Acórdão · TJSP

1000466-97.2024.8.26.0660

ApelaçãO CíVel15ª CDPrivRel. ACHILE ALESINA18 fev 2026
Falso advogadoPagSeguroApp digitalWhatsAppPIX
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe falso advogado via WhatsApp: Pix de R$700 transferido voluntariamente; TJSP-15ª manteve improcedência por fortuito externo e culpa exclusiva da vítima, afastando responsabilidade de PagSeguro e Facebook.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
App digital
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 700,00
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe do falso advogado: terceiro se passou pelo advogado da vítima via WhatsApp, informando direito a recebimento de valor judicial e solicitando transferência via Pix de R$ 700,00 a título de imposto para liberação do numerário.

Marcadores do caso
Pix Unico Alto ValorDispositivo Da Vitima Usado

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fortuito_externo_culpa_consumidor_terceiro

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Fortuito Externo Culpa Exclusiva Vitima E Terceiro Falso Advogado

    Vítima realizou Pix voluntariamente sem verificar identidade do interlocutor; prova fragmentada e lacunosa; PagSeguro demonstrou diligência nos procedimentos de KYC; Facebook não pode ser obrigado a bloquear por e-mail genérico sem lastro probatório.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica AutorBo Registrado TempestivoAlerta Antifraude Nao DisparadoCombo Probatorio Completo
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Sucumbencia Recursal

    Majoração de 10% para 11% sobre valor atualizado da causa aplicada por força do art. 85, §11, CPC, em razão do trabalho adicional na fase recursal.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Instituicao Financeira Sumula 479

    Súmula 479 STJ afastada pois PagSeguro demonstrou diligência nos procedimentos de identificação (recusas por irregularidade documental), ausente falha de serviço e nexo causal.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioAusencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Falha Facebook Bloqueio Conta Golpista

    Denúncia por e-mail era genérica e sem lastro probatório; bloqueio sumário de conta sem verificação mínima implicaria risco de bloqueios indevidos; nexo causal não demonstrado.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorBo Registrado Tempestivo
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Vitima Golpe Falso Advogado

    Ausência de falha na prestação de serviço afasta dever de indenizar danos morais, prejudicados pela improcedência integral.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14 §3º II

    Excludente de responsabilidade por culpa exclusiva da vítima ou de terceiro aplicada para afastar dever de indenizar das rés, rompendo o nexo causal.

  • TJSP1048203-93.2025.8.26.0100

    Precedente da própria 15ª Câmara (Rel. Vicentini Barroso) em caso idêntico de falso advogado com pagamento de boleto, confirmando improcedência por culpa exclusiva da vítima e de terceiro.

  • TJSP1000066-20.2025.8.26.0411

    Precedente da 15ª Câmara (Rel. Elói Estevão Troly) em golpe do falso advogado com transferência voluntária, confirmando ausência de nexo causal e falha de serviço não constatada.

Contrapontos rebatidos

  • Autor alegou que Facebook deveria ter bloqueado conta do golpista após e-mail de denúncia enviado pelo advogado real; acórdão rebateu que o e-mail era genérico e desprovido de documentação, tornando o bloqueio sumário inviável e potencialmente lesivo a terceiros legítimos.
  • Autor sustentou que PagSeguro não verificou adequadamente documentação do fraudador; acórdão rebateu que o banco recusou abertura de conta por três vezes por ilegibilidade documental, evidenciando cumprimento dos protocolos de segurança e normativas do Banco Central.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autor não demonstrou de forma íntegra e cronológica a dinâmica do evento danoso; transcrição de WhatsApp era fragmentada com mensagens apagadas, impossibilitando análise do contexto fático completo (art. 373, I, CPC).

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autor alegou que outros usuários realizaram denúncias similares, mas não juntou qualquer prova a respeito, ônus que lhe competia nos termos do art. 373, I, CPC.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico

Documentos citados

  • ·transcrição conversa fls.26/28
  • ·print dados conta fls.29/34
  • ·boletim de ocorrência fls.35/36
  • ·e-mail suporte WhatsApp fls.37
  • ·comprovante transferência fls.38/39
  • ·docs KYC PagSeguro fls.269/274
  • ·sentença fls.281/288
  • ·razões recurso fls.292/300
  • ·contrarrazões fls.304/310
  • ·contrarrazões fls.311/329

Capa do processo

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
15ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ACHILE ALESINA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 10.700,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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