Acórdão · TJSP

1048146-75.2025.8.26.0100

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.I DP2Rel. VALÉRIA LONGOBARDI27 jan 2026
Troca de cartão no ATMItaúCartão de créditoPresencialCompra com cartão
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Vítima de troca de cartão obtém R$5.776,75 via seguro 'Cartão Protegido' por interpretação favorável (art.47 CDC + Súmula 479 STJ); dano moral afastado; sucumbência 50/50 — útil para defesa em casos similares.

O que foi julgado

Produto bancário
Cartão de crédito
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
Compra com cartão
Valor fraudado
R$ 5.776,75
Divisão da responsabilidade
Recíproca 50/50
Descrição do golpe

Golpe da troca de cartão: terceiro substituiu o cartão físico da vítima e realizou compras totalizando R$ 5.776,75, com uso da senha pessoal da vítima.

Marcadores do caso
Cartao Fisico EntregueMultiplas Transferencias Escalonadas
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
R$ 5.776,75
Dano moral
R$ 0,00
Afastado Mero Aborrecimento
Custo total estimado
R$ 5.776,75
Fundamento do afastamento do dano moral

inadimplemento_contratual_sem_violacao_personalidade

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Cobertura Securitaria Troca Cartao Interpretacao Favoravel Consumidor

    Apólice previa cobertura para 'Compra com Cartão' sem ressalva expressa para uso de senha; art.47 CDC impôs interpretação favorável ao consumidor, afastando negativa securitária.

    Requisitos
    Bo Registrado TempestivoOperacao AtipicaDispositivo Da Vitima UsadoDados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Inadimplemento Contratual Nao Gera Dano Moral

    Inadimplemento contratual configurou mero dissabor sem violação a direito da personalidade, conforme AgInt no AREsp 2.074.140/MT e doutrina Cavalieri Filho.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • HonorariosNeutroAcolhida
    Redistribuicao Sucumbencia 50 50 Provimento Parcial

    Provimento parcial do recurso gerou sucumbência recíproca com 50% para cada parte e honorários de 12% sobre o valor da causa.

  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Banco

    Banco atuou como estipulante e intermediário direto na contratação do seguro; teoria da aparência e boa-fé objetiva afastaram ilegitimidade passiva.

    Requisitos
    Outro
  • MaterialPró-consumidorRejeitada
    Exclusao Cobertura Uso Senha Pessoal

    Cláusula restritiva interpretada contra o fornecedor (art.47 CDC) pois apólice não trazia ressalva expressa para fraudes com uso de senha no golpe de troca de cartão.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Por Fraude Cartao

    Fraude com cartão e negativa securitária configuram mero inadimplemento contratual sem violação a direito da personalidade, afastando dano moral in re ipsa.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamentou a responsabilidade objetiva da instituição financeira por fortuito interno em fraudes de terceiros, afastando excludente de responsabilidade do banco.

  • Art Cdc47

    Impôs interpretação das cláusulas restritivas de forma mais favorável ao consumidor, derrubando a negativa de cobertura por uso de senha sem ressalva expressa na apólice.

  • STJ2.074.140/MT

    Consolidou o afastamento do dano moral ao qualificar inadimplemento contratual como mero aborrecimento sem violação à personalidade, beneficiando o banco neste ponto.

Contrapontos rebatidos

  • Autor alegou que compras destoaram do perfil sem medidas preventivas do banco; acórdão acolheu a tese via cobertura contratual e responsabilidade objetiva, não por falha operacional autônoma.
  • Banco sustentou exclusão de cobertura por uso de senha pessoal; acórdão rebateu com ausência de ressalva expressa na apólice e aplicação do art.47 CDC.
  • Banco arguiu ilegitimidade passiva por a apólice ser da Itaú Seguros S.A.; acórdão rejeitou pois banco comercializou o seguro como estipulante e contestou em nome conjunto.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não produziu prova de inexistência de defeito na prestação dos serviços (art.14 §3º II CDC), ônus que lhe competia e cujo descumprimento reforçou a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·certificado do seguro Cartão Protegido
  • ·comprovantes das transações R$5.776,75
  • ·boletim de ocorrência registrado pelo autor
  • ·contrarrazões fls. 284/312
  • ·preparo regular fl. 315

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Central Cível · 23ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
MARCOS DUQUE GADELHO JUNIOR
Competência
Cível
Data de autuação
10 abr 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 10.776,75
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Responsabilidade do Fornecedor
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. I (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
VALÉRIA LONGOBARDI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 10.776,75
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Cartão de Crédito
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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