Acórdão · TJSP

1000925-87.2025.8.26.0491

ApelaçãO CíVel20ª CDPrivRel. ROBERTO MAIA31 mar 2026
Boleto fraudulentoItaúBoletoWhatsAppBoleto pago
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Boleto falso pago no caixa Itaú: preposto omisso em conferir beneficiário = fortuito interno; culpa concorrente da vítima afasta moral mas não a restituição simples de R$15.047,61 — padrão consolidado da 20ª Câmara, Rel. Roberto Maia.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Boleto
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Boleto pago
Valor fraudado
R$ 15.047,61
Divisão da responsabilidade
Concorrente · banco maior
Descrição do golpe

Golpe do boleto falso: vítima recebeu boleto via WhatsApp de fraudadores se passando por banco, com beneficiário divergente, e efetuou pagamento presencialmente no caixa bancário sem que o preposto alertasse sobre a divergência

Marcadores do caso
Contratacao PresencialOutro Marcador
Sinais de alerta
Monitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 15.047,61
Dano moral
R$ 0,00
Afastado Mero Aborrecimento
Custo total estimado
R$ 15.047,61
Fundamento do afastamento do dano moral

culpa_concorrente_relevante_determinante_consumidor

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Preposto Bancario Nao Alertou Divergencia Beneficiario Boleto

    Preposto do Itaú realizou o pagamento do boleto no caixa sem conferir a divergência de beneficiário, configurando falha de serviço (fortuito interno) que impõe restituição integral simples.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoDados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica AutorHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Culpa Concorrente Relevante Afasta Dano Moral

    Conduta imprudente da consumidora ao aceitar negociação via WhatsApp e pagar boleto sem confirmação foi determinante, justificando afastamento do dano moral conforme orientação consolidada da 20ª Câmara.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteBo Registrado TempestivoOperacao Atipica
  • HonorariosParcialAcolhida
    Redistribuicao Sucumbencia Proporcao 50 50

    Provimento parcial impôs redistribuição equitativa dos ônus sucumbenciais na proporção de 50% para cada parte, com honorários calculados sobre o proveito econômico de cada lado.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Vazamento Dados Nao Comprovado Afasta Responsabilidade

    Autora não juntou prints da conversa com estelionatários nem provou que dados sigilosos de tratamento exclusivo do banco foram vazados, descumprindo o ônus probatório do art. 373 I CPC (REsp 2.077.278/SP).

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio Completo
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Decorrente Fraude Bancaria

    Culpa concorrente relevante e determinante da consumidora afastou o dano moral, pois a angústia decorreu também de sua própria conduta imprudente.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente Tecnica
  • Repeticao DobroPró-bancoRejeitada
    Repeticao Dobro IndéBito

    Afastada a repetição em dobro por ausência de conduta contrária à boa-fé objetiva das instituições financeiras, nos termos do EAREsp 676.608/RS.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para responsabilização objetiva das instituições financeiras pelo fortuito interno decorrente da omissão do preposto em conferir o beneficiário do boleto.

  • Enunciado TjspEnunciado nº 12 Seção de Direito Privado TJSP

    Delimitou o cabimento do ressarcimento no golpe do boleto falso ao caso de direcionamento por preposto ou canal oficial, exatamente a hipótese configurada neste caso pelo pagamento no caixa.

  • Earesp676.608/RS

    Afastou a repetição em dobro por ausência de conduta contrária à boa-fé objetiva das instituições financeiras, limitando a condenação à restituição simples.

Contrapontos rebatidos

  • A autora alegou que fraudadores detinham dados bancários sigilosos, mas não juntou sequer prints da conversa com os estelionatários; o acórdão afirma ser impossível exigir do banco provar negativamente o que a autora deveria ter demonstrado (art. 373 I CPC).
  • O acórdão reconhece que o canal WhatsApp deveria despertar desconfiança e que aceitar negociação por canal não oficial sem confirmação nos canais institucionais configura culpa concorrente relevante e determinante da consumidora.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autora não se desincumbiu do ônus de provar que estelionatários detinham dados exclusivos do banco (prints da conversa), o que afastou a tese de vazamento e reduziu a condenação ao fortuito interno pelo preposto.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·BO a fls. 69/70
  • ·comprovante de pagamento do boleto falso
  • ·boleto recebido via WhatsApp com dados do contrato
  • ·contrarrazões fls. 670/680
  • ·contrarrazões fls. 681/683

Capa do processo

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
20ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ROBERTO MAIA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 65.548,18
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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