Acórdão · TJSP

1023845-11.2024.8.26.0032

ApelaçãO CíVel12ª CDPrivRel. ALEXANDRE DAVID MALFATTI8 abr 2026
Consignado não contratadoConsignado INSSDigital (não especificado)Consignado indevido
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP reforma improcedência e condena Banco Safra por consignado INSS fraudado via correspondente bancário: selfie inválida, trilha de auditoria incompleta — restituição dobrada + danos morais R$10k (Súmula 479 STJ, Rel. Malfatti, 12ª Câmara).

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
R$ 1.195,80
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Empréstimo consignado contratado fraudulentamente por correspondente bancário sem autorização da consumidora, com uso indevido de dados e imagem (selfie) da vítima para simular biometria facial válida, gerando descontos indevidos no benefício previdenciário

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssContratacao DigitalRecurso Financeiro Alimentar Comprometido
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoKyc Deficiente Conta DestinoAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 10.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 10.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Emprestimo Consignado Nao Contratado Sumula479

    Banco não comprovou validade da contratação: selfie sem contexto de manifestação válida de vontade, trilha de auditoria incompleta (sem IMEI/MAC/IP) e datas divergentes nos hashes — fraude pelo correspondente bancário configurada, Súmula 479 STJ aplicada.

    Requisitos
    Biometria AusenteLog Auditoria DisponivelAusencia Prova Tecnica AutorHipossuficiente TecnicaFalha Kyc IntermediarioCombo Probatorio Completo
  • Repeticao DobroPró-consumidorAcolhida
    Repeticao Dobro Ma Fe Pos Modulacao Stj Tema929

    Descontos pós-30/03/2021 e banco insistiu na regularidade da contratação fraudulenta, demonstrando conduta contrária à boa-fé objetiva — repetição em dobro reconhecida com base no Tema 929 STJ.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoOperacao Atipica
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Desconto Indevido Beneficio Previdenciario

    Descontos indevidos comprometeram verba alimentar (benefício previdenciário), ultrapassando mero aborrecimento — dano moral in re ipsa fixado em R$10.000,00 conforme parâmetros da 12ª Câmara.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • ProcessualPró-bancoRejeitada
    Cerceamento Defesa Nulidade Sentenca

    Prova documental foi suficiente para julgamento antecipado (art. 355 CPC); juiz é destinatário das provas e pode dispensar pericial desnecessária — cerceamento de defesa afastado.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Regularidade Contratacao Biometria Facial

    Selfie sem validade (fora de contexto de manifestação volitiva), trilha incompleta sem dados do dispositivo (IMEI/MAC/IP) e datas divergentes nos hashes — biometria facial insuficiente para comprovar regularidade da contratação.

    Requisitos
    Biometria ValidadaLog Auditoria DisponivelSenha Validada BancoDispositivo Reconhecido

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento principal da responsabilidade objetiva do banco pelo fortuito interno — fraude do correspondente bancário — determinando a nulidade do contrato e a condenação em restituição e danos morais.

  • Earesp600663/RS

    Fixou o Tema 929 STJ permitindo repetição em dobro por conduta contrária à boa-fé objetiva pós-modulação (30/03/2021), base da condenação à restituição dobrada dos descontos.

  • Art Cdc14

    Qualificou a falha da segurança da contratação digital via correspondente bancário como fato do serviço, sustentando a responsabilidade objetiva do banco independentemente de culpa.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que a transferência de R$1.160,02 para conta da própria autora (BB Ag. 16760) confirmaria a regularidade; acórdão rebateu que a mera transferência não traduz regularidade da contratação, pois o correspondente fraudador pode ter direcionado o valor à conta da vítima para dar aparência de legitimidade.
  • Banco invocou comportamento contraditório da autora (não devolução do valor recebido) como aceitação tácita; acórdão refutou afirmando que a fraude do correspondente bancário afasta qualquer leitura de anuência, e o banco não esclareceu a origem indevida da utilização da imagem.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Banco não se desincumbiu do ônus de provar a autenticidade da assinatura digital (Tema 1061 STJ / art. 373 II CPC): trilha incompleta sem IMEI/MAC/IP e datas divergentes nos hashes — ônus não cumprido, decisivo para o reconhecimento da fraude.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·foto selfie autora fl. 67
  • ·trilha de auditoria fl. 99
  • ·CCB fls. 89/93
  • ·Dossiê de Contratação fls. 89/106
  • ·Protocolo de Assinatura fl. 99
  • ·TED R$1.160,02 fls. 64/80
  • ·geolocalização fl. 69 e 99
  • ·hashes documentos fl. 99

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Buritama · 1ª Vara
Colegiado
Relator / Juiz
HENRIQUE GERALDO CAMPOS JUNIOR
Competência
Cível
Data de autuação
27 fev 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 20.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Práticas Abusivas
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
12ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ALEXANDRE DAVID MALFATTI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 20.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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