Acórdão · TJSP

1043976-60.2025.8.26.0100

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.II DP2Rel. JOÃO BATTAUS NETO10 mar 2026
Boleto fraudulentoInterBoletoEmailBoleto pago
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Inter condenado a restituir R$20.350,77 por boleto falso enviado por e-mail com dados sigilosos (contrato, endereço, parcela) de custódia exclusiva; fortuito interno reconhecido; tese de malware rejeitada por ausência de prova técnica.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Boleto
Canal da fraude
Email
Instrumento de perda
Boleto pago
Valor fraudado
R$ 20.350,77
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe do boleto falso: consumidor recebeu via e-mail institucional do banco boleto fraudulento contendo dados sigilosos de custódia exclusiva da instituição (número do contrato, valor da parcela, endereço completo), referente a financiamento imobiliário, e efetuou pagamento de boa-fé no valor de R$ 20.350,77.

Marcadores do caso
Pix Unico Alto ValorValor Alto Atipico
Sinais de alerta
Antifraude FalhouKyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
R$ 20.350,77
Dano moral
Nao Pedido
Custo total estimado
R$ 20.350,77

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Vazamento Dados Sigilosos Base Cadastral Banco

    Dados sigilosos de custódia exclusiva do banco constavam no boleto fraudulento, configurando falha na segurança da base cadastral e fortuito interno; responsabilidade objetiva aplicada pelo art. 14 CDC e Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorHipossuficiente TecnicaOperacao AtipicaAlerta Antifraude Nao Disparado
  • MaterialPró-consumidorAcolhida
    Impossibilidade Transferencia Risco Atividade Economica Ao Consumidor

    Boa-fé do consumidor reconhecida; banco não pode transferir ao consumidor vulnerável o risco inerente à atividade econômica; ausência de culpa exclusiva da vítima confirmada.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaDados Fornecidos Voluntariamente
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Art85 Par11 Cpc

    Recurso desprovido integralmente; honorários majorados de 10% para 15% do valor atualizado da causa nos termos do art. 85, §11 do CPC.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Malware Equipamento Autor Alterou Linha Digitavel

    Tese especulativa sem prova pericial ou técnica; banco não demonstrou existência de malware no equipamento do autor nem como o programa teria adulterado e-mail institucional já enviado.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorPericia Tecnica Juntada
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Nao Verificou Beneficiario

    Boa-fé do consumidor reconhecida; boleto com logotipo do banco, número do contrato e dados completos era apto a induzir em erro o homem médio; ausência de culpa exclusiva da vítima.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente Tecnica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Determinou responsabilidade objetiva da instituição financeira por fraude de terceiro, afastando fortuito externo como excludente de responsabilidade no contexto de vazamento de dados sigilosos.

  • Art Cdc14

    Fundamentou a responsabilidade objetiva do fornecedor por defeito na prestação de serviços de segurança de dados, sendo o serviço defeituoso por não fornecer a segurança esperada pelo consumidor.

  • TJSP1007846-72.2020.8.26.0609

    Precedente análogo de golpe do boleto com dados sigilosos do banco credor; Rel. Fábio Podestá, 21ª Câmara de Direito Privado; consolidou a tese de fortuito interno e responsabilidade objetiva no TJSP.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou malware ou redirecionador no equipamento do autor, mas não produziu qualquer prova técnica pericial; acórdão classificou a tese como meramente especulativa e desprovida de lastro probatório.
  • Banco alegou culpa exclusiva do consumidor por não verificar divergência do beneficiário (Santander vs Inter), mas acórdão reconheceu que boleto com logotipo, número de contrato e endereço completo era incapaz de ser identificado como fraudulento pelo homem médio.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não produziu prova pericial técnica para demonstrar existência de malware no equipamento do autor, ônus que lhe competia para sustentar a tese de fortuito externo; lacuna probatória determinou rejeição da excludente.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Outro
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·boleto fraudulento fls. 21
  • ·sentença de fls. 253/256
  • ·contrarrazões fls. 289/294
  • ·data do prejuízo (fl. 22)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Central Cível · 23ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
MARCOS DUQUE GADELHO JUNIOR
Competência
Cível
Data de autuação
3 abr 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 21.119,04
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. II (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
JOÃO BATTAUS NETO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 21.119,04
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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