Acórdão · TJSP

1023426-02.2025.8.26.0114

ApelaçãO CíVel14ª CDPrivRel. THIAGO DE SIQUEIRA25 fev 2026
Falsa central de atendimentoBradescoConta corrente PJLigaçãoPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Condomínio PJ vítima de falsa central Bradesco; TJSP mantém condenação de R$62.542,33 com base em Súmula 479 STJ e art.927 CC, rejeitando culpa exclusiva/concorrente por falha probatória do banco.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PJ
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 62.542,33
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Funcionária do condomínio recebeu ligação de suposta atendente do banco (falsa central de atendimento) após queda de chamada, foi instruída a realizar operações PIX, resultando em transferência fraudulenta de R$ 62.542,33

Marcadores do caso
Vitima Pj MicroPix Unico Alto ValorDispositivo Da Vitima Usado
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
R$ 62.542,33
Dano moral
Nao Pedido
Custo total estimado
R$ 62.542,33

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Falha Sistema Seguranca Banco Fraude Terceiro Pix

    Banco não produziu prova de inexistência de falha no sistema; acórdão reconhece violação do sistema de segurança como fortuito interno, impondo responsabilidade objetiva integral.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaDados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio CompletoLog Auditoria Disponivel
  • MaterialPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Objetiva Pj Cdc Art14

    Mesmo sem CDC aplicável diretamente a PJ, art.927 §único CC impõe responsabilidade objetiva pela teoria do risco, fundamento alternativo acolhido pelo acórdão.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaAusencia Prova Tecnica Autor
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Recursais Art85 Par11

    Honorários majorados de 10% para 15% sobre condenação atualizada pelo trabalho adicional nas contrarrazões, nos termos do art.85 §11 CPC.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Forneceu Token Senha

    Banco alegou fornecimento de senha e token pelos funcionários do condomínio, mas acórdão entendeu que vítima não forneceu senha pessoal e que validação de credenciais não elide a falha sistêmica.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteToken Digital ConfirmadoSenha Validada Banco
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Terceiro Sem Nexo Com Banco

    Fraude por terceiro enquadrada como fortuito interno do risco do empreendimento bancário; nexo com atividade do banco reconhecido pela Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Concorrente Autora Seguiu Instrucoes Fraudadores

    Culpa concorrente não afasta responsabilidade objetiva do banco; acórdão afirma que mesmo havendo imprudência da vítima, prevalece a responsabilidade do banco nos termos do art.14 CDC e Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteOperacao Atipica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Consagrou responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fraudes de terceiros como fortuito interno, fundamento central para rejeitar as teses de culpa exclusiva e fortuito externo do banco.

  • STJ1199782/PR

    Representativo de controvérsia que fixou a tese de responsabilidade objetiva bancária por fraudes de terceiros como risco do empreendimento, citado expressamente para dar base sistêmica à condenação.

  • Art Cc927

    Teoria do risco aplicada como fundamento alternativo ao CDC para garantir responsabilidade objetiva mesmo em relação à PJ, afastando argumento de inaplicabilidade do CDC ao condomínio.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que monitoramento de perfil de consumo é discricionário; acórdão rejeitou ao reconhecer que fraude atingiu múltiplos condomínios, evidenciando falha sistêmica independente de monitoramento individual.
  • Banco argumentou que operações com senha e iToken validados demonstram ausência de falha; acórdão refutou afirmando que validação de credenciais não basta para afastar responsabilidade objetiva quando há indícios de violação do sistema.
  • Banco alegou que dados pessoais podem ser obtidos por fontes externas; acórdão destacou que fraude atingiu outros condomínios clientes do banco, indicando falha no sistema de proteção e não apenas exposição externa de dados.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não apresentou nem produziu prova de inexistência de defeito na prestação dos serviços ou de que as operações impugnadas não decorreram de fraude, ônus que lhe cabia por força da responsabilidade objetiva.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
PJ micro/pequena
Vulnerabilidade
Pessoa jurídica
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·contestação do Banco Bradesco
  • ·réplica do autor
  • ·sentença fls. 212/215
  • ·contrarrazões fls. 243/251
  • ·apelação fls. 219/236

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Campinas · 10ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
FERNANDA SILVA GONCALVES
Competência
Cível
Data de autuação
28 mai 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 62.542,33
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
14ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
THIAGO DE SIQUEIRA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 62.542,33
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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