Acórdão · TJSP

1002885-27.2024.8.26.0099

ApelaçãO CíVel17ª CDPrivRel. AFONSO BRÁZ3 mar 2026
Engenharia social (genérica)MercantilConta corrente PFPresencialEmpréstimo pessoal fraudulento
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Mercantil proveu apelação na 17ª Câmara (Rel. Afonso Bráz): culpa exclusiva da vítima por entrega voluntária de bolsa/cartão a estelionatário e ausência de comunicação afastam responsabilidade bancária totalmente.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
Empréstimo pessoal fraudulento
Valor fraudado
R$ 9.000,00
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe do 'conto do vigário' / carteira perdida: estelionatários abordaram a esposa da vítima na rua com falsa carteira perdida, conquistaram sua confiança e a induziram a entregar voluntariamente sua bolsa (contendo cartão bancário), permitindo operações fraudulentas na conta

Marcadores do caso
Cartao Fisico EntreguePre Emprestimo Antes TransferenciaValor Alto Atipico

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fortuito_externo_culpa_consumidor_entrega_cartao

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Culpa Exclusiva Vitima Entrega Voluntaria Cartao

    Esposa do autor entregou voluntariamente a bolsa com o cartão a terceiro desconhecido fora do banco, sem comunicação imediata, configurando violação do dever de guarda e culpa exclusiva do correntista.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteBo Tardio Ou AusenteEstorno Solicitado TempestivoDispositivo Da Vitima UsadoOperacao Atipica
  • MaterialPró-bancoAcolhida
    Sumula 479 Inaplicavel Culpa Exclusiva Vitima

    Súmula 479/STJ afastada porque a fraude decorreu de culpa exclusiva da vítima (fortuito externo), sem qualquer falha na segurança do serviço bancário.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorNexo Causal Externo Provado
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Banco Operacoes Fraudulentas

    Tese do autor de responsabilidade objetiva do banco rejeitada integralmente: ausência de falha no serviço e culpa exclusiva da vítima afastam o nexo causal necessário.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio Completo
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Operacoes Fraudulentas Inss Consignado

    Dano moral afastado como consequência da improcedência total: ausência de ilicitude bancária impede reconhecimento de dano indenizável.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica Autor
  • Repeticao DobroPró-bancoRejeitada
    Repeticao Indebito Dobro Art42 Cdc

    Restituição em dobro afastada com a improcedência total da ação, pois não houve cobrança indevida pelo banco dado o reconhecimento da culpa exclusiva da vítima.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorDados Fornecidos Voluntariamente

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Citada como fundamento da responsabilidade objetiva pelo autor, mas expressamente afastada pelo Rel. Afonso Bráz por se tratar de fortuito externo (culpa exclusiva da vítima), não fortuito interno — afastamento foi o pivô da reforma da sentença.

  • Art Cdc14

    Art. 14 CDC usado como base da condenação em 1º grau; afastado no acórdão porque a culpa exclusiva da vítima exclui a responsabilidade objetiva do fornecedor, nos termos do §3º, II.

Contrapontos rebatidos

  • Autor invocou art. 14 CDC e Súmula 479/STJ para imputar responsabilidade objetiva ao banco; acórdão rebateu afirmando que a Súmula 479 cobre fortuito interno, mas o caso é de fortuito externo por culpa exclusiva do correntista que permitiu entrega voluntária do cartão.
  • Autor alegou falha do banco por permitir operações fraudulentas; acórdão rebateu com a ausência de comunicação imediata do extravio, tornando válidas as transações realizadas antes da notificação.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autor não juntou comprovantes de pagamento dos empréstimos, notificação extrajudicial ao banco nem demonstrou nexo causal entre conduta bancária e o dano, ônus que pesou decisivamente para a improcedência.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autor não comunicou imediatamente o extravio do cartão ao banco, ônus de proteção próprio do correntista cuja omissão validou as operações realizadas antes do bloqueio.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·BO lavrado em 29/02/2024
  • ·extratos de fls. 23/24 e 106
  • ·assistência judiciária fls. 27/28
  • ·embargos de declaração fls. 177/183
  • ·sentença fls. 161/173
  • ·contrarrazões fls. 249/253

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Bragança Paulista · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Daniela Aoki de Andrade Maria Orlandi
Competência
Cível
Data de autuação
1 abr 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 17.181,20
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
17ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
AFONSO BRÁZ
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 17.181,20
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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