Acórdão · TJSP

1018766-81.2023.8.26.0001

ApelaçãO CíVel23ª CDPrivRel. SERGIO GOMES11 fev 2026
Engenharia social (genérica)App digitalPresencialPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Vítima idosa coagida em sequestro relâmpago a realizar 3 Pix (R$43k) em 10 min em conta nunca usada para Pix; TJSP reforma improcedência e condena XP por falha de monitoramento de perfil — fortuito interno (Súm.479/STJ + REsp 2.052.228/DF).

O que foi julgado

Produto bancário
App digital
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Sequestro relâmpago: criminosos armados renderam o autor e o forçaram, mediante coação física, a resgatar investimentos e realizar três transferências Pix de sua conta XP para terceiros desconhecidos, em intervalo de poucos minutos.

Marcadores do caso
Vitima IdosaDispositivo Da Vitima UsadoMultiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoOperacoes Em Sequencia Rapida
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Falha Deteccao Operacoes Atipicas Sequenciais

    Três Pix sequenciais de alto valor em menos de 15 min em conta sem histórico de Pix confirmaram falha no monitoramento de perfil, gerando responsabilidade objetiva da XP.

    Requisitos
    Operacao AtipicaAnalise Intervalo Transacoes CurtoAnalise Valor AtipicoAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao No Perfil VitimaToken Digital AusenteCombo Probatorio Completo
  • IntegralPró-consumidorAcolhida
    Sequestro Relampago Coacao Vicio Vontade Inexistencia Negocio

    Coação física eliminou voluntariedade da declaração de vontade (arts.151 e ss. CC), tornando inexistentes os negócios jurídicos praticados sob rendição armada.

    Requisitos
    Dispositivo Da Vitima UsadoDados Fornecidos VoluntariamenteBo Registrado TempestivoContato Central AnteriorHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-consumidorParcial
    Dano Moral 5000 Sequestro Idoso Falha Seguranca

    Dano moral reconhecido em R$5.000 (abaixo do pedido inicial) ante abalo emocional do idoso, desvio produtivo e comprometimento do planejamento financeiro.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaBo Registrado TempestivoEstorno Solicitado Tempestivo
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Terceiro Sequestro

    Rejeitada porque a falha de monitoramento de perfil configura fortuito interno, não externo — o banco não adotou mecanismos para detectar transações atípicas.

    Requisitos
    Dispositivo Da Vitima UsadoBiometria ValidadaSenha Validada BancoAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Consentimento Consumidor Biometria Senha

    Rejeitada porque inserção de senha e reconhecimento facial sob coação física não constituem manifestação válida e livre de vontade.

    Requisitos
    Biometria ValidadaSenha Validada BancoDados Fornecidos Voluntariamente

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • STJ2.052.228/DF

    Estabeleceu o dever das instituições financeiras de desenvolver mecanismos que identifiquem e obstem movimentações destoantes do perfil do consumidor em valores, frequência e objeto — fundamento central da condenação.

  • Sumula Stj479

    Responsabilidade objetiva da instituição por fortuito interno relativo a fraudes de terceiros no âmbito de operações bancárias — aplicada para afastar a tese de culpa exclusiva de terceiro.

  • Art Cdc14_§1

    Defeito no serviço quando não oferece a segurança legitimamente esperada — base para reconhecimento da falha omissiva da XP ao não detectar as transações atípicas sequenciais.

Contrapontos rebatidos

  • Autor demonstrou nos extratos que nunca havia realizado Pix por aquela conta; banco não impugnou especificamente os extratos, ficando evidenciada a quebra de perfil.
  • Banco alegou culpa exclusiva de terceiros e que o consumidor inseriu senha e validou biometria voluntariamente; acórdão rebateu afirmando que a coação física elimina a voluntariedade e que a falha de monitoramento é fortuito interno, não externo.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco não se desincumbiu do ônus de comprovar a adoção de cautelas para coibir contratações e transferências incompatíveis com o padrão de consumo do autor (art.6º,VIII,CDC), o que pesou decisivamente na condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Outro
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·boletim de ocorrência (fls. 22/23)
  • ·extratos das contas na corretora e no banco (fls. 24 e 32/42)
  • ·e-mails trocados com a instituição bancária (fls. 25/31)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Regional I - Santana · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Fernanda Rossanez Vaz da Silva
Competência
Cível
Data de autuação
31 mai 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 70.494,20
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
23ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
SERGIO GOMES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 70.494,20
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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