Acórdão · TJSP

1009980-62.2024.8.26.0664

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.VI DP2Rel. FLÁVIO PINELLA HELAEHIL12 mar 2026
Engenharia social (genérica)Banco do BrasilApp digitalIndefinidoTransferência interna
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP nega provimento à Stone: falha no KYC da conta fraudulenta (Res. BACEN 4.753/2019) impõe responsabilidade objetiva pela Súmula 479 STJ — R$ 53.478 materiais + R$ 2.000 morais mantidos; útil para defesa em casos com prova de KYC robusto.

O que foi julgado

Produto bancário
App digital
Canal da fraude
Indefinido
Instrumento de perda
Transferência interna
Valor fraudado
R$ 53.478,00
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Vítima realizou transferências a terceiros após ser enganada por agentes criminosos; o golpe envolveu abertura de conta fraudulenta na Stone (instituição de pagamento) que serviu para receber os valores transferidos pela vítima.

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasValor Alto Atipico
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoKyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
R$ 53.478,00
Dano moral
R$ 2.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 55.478,00

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorAcolhida
    Falha Abertura Conta Fraudulenta Sumula479

    Stone não comprovou autenticidade dos documentos na abertura de conta nem medidas de segurança adequadas, caracterizando falha de KYC punida pela Súmula 479 STJ e arts. 2º/7º/8º da Res. BACEN 4.753/2019.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio CompletoLog Auditoria Disponivel
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral In Re Ipsa Perda Patrimonial Significativa

    Perda patrimonial significativa de R$ 53.478 reconhecida como ofensa à dignidade; dano moral in re ipsa mantido em R$ 2.000.

    Requisitos
    Operacao Atipica
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Recursais Art85 Par11

    Honorários majorados para 15% por trabalho adicional em grau recursal, nos termos do art. 85, §11 CPC.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Transferencias Voluntarias

    Embora vítima tenha realizado transferências voluntariamente, a falha própria da Stone na abertura de conta fraudulenta afasta o fortuito externo e impede a excludente de responsabilidade.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteNexo Causal Externo Provado
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Ausencia Dano Moral Sem Movimentacao Conta

    Argumento de ausência de movimentação na conta fraudulenta irrelevante; dano moral decorre da perda patrimonial significativa sofrida pela vítima, configurando in re ipsa.

    Requisitos
    Operacao Atipica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva da Stone por fraude praticada por terceiro via conta fraudulentamente aberta em sua plataforma.

  • Art Cdc14 §3º II

    Impôs à Stone o ônus de demonstrar que tomou todas as cautelas necessárias para evitar a abertura fraudulenta — ônus não cumprido, selando a condenação.

  • TJSP1162918-22.2023.8.26.0100

    Precedente análogo (PagSeguro) citado para consolidar responsabilização de intermediário de pagamentos por falha no KYC de conta receptora de fraude.

Contrapontos rebatidos

  • Stone alegou que a conta aberta era inoperante e sem movimentação; o acórdão rejeitou esse argumento afirmando que a falha está na abertura negligente da conta, independentemente de movimentação posterior.
  • Stone apontou descuido da vítima ao acreditar no engodo e transferir valores; o acórdão reconheceu o descuido mas o superou pela falha própria do banco na segurança da abertura de conta, caracterizando fortuito interno não excludente.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Stone não apresentou prova da autenticidade dos documentos usados na abertura da conta fraudulenta nem de medidas de bloqueio/restituição, ônus que cabia exclusivamente a ela nos termos do art. 14 §3º CDC — lapso que determinou a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·contrarrazões autor fls. 295/416
  • ·contrarrazões Banco do Brasil fls. 417/424
  • ·sentença Dra. Bruna Marques Libânio Martins

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Votuporanga · 4ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Competência
Cível
Data de autuação
7 out 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 68.478,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. VI (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
FLÁVIO PINELLA HELAEHIL
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 68.478,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

Inteiro teor

Abrir em nova aba
Abrir inteiro teor

O documento abre em uma nova aba (visualização original do TJSP).