Acórdão · TJSP

1008983-83.2023.8.26.0286

ApelaçãO CíVel12ª CDPrivRel. MARCO PELEGRINI26 jan 2026
Falsa central de atendimentoC6 BankConsignado INSSLigaçãoPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco C6 Consignado responde objetivamente por golpe da falsa central (Súmula 479 STJ): vazamento de dados do consignado no dia seguinte à contratação configurou fortuito interno; idoso aposentado restitui R$10k PIX + inexigibilidade + moral R$5k.

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe da falsa central de atendimento: no dia seguinte à contratação de empréstimo consignado, fraudador com dados precisos da operação contatou o autor aposentado/idoso se passando por funcionário do banco, induzindo-o a transferir R$ 10.000,00 via PIX a pretexto de cancelar seguro supostamente embutido.

Marcadores do caso
Vitima IdosaVitima Aposentado InssPix Unico Alto ValorRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoPre Emprestimo Antes Transferencia
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteKyc Deficiente Conta Destino

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Vazamento Dados Contratacao

    Fraudadores detinham dados sigilosos da operação recém-contratada, evidenciando vazamento interno que configurou fortuito interno e afastou excludente de culpa exclusiva da vítima.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente TecnicaOperacao AtipicaPre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoAlerta Antifraude Nao DisparadoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral In Re Ipsa Verba Alimentar Comprometida

    Aposentado idoso teve verba alimentar comprometida e precisou contratar novo empréstimo, configurando dano moral in re ipsa que supera mero dissabor; valor de R$5.000 mantido como adequado e proporcional.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Honorarios Recursais Majorados Art85 11 Cpc

    Banco sucumbiu integralmente no recurso, ensejando majoração dos honorários de 15% para 17% sobre o valor da condenação nos termos do art. 85, §11, CPC.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Transferencia Pix Alertas

    Tese de culpa exclusiva rejeitada pois o vazamento de dados sigilosos da contratação configura fortuito interno imputável ao banco, não afastado pela regularidade formal da biometria.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAlerta Antifraude Nao DisparadoHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Reducao Danos Morais Banco

    Redução dos danos morais indeferida: valor de R$5.000 considerado adequado, proporcional e razoável às circunstâncias, com privação de verba alimentar e necessidade de novo empréstimo.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Majoracao Danos Morais Autor R15000

    Majoração para R$15.000 indeferida pois R$5.000 já é parâmetro consolidado da 12ª Câmara para casos semelhantes de golpe da falsa central, sendo razoável e proporcional.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno relativo a fraude praticada por terceiro no âmbito de operação bancária, afastando excludente de culpa exclusiva da vítima.

  • Art Cdc14

    Base normativa da responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços por defeito na prestação, independente de culpa, aplicada diretamente para imputar o dano ao banco.

  • Art Cdc6_VIII

    Inversão do ônus da prova em favor do consumidor hipossuficiente, impondo ao banco o dever de provar a regularidade dos atos praticados, ônus não cumprido.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou regularidade formal da contratação via biometria facial; acórdão respondeu que o cerne não é a validade da contratação, mas o vazamento de dados sigilosos que viabilizou a engenharia social no dia seguinte.
  • Banco alegou que vítima realizou PIX a terceiro estranho a despeito de alertas; acórdão rebateu que a posse de informações sigilosas por estelionatários evidencia falha no dever de guarda da instituição, afastando culpa exclusiva.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Por força do art. 6º, VIII, CDC, o banco deveria provar a regularidade de todos os atos praticados, inclusive a ausência de vazamento de dados internos, ônus que não cumpriu, beneficiando o consumidor.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·sentença fls. 279/288
  • ·embargos de declaração fls. 296/297
  • ·razões recursais fls. 301/319
  • ·preparo fls. 320/322
  • ·recurso adesivo fls. 339/346
  • ·contrarrazões fls. 326/338 e 350/359
  • ·gratuidade judiciária fls. 50

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Itu · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Andrea Leme Luchini
Competência
Cível
Data de autuação
31 ago 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 52.142,39
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Empréstimo consignado
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
12ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
MARCO PELEGRINI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 52.142,39
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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