Acórdão · TJSP

1013425-56.2023.8.26.0007

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.I DP2Rel. OLAVO SÁ3 mar 2026
Falsa portabilidadeC6 BankConsignado INSSSMSConsignado indevido
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco C6 perde apelação por fortuito interno em golpe falsa portabilidade consignado INSS: fraudadores acessaram sistema bancário e enviaram link verdadeiro à aposentada; dano moral R$5k mantido + honorários recursais 2%.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
SMS
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
Solidária entre réus
Descrição do golpe

Golpe da falsa portabilidade de empréstimo consignado: fraudadores com acesso ao sistema do banco criaram interface com a consumidora, enviando link verdadeiro de contratação, induzindo-a a contratar novo empréstimo acreditando estar realizando portabilidade de dívida existente.

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoContratacao Digital
Sinais de alerta
Antifraude FalhouKyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Acesso Sistema Banco Contratacao Fraudulenta

    Acórdão reconheceu acesso de terceiros ao sistema do banco como falha de segurança configurando fortuito interno, afastando excludente de culpa de terceiros e impondo responsabilidade objetiva.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo ProvadoHipossuficiente TecnicaAusencia Prova Tecnica AutorLog Auditoria DisponivelAnalise Sequencia Operacoes Anomala
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Desconto Beneficio Previdenciario Subsistencia

    Parcelas descontadas do benefício previdenciário de aproximadamente um salário mínimo comprometeram recursos essenciais à subsistência, configurando dano moral in re ipsa que supera mero aborrecimento.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao AtipicaAnalise Valor Atipico
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Honorarios Recursais Art85 Par11 Cpc

    Recurso integralmente desprovido ensejou fixação de honorários recursais em 2% do valor da condenação conforme art. 85 §11 CPC e Tema 1.059 STJ.

    Requisitos
    Outro
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Terceiro Fraudador

    Banco alegou biometria facial e assinatura eletrônica regulares, mas não comprovou ausência de falha de segurança; fraude bancária é risco inerente à atividade configurando fortuito interno.

    Requisitos
    Token Digital ConfirmadoBiometria ValidadaLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio CompletoAto Terceiro IdentificadoDados Fornecidos Voluntariamente
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Reducao Valor Dano Moral Desproporcionalidade

    Valor de R$5.000 considerado justo, adequado e razoável diante do comprometimento de renda de subsistência de aposentada do INSS, sem razão para redução.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaAnalise Valor Atipico

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamentou a responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno de fraude praticada por terceiros no âmbito de operações bancárias, afastando excludente de culpa exclusiva de terceiro.

  • Art Cdc14 caput §1 I II §3 I II

    Definiu o defeito na prestação de serviço bancário e reconheceu que banco não comprovou as excludentes do §3, determinando responsabilidade objetiva pela falha de segurança.

  • TJSP1004062-96.2025.8.26.0032

    Precedente do TJSP (Rel. Paulo Toledo, NJ 4.0 Turma III, j.04/02/2026) sobre interface criada por fraudadores com plataforma bancária, reforçando responsabilidade objetiva e danos morais configurados.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou regularidade formal com biometria facial e assinatura eletrônica, mas acórdão reconheceu que fraudadores acessaram o sistema bancário e enviaram link verdadeiro de contratação, configurando falha de segurança independentemente da aparente regularidade formal.
  • Banco destacou que autora transferiu valores a desconhecidos, mas acórdão concluiu que vítima foi induzida a crer estar realizando portabilidade de dívida existente, caracterizando vício de consentimento que afasta culpa exclusiva.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Banco não demonstrou possuir mecanismos aptos a afastar fraudes nem comprovou inexistência de defeito no serviço (art. 14 §3 I CDC), ônus que lhe cabia como fornecedor.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·contrato fls. 132/147 (novo empréstimo)
  • ·'Cédula de Compra de Dívida' fl. 167
  • ·tutela de urgência fls. 251/253
  • ·sentença fls. 462/469
  • ·embargos declaratórios fls. 471/478
  • ·apelação fls. 495/514 e 518/537
  • ·contrarrazões fls. 554/558

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Regional VII - Itaquera · 4ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Vivian Labruna Catapani
Competência
Cível
Data de autuação
9 mai 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 18.747,08
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Rescisão / Resolução
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. I (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
OLAVO SÁ
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 18.747,08
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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