Acórdão · TJSP

1024438-22.2023.8.26.0114

ApelaçãO CíVel21ª CDPrivRel. PAULO ALCIDES27 jan 2026
Falsa portabilidadePanConsignado INSSLigaçãoBoleto pago
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco PAN condenado por fraude de portabilidade consignada INSS via correspondente bancário (Reallis/PG Consultoria): fortuito interno, nulidade contratual, devolução parcelas + dano moral R$10k — Rel. Paulo Alcides, 21ª Câmara TJSP.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
Boleto pago
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe da portabilidade de empréstimo: correspondente bancário do Banco PAN contatou a vítima oferecendo portabilidade de empréstimos consignados com redução de parcelas e troco, mas não realizou a portabilidade e desviou a maior parte do crédito liberado.

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssPre Emprestimo Antes TransferenciaRecurso Financeiro Alimentar Comprometido
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteKyc Deficiente Conta Destino

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 10.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 10.000,00

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Objetiva Correspondente Bancario Portabilidade Fraudulenta

    Fraude do correspondente bancário Reallis configurou fortuito interno; banco não tomou cautelas mínimas ao formalizar contrato via preposto fraudulento, gerando responsabilidade objetiva pela Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo ProvadoFalha Kyc IntermediarioPre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoHipossuficiente TecnicaDados Fornecidos Voluntariamente
  • MaterialPró-consumidorParcial
    Nulidade Contrato Devolucao Parcelas Compensacao Remanescente

    Contrato declarado nulo por vício de consentimento; banco deve devolver todas as parcelas com correção desde cada desconto, admitida compensação com R$1.250 remanescente mantido pela autora — parcial pois compensação reduz o montante.

    Requisitos
    Pre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoDados Fornecidos VoluntariamenteOutro
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral In Re Ipsa Fraude Correspondente Bancario

    Dano moral in re ipsa reconhecido: fraude por correspondente bancário extrapolou mero aborrecimento; R$10.000 mantidos como razoável, com juros desde evento danoso (Súmula 54 STJ).

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Terceiro Correspondente Bancario

    Excludente rejeitada: ato do correspondente bancário é fortuito interno, inserido nos riscos da atividade bancária; banco não pode se eximir pela própria escolha de preposto fraudulento.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Invalidade Devolucao Valores Pagos Contrato Valido

    Argumento rejeitado pois o contrato foi declarado nulo por vício de consentimento; fraude incontroversa afasta validade da contratação.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Inexistencia Abalo Moral Ou Reducao Valor

    Dano moral in re ipsa reconhecido e R$10.000 mantidos; pedido de juros a partir do arbitramento rejeitado — Súmula 54 STJ impõe fluência desde o evento danoso.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central que impôs responsabilidade objetiva do banco pelos atos de seu correspondente bancário, afastando a excludente de culpa de terceiro.

  • Art Cdc14

    Base normativa da responsabilidade objetiva do fornecedor por defeitos na prestação de serviços, com inversão do ônus da prova em favor do consumidor.

  • STJ1.199.782-PR

    Precedente repetitivo do STJ que uniformizou a responsabilidade objetiva de bancos por fraudes de terceiros como fortuito interno, ancorando o dever de indenizar.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que a autora transferiu voluntariamente os valores; acórdão rebateu afirmando que a fraude teve origem na atuação do próprio correspondente bancário do réu (Reallis), configurando vício de consentimento e excluindo culpa da vítima.
  • Banco sustentou ter sido igualmente vítima da fraude; acórdão afastou a tese qualificando o ato do correspondente como fortuito interno (risco inerente à atividade), aplicando a Súmula 479 STJ.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco não demonstrou ter adotado medidas de cautela ao formalizar o contrato via correspondente bancário fraudulento, o que pesou decisivamente na imputação de responsabilidade objetiva.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Beneficiário INSS
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·mensagens WhatsApp fls. 44/47
  • ·informativo INSS fls. 37
  • ·crédito R$6.620,55 fls. 85
  • ·boleto R$5.370,55 fls. 62/64/67
  • ·extrato fls. 85/87
  • ·contrato PG Consultoria fls. 80/84

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Campinas · 10ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
FERNANDA SILVA GONCALVES
Competência
Cível
Data de autuação
2 jun 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 22.392,78
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Perdas e Danos
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
21ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
PAULO ALCIDES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 22.392,78
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

Inteiro teor

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