Acórdão · TJSP

1000112-66.2024.8.26.0274

Falsa portabilidadeItaúConsignado INSSWhatsAppConsignado indevido
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe falsa portabilidade Banco Inbursa: responsabilidade objetiva consolidada, restituição em dobro e dano moral majorado para R$5k — caso repetitivo favorável ao consumidor com precedente nominal da Turma I Núcleo 4.0.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe da falsa portabilidade: fraudadores, de posse de dados bancários e contratuais da vítima, contataram-na via WhatsApp se passando por prepostos do Banco Inbursa e ofereceram portabilidade de empréstimo consignado do Banco Itaú, resultando em nova dívida sem benefício ao consumidor e inscrição indevida em cadastro de inadimplentes.

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoVitima Idosa
Sinais de alerta
Kyc Deficiente Conta DestinoAntifraude FalhouMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorRejeitada
    Fortuito Interno Portabilidade Fraudulenta

    Tese do banco (contratação regular com biometria) rejeitada pois não comprovou cautelas mínimas de verificação de identidade; fraude demonstrada por prints de WhatsApp e vazamento de dados contratuais.

    Requisitos
    Biometria ValidadaCombo Probatorio CompletoAusencia Prova Tecnica AutorHipossuficiente TecnicaFalha Kyc IntermediarioDados Fornecidos VoluntariamenteAcesso Remoto Anydesk Todesk Hdp
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Contratacao Regular Com Biometria E Assinatura Eletronica

    Banco alegou biometria facial, geolocalização e assinatura eletrônica avançada mas não juntou nenhum documento comprobatório, não se desincumbindo do ônus probatório.

    Requisitos
    Biometria ValidadaLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio Completo
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Inscricao Indevida Cadastro Inadimplentes In Re Ipsa

    Inscrição indevida reconhecida como dano moral in re ipsa com ausência de negativações anteriores, majorado de R$4k para R$5k conforme paradigma da Turma I Núcleo 4.0 (Apel. 1010491-37.2024.8.26.0704).

    Requisitos
    Bo Registrado TempestivoHipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Pedido Generico Sem Prova

    Tese do banco rejeitada pois inscrição indevida configura dano in re ipsa independentemente de prova de sofrimento concreto, conforme STJ REsp 2.087.508/SC.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Recurso Desprovido

    Honorários majorados de 10% para 15% pelo desprovimento do recurso do réu, nos termos do art. 85 CPC.

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva: instituições financeiras respondem por fortuito interno relativo a fraudes de terceiros em operações bancárias, afastando a excludente do art. 14 §3º II CDC.

  • STJ2.087.508/SC

    Precedente decisivo para reconhecimento do dano moral in re ipsa na inscrição indevida em cadastro de inadimplentes, dispensando prova de sofrimento concreto.

  • TJSP1000464-26.2025.8.26.0456

    Caso idêntico envolvendo o mesmo Banco Inbursa com falsa portabilidade, Rel. Des. Thiago de Siqueira, 14ª Câmara, reforçando padrão decisório consolidado contra o banco.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou contrato com biometria facial, geolocalização e assinatura eletrônica avançada, mas o acórdão ressalta que 'o requerido não apresentou um único documento a demonstrar a cautela na celebração do contrato', esvaziando completamente a defesa.
  • Banco alegou redução de taxa de 2,30% para 1,58% como benefício ao autor; acórdão rejeitou pois o autor acabou com nova dívida além da original sem qualquer proveito real.
  • Banco arguiu que o pedido era genérico sem prova de sofrimento; acórdão afastou com base em inscrição indevida como dano in re ipsa, reforçado pela ausência de negativações anteriores do autor.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não se desincumbiu do ônus de provar adoção de cautelas mínimas para validação de identidade do contratante, fato que por si só afastou a alegação de regularidade da contratação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Beneficiário INSS
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·mensagens WhatsApp c/ falsários (fls. 43/60)
  • ·ausência negativações anteriores (fls. 272)
  • ·portabilidade nº 202311071011654
  • ·comprovante preparo (fls. 297/298)
  • ·contrarrazões autor (fls. 302/319)
  • ·certidão sem contrarrazões (fls. 336)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Itápolis · 2ª Vara
Colegiado
Relator / Juiz
LIVIA SANTOS TEIXEIRA DE FREITAS
Competência
Cível
Data de autuação
23 jan 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 11.174,40
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Empréstimo consignado
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. I (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
REGINA APARECIDA CARO GONÇALVES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 11.174,40
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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