Acórdão · TJSP

1016986-66.2024.8.26.0003

ApelaçãO CíVel21ª CDPrivRel. PAULO ALCIDES3 mar 2026
Falso trabalho/empregoItaúConta corrente PFWhatsAppPIX
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP 21ª Câmara reforma sentença e julga improcedente: vítima transferiu R$62.466,70 via PIX voluntariamente em golpe de criptomoedas via WhatsApp; banco destino demonstrou diligência no KYC e art. 14 §3º CDC afasta responsabilidade.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 62.466,70
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe das criptomoedas via WhatsApp: vítima foi induzida a participar de grupo de tarefas com promessa de retorno em criptomoedas, realizando transferências via PIX aos fraudadores

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasValor Alto Atipico

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fortuito_externo_culpa_consumidor_e_terceiro

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Fortuito Externo Falta Cautela Vitima Golpe Criptomoeda

    Autora realizou todas as transferências PIX voluntariamente e só avisou os bancos após o encerramento total das operações, configurando culpa exclusiva da vítima e fortuito externo nos termos do art. 14 §3º II e III CDC.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteBo Tardio Ou AusenteEstorno Solicitado TempestivoContato Central AnteriorAto Terceiro IdentificadoOperacao AtipicaAusencia Prova Tecnica Autor
  • PreliminarPró-bancoAcolhida
    Rejeicao Preliminares Cerceamento Citra Petita Preclusao

    Preliminares de nulidade, cerceamento de defesa e citra petita rejeitadas; questão do valor da causa preclusa por ausência de agravo de instrumento oportuno (art. 507 CPC).

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Falha Seguranca Abertura Conta Destino

    Corré Acesso demonstrou documentalmente adoção de todos os mecanismos de verificação de identidade dos titulares das contas (fls. 611/617), afastando alegação de falha no KYC.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioCombo Probatorio CompletoLog Auditoria Disponivel
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Omissao Mecanismo Devolucao Bloqueio Cautelar

    Autora notificou os bancos somente após a conclusão de todas as transferências, inviabilizando qualquer bloqueio cautelar ou mecanismo especial de devolução.

    Requisitos
    Estorno Solicitado TempestivoContato Central Anterior
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Banco Conta Destino

    Acórdão reconheceu que os bancos atuaram como meros intermediadores das ordens de pagamento emanadas pela própria autora, sem ingerência sobre as operações, afastando nexo causal e responsabilidade objetiva.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo ProvadoDados Fornecidos Voluntariamente

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14_§3_II_III

    Excludente de responsabilidade por culpa exclusiva da vítima e de terceiro foi o fundamento central que determinou a reforma da sentença e a improcedência total dos pedidos.

  • TJSP1082703-62.2023.8.26.0002

    Precedente da própria 21ª Câmara (Rel. Décio Rodrigues, 20/05/2024) consolidou que abertura de conta corrente por terceiro fraudador não atrai responsabilidade do banco, sendo diretamente aplicado ao caso.

  • Art Cpc507

    Afastou preliminar de impugnação ao valor da causa por preclusão, eliminando argumento recursal da autora e reforçando a manutenção do desfecho favorável ao banco.

Contrapontos rebatidos

  • Autora alegou que os bancos deveriam ter impedido transações atípicas; acórdão rebateu afirmando que os réus eram meros intermediadores das ordens de pagamento emanadas pela própria autora, sem qualquer ingerência sobre as operações realizadas.
  • Autora alegou falha na abertura das contas pelos estelionatários; Acesso apresentou documentação comprobatória de mecanismos de verificação de identidade (fls. 611/617), refutando a tese.
  • Autora alegou omissão no mecanismo de devolução e bloqueio cautelar; acórdão rebateu apontando que ela só comunicou os bancos após o encerramento de todas as transferências, tornando qualquer bloqueio inviável.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Autora não demonstrou falha na prestação do serviço pelos réus, e o acórdão reconheceu expressamente a ausência de prova de ato ilícito, determinando a improcedência total.

  • Aproveitou: Pró-banco

    Autora descumpriu dever de comunicar tempestivamente os bancos, notificando-os somente após o encerramento de todas as transferências, o que inviabilizou qualquer medida de bloqueio.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·documentação fls. 611/617 Acesso
  • ·sentença fls. 790/796
  • ·regularização fls. 645/646
  • ·decisão impugnação valor fl. 600
  • ·contrarrazões fls. 924/981

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Regional III - Jabaquara · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Competência
Cível
Data de autuação
19 jun 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 312.333,50
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
21ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
PAULO ALCIDES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 312.333,50
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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