Acórdão · TJSP

1023438-81.2023.8.26.0309

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.VI DP2Rel. LUIZ ARCURI12 fev 2026
Engenharia social (genérica)PagSeguroConta corrente PFWhatsAppPIX
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe falso parente WhatsApp/PIX: PagSeguro responde por falha KYC (Súm.479), mas culpa concorrente 50/50 (art.945 CC) reduz material a R$441; moral mantido R$2.000 — resultado parcialmente favorável ao banco.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 882,00
Divisão da responsabilidade
Concorrente 50/50
Descrição do golpe

Golpe do falso parente: fraudador entrou em contato via WhatsApp se passando por filha da vítima e solicitou transferência via Pix para pagamento de compra, levando a autora a transferir R$ 882,00 para conta fraudulenta aberta em nome de terceiro sem seu conhecimento.

Marcadores do caso
Pix Unico Alto ValorRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoContratacao Digital
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoKyc Deficiente Conta DestinoAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 441,00
Dano moral
R$ 2.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 2.441,00

Teses

  • ★ principalMaterialParcialAcolhida
    Culpa Concorrente Golpe Falso Parente Whatsapp

    Autora efetuou as transferências por ato próprio induzida por engenharia social, configurando culpa concorrente que reduziu dano material a 50% (R$441) conforme art.945 CC.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente TecnicaBo Registrado TempestivoOperacao Atipica
  • IntegralPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Abertura Conta Fraudulenta Pagseguro

    Sentença no proc. 1008921-54.2024.8.26.0562 declarou nulidade da conta fraudulenta, comprovando falha de segurança da PagSeguro e configurando fortuito interno (Súm.479 STJ).

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioAto Terceiro IdentificadoAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio Completo
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Equidade Art85 Par8 Cpc

    Valor irrisório da condenação justificou majoração equitativa para R$1.500 (art.85 §8º CPC), sendo tabela OAB/SP mero parâmetro não vinculante conforme STJ AgInt REsp 2.194.144/SP.

    Requisitos
    Outro
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Instituicao Pagamento

    Discussão sobre falha na prestação de serviço é questão de mérito, não de legitimidade; PagSeguro mantida no polo passivo.

    Requisitos
    Falha Kyc Intermediario
  • ProcessualPró-bancoRejeitada
    Cerceamento Defesa Nulidade Sentenca

    Prova documental já produzida (especialmente autos 1008921) suficiente ao julgamento; dilação probatória desnecessária.

    Requisitos
    Log Auditoria Disponivel
  • MaterialPró-consumidorRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Fortuito Externo

    Fortuito interno configurado pela falha de KYC da PagSeguro afasta tese de culpa exclusiva da vítima ou fortuito externo (Súm.479 STJ).

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioDados Fornecidos Voluntariamente
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Responsabilidade Integral Sem Culpa Concorrente

    Autora realizou transferências por ato próprio após engenharia social, configurando culpa concorrente que afasta ressarcimento integral pleiteado.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteOperacao Atipica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para responsabilidade objetiva da PagSeguro pelo fortuito interno na abertura de conta fraudulenta, afastando tese de culpa exclusiva da vítima ou fortuito externo.

  • Art Cc945

    Base legal para repartição do prejuízo material em 50/50, reduzindo condenação de R$882 para R$441 diante da culpa concorrente da autora que efetuou as transferências por ato próprio.

  • TJSP1008921-54.2024.8.26.0562

    Sentença que declarou nulidade do contrato de abertura da conta digital fraudulenta foi prova decisiva para configurar falha de segurança da PagSeguro e afastar responsabilidade do corréu Michel.

Contrapontos rebatidos

  • A autora admitiu ter efetuado as transferências pessoalmente; o acórdão reconheceu que o ato próprio da consumidora contribuiu decisivamente para o dano, configurando culpa concorrente 50/50 e afastando a tese de ressarcimento integral.
  • Sentença no proc.1008921 declarou nulidade da abertura da conta em nome de Michel, demonstrando que ele também foi vítima de fraude, afastando nexo causal e responsabilidade solidária.
  • O acórdão rejeitou a ilegitimidade passiva da PagSeguro porque a discussão sobre falha no KYC é matéria de mérito que justifica a permanência da ré no polo passivo.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    PagSeguro não comprovou adoção de cautelas adequadas na abertura da conta digital, ônus seu que, não cumprido, confirmou a falha no KYC e responsabilidade objetiva.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·sentença nulidade contrato conta digital
  • ·Boletim de Ocorrência fl.28
  • ·mensagens WhatsApp fls.25/27
  • ·sentença fls.420/425
  • ·embargos declaração fls.436/437

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Jundiaí · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
ALINE CARDOSO BECKER GRÄBNER
Competência
Cível
Data de autuação
3 out 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 5.882,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bloqueio / Desbloqueio de Valores
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. VI (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
LUIZ ARCURI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 5.882,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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