Acórdão · TJSP

1020615-64.2024.8.26.0224

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.IV DP2Rel. ROSANA SANTISO26 jan 2026
Falsa central de atendimentoApp digitalWhatsAppTransferência interna
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP mantém condenação de R$28.180,53 contra Cora por golpe de falsa central com evidência de vazamento de dados internos; fortuito interno afasta excludentes do art.14 §3º CDC.

O que foi julgado

Produto bancário
App digital
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Transferência interna
Valor fraudado
R$ 28.180,53
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe da falsa central de atendimento: sócia da empresa transferiu R$5.000 via WhatsApp a pedido de golpista que se passou por familiar; ao contestar a fraude junto à instituição de pagamento, recebeu contato de estelionatário que se passando por funcionário da ré e usando dados internos do atendimento convenceu-a a realizar nova transferência de R$28.180,53.

Marcadores do caso
Vitima Pj MicroMultiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoOutro Marcador
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteKyc Deficiente Conta DestinoOutro Red Flag

Resultado

Dano material
R$ 28.180,53
Dano moral
Nao Pedido
Custo total estimado
R$ 28.180,53

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Falsa Central Vazamento Dados Bancarios

    Estelionatário detinha dados internos do atendimento, configurando vazamento de dados e fortuito interno; uso de senha pessoal insuficiente para excluir responsabilidade objetiva.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaEstorno Solicitado TempestivoBo Registrado TempestivoDados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica Autor
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Legitimidade Passiva Instituicao Pagamento

    Teoria da asserção: basta imputação de falha na prestação de serviços de conta de pagamento digital para fixar legitimidade passiva da Cora.

    Requisitos
    Outro
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Art85 Par11 Cpc

    Desprovimento do recurso enseja majoração de 10% para 15% sobre o valor da condenação nos termos do art.85 §11 CPC.

    Requisitos
    Outro
  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Nulidade Sentenca Falta Fundamentacao

    Sentença continha fundamentação adequada; julgador não obrigado a rebater todos os argumentos conforme REsp 1.719.219/MG.

    Requisitos
    Outro
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Golpe Conhecimento Geral

    Mera utilização de senha pessoal insuficiente para excluir responsabilidade; fortuito interno configurado por vazamento de dados bancários internos.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Inaplicabilidade Cdc Relacao Empresarial

    Teoria finalista mitigada reconhece vulnerabilidade técnica, econômica e informacional da PJ autora, configurando relação de consumo.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva da instituição de pagamento por fortuito interno relativo a fraudes de terceiros, afastando excludentes do art.14 §3º CDC.

  • STJ2.222.059/SP

    STJ reafirmou Súmula 479 para instituições de pagamento, definiu 6 critérios de monitoramento de operações suspeitas e reconheceu que omissão de sinalizações preventivas configura defeito no serviço.

  • TJSP1006474-98.2022.8.26.0001

    Precedente da própria Turma IV (Rel. Paulo Sergio Mangerona) aplicando teoria finalista mitigada e fortuito interno a golpe de falsa central envolvendo PJ, vinculando o colegiado ao mesmo entendimento.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que uso de senha pessoal configuraria fortuito externo/culpa da vítima; acórdão rejeitou ao fundamento de que o estelionatário possuía dados internos do atendimento, evidenciando fortuito interno que torna irrelevante o uso de senha.
  • Banco sustentou que o golpe era de fácil percepção por número desconhecido; acórdão considerou que o fraudador detinha dados sigilosos do atendimento, tornando plausível o engano e afastando culpa exclusiva da vítima.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Ré não demonstrou inexistência de defeito no serviço nem culpa exclusiva da vítima ou de terceiro, ônus que lhe incumbia nos termos do art.14 §3º do CDC, determinando sua condenação integral.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Adulto
Ocupação
PJ micro/pequena
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·extrato, fls. 41/42
  • ·comprovante de transferência, fls. 44/45
  • ·segundo atendimento, fls. 46/56
  • ·primeiro atendimento, fls. 57/73
  • ·telas do telefone celular, fls. 74/87
  • ·boletim de ocorrência, fls. 88/90

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Guarulhos · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Fábio Alves da Motta
Competência
Cível
Data de autuação
29 abr 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 33.180,53
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. IV (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
ROSANA SANTISO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 33.180,53
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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