Acórdão · TJSP

1008136-83.2025.8.26.0004

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.I DP2Rel. VALÉRIA LONGOBARDI7 jan 2026
Maquininha falsaCartão de créditoWhatsAppCompra com cartão
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe da entrega (falso entregador Giuliana Flores): culpa concorrente 50/50 — banco deve restituir R$2.000; dano moral afastado pela imprudência do consumidor ao digitar senha duas vezes em entrega não solicitada.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Cartão de crédito
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Compra com cartão
Valor fraudado
R$ 4.000,00
Divisão da responsabilidade
Concorrente 50/50
Descrição do golpe

Golpe da entrega: fraudador se passa por entregador de flores (Giuliana Flores), cobra suposto frete via maquininha adulterada/falsa, vítima digita senha do cartão de crédito duas vezes acreditando pagar R$7,99, resultando em compra fraudulenta de R$4.000,00

Marcadores do caso
Dispositivo Da Vitima UsadoValor Alto AtipicoContratacao Presencial
Sinais de alerta
Monitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 2.000,00
Dano moral
R$ 0,00
Afastado Mero Aborrecimento
Custo total estimado
R$ 2.000,00
Fundamento do afastamento do dano moral

culpa_concorrente_consumidor_contribuicao_decisiva

Teses

  • ★ principalMaterialParcialParcial
    Culpa Concorrente Golpe Entrega Senha Fornecida

    Culpa concorrente 50/50 reconhecida: banco falhou no monitoramento de operação atípica (fortuito interno) e consumidor agiu com imprudência ao fornecer senha em entrega não solicitada; inexigibilidade limitada a R$2.000.

    Requisitos
    Analise Valor AtipicoOperacao AtipicaAlerta Antifraude Nao DisparadoDados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente TecnicaLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio Completo
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Inexigibilidade Total Valor Fraudado

    Pedido de inexigibilidade integral afastado porque a conduta imprudente do consumidor ao fornecer senha duas vezes em circunstância suspeita configurou culpa concorrente, limitando a responsabilidade do banco a 50%.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAnalise Valor AtipicoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Dano Moral Afastado Contribuicao Decisiva Consumidor

    Dano moral afastado porque a conduta imprudente da vítima ao fornecer senha em circunstância suspeita foi fator determinante para a fraude, afastando o dever de indenizar por abalo extrapatrimonial.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteBo Registrado Tempestivo
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Fraude Bancaria In Re Ipsa

    Tese do dano moral in re ipsa rejeitada: a culpa concorrente significativa do consumidor afasta o dever de indenizar por abalo extrapatrimonial, conforme precedente análogo da mesma Turma (AC 1008897-17.2024.8.26.0565).

    Requisitos
    Dados Fornecidos Voluntariamente
  • HonorariosNeutroAcolhida
    Sucumbencia Reciproca 50 50 Honorarios 10 Pct

    Sucumbência recíproca proporcional ao provimento parcial do recurso: cada parte arca com 50% das custas e 10% de honorários sobre o valor da causa ao patrono adverso.

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundou a responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno, mas combinada com o art. 945 CC resultou em repartição 50/50 em vez de responsabilidade integral.

  • Art Cc945

    Norma central que determinou a repartição proporcional da responsabilidade entre banco (falha no monitoramento) e consumidor (fornecimento imprudente de senha), limitando a condenação a R$2.000.

  • TJSP1008897-17.2024.8.26.0565

    Precedente da mesma Turma I (Rel. Olavo Sá, NJ 4.0, 18/11/2025) em golpe da entrega análogo que consolidou o padrão culpa concorrente 50/50 + afastamento do dano moral, aplicado diretamente ao caso.

Contrapontos rebatidos

  • O autor invocou a Súmula 479/STJ para responsabilidade integral do banco; o acórdão reconheceu a incidência da súmula mas aplicou o art. 945 do CC para repartir a responsabilidade em 50%, pois o consumidor forneceu voluntariamente a senha em circunstância suspeita.
  • O autor alegou que o banco não comprovou adoção de medidas de segurança; o acórdão reconheceu a falha no monitoramento como fortuito interno, mas limitou a responsabilidade à metade em razão da imprudência do consumidor ao digitar senha duas vezes.
  • O autor pleiteou R$2.000 de dano moral sustentando responsabilidade objetiva; o acórdão afastou o dano moral porque a conduta imprudente da vítima foi fator determinante para a consumação da fraude, citando precedente análogo da mesma Turma.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco não demonstrou ter adotado medidas de bloqueio de operações atípicas destoantes do perfil do cliente, ônus que lhe incumbia por inversão probatória (art. 6°, VIII, CDC), o que embasou o reconhecimento da falha como fortuito interno.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·comprovantes fls. 27/28
  • ·e-mails fls. 29/42
  • ·BO fls. 42/43 nº FZ5230-1/2025

Capa do processo

1ª instância

Classe
Tutela Antecipada Antecedente
Órgão julgador
Foro Regional IV - Lapa · 4ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Raphael Garcia Pinto
Competência
Cível
Data de autuação
12 mai 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 6.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Liminar
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. I (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
VALÉRIA LONGOBARDI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 6.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Cartão de Crédito
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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