Acórdão · TJSP

1041416-80.2022.8.26.0576

ApelaçãO CíVel20ª CDPrivRel. REBELLO PINHO9 mar 2026
Consignado não contratadoConsignado INSSPresencialConsignado indevido
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Votorantim condenado por consignado INSS não contratado: sem perícia grafotécnica após impugnação de assinatura, responsabilidade objetiva mantida; reforma apenas em juros (Selic - REsp 1.795.982/SP); dano moral R$5k mantido.

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Empréstimo consignado contratado por fraudador em nome da autora aposentada/beneficiária do INSS, sem sua autorização, com descontos indevidos no benefício previdenciário. O banco não comprovou a regularidade da contratação nem realizou perícia grafotécnica para comprovar a autenticidade da assinatura.

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoContratacao Presencial
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoKyc Deficiente Conta DestinoAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Consignado Sem Prova Contratacao Banco Reu

    Banco não produziu perícia grafotécnica após impugnação da assinatura, não comprovando contratação hígida; ônus probatório era seu pelo Tema 1061 STJ.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio CompletoLog Auditoria DisponivelHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Desconto Indevido Beneficio Previdenciario Dano Moral

    Descontos indevidos em verba alimentar configuraram dano moral in re ipsa; demora no ajuizamento não afasta o dano reconhecido pela natureza da verba.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • Juros CorrecaoPró-bancoAcolhida
    Taxa Selic Resp 1795982 SP

    Reforma parcial em favor do banco: Taxa Selic unificada adotada conforme REsp 1.795.982/SP (Corte Especial STJ), com observância da LF 14.905/2024.

  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Prescricao Quinquenal Banco

    Último desconto em 07.08.2017 e ação ajuizada em 02.08.2022: prazo quinquenal do art. 27 CDC não se consumou; STJ fixa termo inicial no último desconto.

    Requisitos
    Bo Tardio Ou Ausente
  • CompensacaoPró-bancoRejeitada
    Compensacao Valores Banco

    Banco não demonstrou que conta creditada pertencia à autora; sem prova de que ela percebeu o numerário, compensação foi descartada.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorFalha Kyc Intermediario
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Demora Ajuizamento Afasta Dano Moral

    Demora de 11 anos entre primeiros descontos e ajuizamento não afasta dano moral; natureza alimentar da verba e insistência na cobrança sustentam o dano independentemente do tempo.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • STJ1846649/MA

    Tema 1061 STJ: impugnada a assinatura pelo consumidor, ônus de provar autenticidade é do banco; banco não produziu perícia, resultando no reconhecimento da inexigibilidade do débito.

  • Sumula Stj479

    Responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fraudes de terceiros com documentos falsos; afastou todas as excludentes alegadas pelo banco.

  • STJ1.795.982/SP

    Adoção da Taxa Selic como índice unificado de juros moratórios e correção monetária; única reforma em favor do banco, modificando o critério de atualização da sentença.

Contrapontos rebatidos

  • Autora pediu majoração do dano moral de R$5.000; acórdão manteve o valor por equivaler a ~3,2 salários mínimos na data da sentença, atendendo critérios de razoabilidade e proporcionalidade.
  • Banco juntou Cédula de Crédito Bancário com assinatura; autora impugnou na réplica; banco não requereu perícia grafotécnica no momento oportuno, operando preclusão e confirmando a tese da autora.
  • Banco pleiteou compensação entre valores a restituir e montante creditado; rejeitado porque não foi demonstrado que a conta de crédito pertencia à autora.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não requereu perícia grafotécnica no momento oportuno após impugnação da assinatura pela autora, operando preclusão e consolidando inexigibilidade do débito.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não demonstrou que a conta creditada quando da contratação pertencia à autora, impedindo compensação dos valores a restituir.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·Cédula de Crédito Bancário fls. 62/66
  • ·documento pessoal da autora fls. 67
  • ·extratos de descontos fls. 30 e 62/63

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de São José do Rio Preto · 8ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Túlio Marcos Faustino Dias Brandão
Competência
Cível
Data de autuação
2 ago 2022
Última movimentação
Valor da causa
R$ 10.569,65
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Defeito, nulidade ou anulação
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
20ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
REBELLO PINHO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 10.569,65
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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