Acórdão · TJSP

1023696-68.2025.8.26.0100

ApelaçãO CíVel16ª CDPrivRel. COUTINHO DE ARRUDA25 mar 2026
Falso investimentoApp digitalDigital (não especificado)PIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

LocalPay condenada por golpe de falso investimento (ZENSTOX): responsabilidade objetiva Súmula 479 STJ como intermediadora de pagamentos; restituição simples R$899 + dano moral R$5.000 — útil para replicar defesa em casos análogos.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
App digital
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 3.217,27
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe do investimento: vítima foi induzida por falsa corretora internacional (ZENSTOX) a realizar transferências via PIX e TED para suposto investimento, sendo intermediada pela ré (Pay Retailers/LocalPay), com os estelionatários cessando contato após receber os valores.

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasValor Alto Atipico
Sinais de alerta
Kyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 899,00
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.899,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Objetiva Intermediadora Pagamento Golpe Investimento

    Acórdão reconheceu que LocalPay intermediou R$899 do fluxo fraudulento e falhou no monitoramento, atraindo responsabilidade objetiva pela Súmula 479 STJ como integrante da cadeia de fornecimento.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaAnalise Valor AtipicoMonitoramento Ativo Reconhecido
  • MaterialPró-bancoAcolhida
    Restituicao Simples Ausencia Ma Fe

    Ausência de prova de má-fé da ré determinou restituição simples (sem dobro), aplicando-se analogicamente Súmula 159 STF e art. 940 CC.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Falha SegurançA Golpe Investimento

    Dano moral in re ipsa configurado pela falha de segurança no monitoramento que permitiu uso de contas fraudulentas, privando a autora de recursos financeiros além do mero dissabor.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoOperacao Atipica
  • IntegralPró-consumidorRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Aceitacao Termos Zenstox

    Tese de culpa exclusiva da vítima rejeitada porque a responsabilidade objetiva do CDC afasta a excludente quando há fortuito interno e falha do fornecedor no monitoramento.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAto Terceiro Identificado
  • IntegralPró-consumidorRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Intermediadora Pagamentos

    Ilegitimidade passiva rejeitada pois a condição de intermediadora de pagamentos integra a cadeia de fornecimento, gerando responsabilidade solidária objetiva pela Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Falha Kyc Intermediario
  • Repeticao DobroPró-bancoRejeitada
    Repeticao Dobro Indebito 1798

    Repetição em dobro rejeitada pela ausência de demonstração de má-fé da ré, determinando-se apenas a restituição simples do valor intermediado.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva da intermediadora de pagamentos pelo fortuito interno, afastando as excludentes de culpa exclusiva da vítima e ato de terceiro.

  • Art Cdc14_caput

    Base normativa da responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços, aplicada para condenar a LocalPay independentemente de culpa subjetiva.

  • Art Cc940

    Limitou a condenação à restituição simples (sem dobro) por ausência de má-fé da ré, favorecendo parcialmente a instituição financeira.

Contrapontos rebatidos

  • Autora alegou negligência na abertura de conta fraudulenta que viabilizou o golpe; acórdão reconheceu a falha mas limitou a responsabilidade ao valor efetivamente intermediado pela ré (R$899), excluindo os demais R$2.318,27 transferidos via outros canais.
  • Autora pediu repetição em dobro (R$1.798); ré beneficiou-se da ausência de prova de má-fé, resultando em restituição simples de R$899 com base na Súmula 159 STF e art. 940 CC.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Autora não demonstrou má-fé da ré, o que impedia a aplicação da repetição em dobro; ônus não cumprido beneficiou a instituição, reduzindo a condenação material à restituição simples.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·petição inicial com relato do golpe
  • ·contestação da Pay Retailers
  • ·4 transferências PIX e TED R$3.217,27

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Central Cível · 16ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Felipe Poyares Miranda
Competência
Cível
Data de autuação
24 fev 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 16.798,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
16ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
COUTINHO DE ARRUDA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 16.798,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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