Acórdão · TJSP

1014605-47.2025.8.26.0554

ApelaçãO CíVel21ª CDPrivRel. FÁBIO PODESTÁ28 jan 2026
Engenharia social (genérica)BradescoConta corrente PFWhatsAppPIX
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe WhatsApp: vítima transferiu R$4.870 via Pix a golpista que se passou por filho; art.14§3ºII CDC afasta Súmula 479 STJ; improcedência mantida por unanimidade na 21ª Câmara (Rel. Podestá).

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 4.870,00
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe do WhatsApp: terceiro se passou pelo filho da vítima via WhatsApp (número desconhecido com foto do filho), solicitando transferência Pix alegando problema com senha eletrônica

Marcadores do caso
Pix Unico Alto ValorDispositivo Da Vitima Usado

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fortuito_externo_culpa_consumidor

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Culpa Exclusiva Vitima Golpe Whatsapp Pix Voluntario

    Vítima realizou Pix espontâneo a conta desconhecida sem adotar cautelas mínimas, configurando culpa exclusiva que exclui responsabilidade do banco nos termos do art.14§3ºII CDC.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoOperacao AtipicaBo Registrado TempestivoEstorno Solicitado Tempestivo
  • ProcessualPró-bancoAcolhida
    Cerceamento Defesa Inocorrente Prova Documental Inutil

    Documentos de abertura de conta do estelionatário não alterariam o resultado pois o golpe decorreu de culpa exclusiva da vítima; juiz indeferiu diligência inútil nos termos do art.370 parágrafo único CPC.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Sucumbencia Recursal

    Apelação desprovida por unanimidade; honorários majorados de 10% para 15% sobre valor da causa atualizado conforme art.85§11 CPC.

  • IntegralPró-consumidorRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Banco Fraude Terceiro

    Súmula 479 STJ afastada por fortuito externo: ausência de nexo causal entre conduta do banco e o dano, que decorreu exclusivamente da conduta da vítima.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteNexo Causal Externo Provado
  • IntegralPró-consumidorRejeitada
    Falha Kyc Compliance Know Your Customer Conta Destino

    KYC da conta destino irrelevante para o resultado pois o golpe ocorreu por culpa exclusiva da vítima, não havendo nexo causal com eventual falha de compliance do banco réu.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioNexo Causal Externo Provado
  • MoralPró-consumidorRejeitada
    Dano Moral Golpe Bancario

    Dano moral prejudicado pela improcedência total: sem falha do banco não há fato ilícito a ensejar indenização.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14 §3 II

    Fundamento central da improcedência: excludente de responsabilidade por culpa exclusiva da vítima que realizou transferência Pix espontânea sem verificar identidade do destinatário.

  • TJSP1003242-66.2021.8.26.0081

    Precedente da própria 21ª Câmara (Rel. Paulo Alcides) com fatos análogos — golpe WhatsApp com transferência voluntária a estelionatário — reforçou uniformidade da jurisprudência local favorável ao banco.

  • TJSP1123268-31.2024.8.26.0100

    Precedente TJSP (Rel. João Battaus Neto) com fatos idênticos — golpe WhatsApp, filho falso, Pix voluntário — afastando Súmula 479 STJ por fortuito externo e culpa exclusiva da vítima.

Contrapontos rebatidos

  • Banco resistiu ao pedido de juntada de documentos de abertura da conta do estelionatário; acórdão reconheceu que tal prova não alteraria o resultado pois a improcedência decorre da culpa exclusiva da vítima, sendo a diligência inútil (art.370 parágrafo único CPC).
  • Autora alegou falha no KYC do banco ao permitir abertura de conta pelo estelionatário; rebatido porque o nexo causal é quebrado pela conduta exclusiva da vítima que realizou o Pix voluntariamente sem adotar cautelas mínimas.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Autora não demonstrou qualquer falha na prestação de serviços pelo banco; ônus probatório não cumprido resultou na improcedência total dos pedidos.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Não

Documentos citados

  • ·conversa WhatsApp com suposto filho (fl.2)
  • ·comprovante Pix R$4.870 (fl.16)
  • ·BO registrado logo após os fatos (fls.17/18)
  • ·MED localizou apenas R$1,00 (fl.19)
  • ·preparo da apelação (fls.153/154)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Santo André · 4ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
MARTA OLIVEIRA DE SA
Competência
Cível
Data de autuação
16 jun 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 7.869,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
21ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
FÁBIO PODESTÁ
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 7.869,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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