludentes e consolidando a condenação solidária.

  • Art Cdc14

    Base normativa da responsabilidade objetiva do fornecedor e ausência das excludentes do §3º, sustentando a manutenção integral da condenação.

  • TJSP1093742-63.2017.8.26.0100

    Precedente da 24ª Câmara (Rel. Salles Vieira) reconhecendo solidariedade da Visa em golpe do motoboy, citado expressamente para fundamentar legitimidade passiva e responsabilidade solidária.

Contrapontos rebatidos

  • Visa alegou ser mera detentora da bandeira sem ingerência sobre emissão ou contestação; acórdão rebateu com arts. 7º parágrafo único, 14 e 25 §1º CDC e teoria do risco do empreendimento, reconhecendo solidariedade.
  • Visa negou nexo causal e ato ilícito, atribuindo responsabilidade ao BB; acórdão aplicou Súmula 479 STJ e art. 14 CDC, reconhecendo falha no sistema de segurança como fortuito interno imputável a toda a cadeia.
  • Visa pugnou subsidiariamente pela redução do quantum de R$6.000; acórdão manteve o valor por razoabilidade, proporcionalidade e caráter pedagógico diante da gravidade da falha.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Incumbia às rés comprovar a regularidade das transações contestadas pelo autor; limitaram-se a alegações genéricas sem elementos técnicos, o que determinou a condenação solidária.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·BO registrado pelo autor
  • ·contestação junto ao BB em 29/08/2022
  • ·sentença fls. 373/385
  • ·apelação fls. 388/412
  • ·contrarrazões fls. 443/451
  • ·recurso adesivo fls. 452/455
  • ·contrarrazões Visa fls. 459/465
  • ·comprovantes preparo fls. 473/474

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Batatais · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Maria Esther Chaves Gomes
Competência
Cível
Data de autuação
26 set 2022
Última movimentação
Valor da causa
R$ 14.086,02
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Cartão de Crédito
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
23ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
JORGE TOSTA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 14.086,02
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Cartão de Crédito
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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