Acórdão · TJSP

1009061-35.2024.8.26.0127

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.III DP2Rel. MARA TRIPPO KIMURA24 mar 2026
Consignado não contratadoMercantilConsignado INSSPresencialConsignado indevido
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Mercantil obteve redução do dano moral de R$8k para R$5k, mas manteve responsabilidade objetiva por consignado fraudulento contratado com mera foto de vítima idosa sem biometria; resultado parcialmente desfavorável ao banco.

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
R$ 53.108,38
Divisão da responsabilidade
Recíproca · banco maior
Descrição do golpe

Mulher abordou a vítima idosa em sua residência, se passando por enfermeira, tirou fotografia do rosto da vítima e, a partir disso, fraudadores contrataram quatro empréstimos consignados indevidos e realizaram transferências via PIX, esvaziando a conta bancária vinculada ao benefício previdenciário

Marcadores do caso
Vitima IdosaVitima Aposentado InssMultiplas Transferencias EscalonadasPre Emprestimo Antes TransferenciaContratacao DigitalRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoOperacoes Em Sequencia RapidaValor Alto Atipico
Sinais de alerta
Antifraude FalhouSem Biometria ContratacaoMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 2.151,34
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 7.151,34

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Objetiva Consignado Fraudulento Foto Sem Biometria

    Banco não impugnou especificamente a inexistência da relação jurídica; ausência de biometria adequada configurou fortuito interno pela Súmula 479 STJ e art. 14 CDC.

    Requisitos
    Biometria AusenteToken Digital AusenteOperacao AtipicaAnalise Sequencia Operacoes AnomalaAnalise Valor AtipicoAnalise Intervalo Transacoes CurtoPre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoBo Registrado TempestivoDados Fornecidos Voluntariamente
  • MoralParcialParcial
    Dano Moral Reducao Quantum Idosa Privada Beneficio Previdenciario

    Dano moral configurado pela privação do benefício previdenciário da idosa, mas quantum reduzido de R$8.000 para R$5.000 por ausência de negativação e cessação rápida dos descontos via tutela antecipada.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao AtipicaBo Registrado TempestivoEstorno Solicitado Tempestivo
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Banco Pugna Afastamento Dano Moral

    Banco não logrou afastar o dano moral pois circunstâncias agravantes (idosa privada de fonte de renda previdenciária) superaram o entendimento STJ de que fraude isolada não configura dano moral in re ipsa.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • MoralPró-consumidorRejeitada
    Manutencao Quantum R8000

    Quantum de R$8.000 considerado excessivo diante da ausência de negativação e cessação rápida dos descontos via tutela antecipada, reduzido para R$5.000.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva do banco por fraude interna; aplicada diretamente para manter a condenação material sem possibilidade de exclusão por culpa exclusiva de terceiro.

  • Art Cdc14

    Base legal da responsabilidade objetiva por defeito do serviço bancário; sustentou a manutenção da condenação à restituição dos valores e o dano moral.

  • TJSP1000527-41.2025.8.26.0233

    Precedente da 19ª Câmara (Rel. Jairo Brazil) fixando dano moral em R$5.000 por golpe bancário, utilizado como parâmetro decisivo para reduzir o quantum de R$8.000 para R$5.000.

Contrapontos rebatidos

  • Banco argumentou que o quantum era excessivo; o acórdão acolheu parcialmente, reduzindo para R$5.000 por ausência de negativação e cessação imediata dos descontos após tutela antecipada, afastando o enriquecimento sem causa.
  • Banco pugnou pelo afastamento total do dano moral invocando entendimento STJ de que fraude isolada não é in re ipsa; rebatido pelo acórdão que reconheceu elementos fáticos agravantes — idosa privada de benefício previdenciário e comprometimento de subsistência.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não impugnou especificamente os fundamentos da sentença quanto à inexistência da relação jurídica e inexigibilidade dos consignados, precluindo a matéria e limitando o recurso apenas ao quantum do dano moral.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Beneficiário INSS
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·BO fls. 22/23 — dinâmica do golpe
  • ·extrato fls. 24/26 — transferências PIX e consignados
  • ·tutela antecipada fls. 43/44 — cessação descontos
  • ·guias de preparo fls. 446/447
  • ·sentença fls. 430/435

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Carapicuíba · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Gustavo Kaedei
Competência
Cível
Data de autuação
10 ago 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 115.988,48
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Empréstimo consignado
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. III (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
MARA TRIPPO KIMURA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 115.988,48
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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