Acórdão · TJSP

1024970-91.2024.8.26.0071

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.IV DP2Rel. LÉA DUARTE9 fev 2026
Falsas vendas (marketplace)BradescoApp digitalDigital (não especificado)PIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP reforma improcedência e condena Bradesco e Neon solidariamente por falha no PIX MED e abertura irregular de conta do fraudador, com restituição em dobro (R$1.400) + R$5k moral — caso padrão de fortuito interno sem voto vencido.

O que foi julgado

Produto bancário
App digital
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 700,00
Divisão da responsabilidade
Solidária entre réus
Descrição do golpe

Consumidores foram ludibriados por fraudadores para celebração de negócio no valor de R$700,00 visando à prestação de curso para transporte de cargas perigosas; após a transferência via PIX, constataram o golpe e tentaram cancelar/estornar os valores junto aos bancos

Marcadores do caso
Pix Unico Alto ValorContratacao Digital
Sinais de alerta
Kyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 1.400,00
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 6.400,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Falha Pix Med E Abertura Irregular Conta Fraudador

    Neon não comprovou acionamento do PIX MED e Bradesco não comprovou cautelas na abertura de conta do fraudador conforme Resolução BCB 4.753/2019, configurando fortuito interno para ambas as IFs.

    Requisitos
    Log Auditoria DisponivelAlerta Antifraude Nao DisparadoFalha Kyc IntermediarioEstorno Solicitado TempestivoAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio Completo
  • Repeticao DobroPró-consumidorAcolhida
    Repeticao Dobro Art42 Cdc Boa Fe Objetiva

    Falha das IFs consubstancia conduta contrária à boa-fé objetiva, tornando cabível a restituição em dobro independentemente de má-fé, nos termos do art. 42 parágrafo único CDC e EREsp 1.413.542/RS.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOutro
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Presumido Falha Servico Bancario

    Dano moral in re ipsa reconhecido pela angústia e perda de tempo útil ao percorrer jornada extrajudicial e judicial para reaver valores, fixado em R$5.000,00.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaEstorno Solicitado Tempestivo
  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Neon

    Rejeitada pois Neon é responsável pela segurança das operações realizadas em seus serviços, sendo parte legítima passiva nos termos do art. 14 do CDC.

    Requisitos
    Outro
  • ProcessualPró-bancoRejeitada
    Ofensa Principio Dialeticidade Apelacao

    Rejeitada porque a apelação, mesmo sem impugnar cada fundamento da sentença, foi suficiente para devolver a matéria ao Tribunal para análise.

    Requisitos
    Outro
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Improcedencia Por Culpa Exclusiva Consumidor

    Rejeitada porque a responsabilidade objetiva das IFs não foi afastada — culpa exclusiva do consumidor não foi comprovada e a discussão envolve dever legal de segurança das IFs, não apenas conduta do autor.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteNexo Causal Externo ProvadoAusencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva das IFs por fraudes bancárias, afastando a alegação de fortuito externo e culpa exclusiva do consumidor.

  • Art Cdc42_paragrafo_unico

    Base legal da restituição em dobro, aplicada independentemente de má-fé das IFs, elevando a condenação material de R$700 para R$1.400.

  • Earesp1.413.542/RS

    Precedente vinculante da Corte Especial do STJ que consolidou o cabimento da repetição do indébito em dobro quando a conduta da IF contraria a boa-fé objetiva, movendo a decisão sobre o dobro.

Contrapontos rebatidos

  • Autores alegaram inércia de ambos os bancos; o acórdão reconheceu que somente o Bradesco comprovou o acionamento do PIX MED (fls. 330), sendo a falha material imputada primariamente ao Neon quanto a esse ponto.
  • Bradesco tentou se eximir alegando ausência de nexo causal, mas o acórdão reconheceu que não apresentou provas de verificação de identidade do fraudador na abertura da conta, configurando fortuito interno e responsabilidade solidária.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco Neon não apresentou prova do acionamento do PIX MED após comunicação da fraude, ônus que lhe competia nos termos do art. 373 II CPC, resultando em sua condenação solidária.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Bradesco não demonstrou ter exigido documentos do fraudador na abertura de conta conforme Resolução BCB 4.753/2019, presumindo-se ausência de cautela e configurando falha de segurança.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Outro
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·fls. 330 — prova do PIX MED pelo Bradesco
  • ·fls. 324 — transação alheia ao processo
  • ·inicial com narração do golpe do curso
  • ·sentença de improcedência fls. 337/343
  • ·apelação fls. 347/367

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Bauru · 5ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Competência
Cível
Data de autuação
25 set 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 10.700,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Perdas e Danos
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. IV (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
LÉA DUARTE
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 10.700,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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