Acórdão · TJSP

1007912-77.2024.8.26.0038

ApelaçãO CíVel16ª CDPrivRel. MARCELO IELO AMARO23 fev 2026
Invasão de conta / empréstimos fraudulentosConta corrente PJDigital (não especificado)Indefinido
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP 16ª Câmara mantém condenação da Cora por abertura fraudulenta de conta PJ sem KYC robusto; dano moral R$7k pela citação judicial gerada pela fraude; precedente útil para defesa em casos com negativação ausente mas fatos agravantes.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PJ
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
Indefinido
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Criminosos abriram conta bancária fraudulenta em nome do autor junto à Cora (fintech), vinculada a CNPJ constituído com dados pessoais do autor sem seu conhecimento; a conta foi usada para aplicar golpes em terceiros, resultando em processo judicial contra o autor

Marcadores do caso
Contratacao DigitalDispositivo De Terceiro Usado
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoKyc Deficiente Conta DestinoAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 7.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 7.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Abertura Conta Fraudulenta Falha Verificacao Identidade

    Prints sistêmicos unilaterais sem trilha de auditoria, metadados ou logs verificáveis foram insuficientes para comprovar autoria da contratação, configurando falha de segurança e fortuito interno.

    Requisitos
    Biometria AusenteLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio CompletoAusencia Prova Tecnica AutorFalha Kyc IntermediarioDispositivo Da Vitima Usado
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Citacao Judicial Uso Indevido Dados

    Citação em processo judicial de terceiro vítima da fraude, registro de BO e necessidade de ajuizar ação própria configuraram abalo moral concreto que extrapola mero dissabor, justificando R$7.000,00.

    Requisitos
    Bo Registrado TempestivoHipossuficiente TecnicaAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Recursais Tema 1059

    Recurso integralmente desprovido autoriza majoração de 10% para 20% sobre a condenação atualizada, nos termos do art. 85 §11 CPC e Tema 1059 STJ.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Fraude Exclusiva Terceiro Exclui Responsabilidade

    Tese de fortuito externo rejeitada porque a falha de validação de identidade na abertura da conta é risco inerente à atividade da fintech, configurando fortuito interno nos termos da Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Biometria AusenteLog Auditoria DisponivelAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Abertura Conta Fraudulenta Sem Negativacao Nao Configura Dano Moral

    Distinguishing aplicado: ausência de negativação não afasta dano moral quando há citação judicial em ação de terceiro, mobilização de tempo/energia e situação concreta de angústia comprovada.

    Requisitos
    Bo Registrado TempestivoAto Terceiro Identificado

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para afastar a tese de fortuito externo da Cora e impor responsabilidade objetiva pela abertura fraudulenta de conta como risco inerente à atividade financeira.

  • Art Cdc14

    Base legal da responsabilidade objetiva do fornecedor por defeito na prestação do serviço, aplicada para responsabilizar a fintech independentemente de culpa.

  • TJSP1020364-30.2024.8.26.0003

    Precedente da 23ª Câmara (Rel. Lígia Bisogni) citado para embasar o valor de R$7.000,00 e a aplicação da Teoria do Desvio Produtivo quando fatos superam mero dissabor — distinguishing dos precedentes que negaram dano moral.

Contrapontos rebatidos

  • A Cora alegou observância dos procedimentos do BCB com envio de selfie e documentos; o acórdão rebateu afirmando que prints sistêmicos sem trilha de auditoria, metadados, IP, hash ou carimbo de tempo são documentação unilateral insuficiente para comprovar autoria robusta.
  • A fintech invocou culpa exclusiva de terceiro; o tribunal aplicou Súmula 479 STJ e Circular BCB 3.798/2020 art. 16 para enquadrar a falha de KYC como fortuito interno, inerente ao risco da atividade.
  • A requerida sustentou ausência de dano à personalidade; o acórdão aplicou distinguishing em relação a precedentes de simples abertura fraudulenta, reconhecendo que citação em processo alheio, BO e ajuizamento de ação própria configuram abalo concreto.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    A Cora não apresentou trilha de auditoria completa, logs, metadados ou qualquer elemento externo rastreável para comprovar que a abertura foi feita pelo titular dos dados, ônus que lhe incumbia (art. 14 §3º CDC), o que foi decisivo para sua condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Outro
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico

Documentos citados

  • ·BO fls. 12/13 com descrição da fraude
  • ·pedido de nulidade CNPJ fls. 14/20
  • ·prints/checks de verificação fls. 97/98
  • ·informações cadastrais/score fls. 86
  • ·contrarrazões fls. 172/185
  • ·sentença fls. 139/141
  • ·embargos de declaração fls. 152

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Araras · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
ANTONIO CESAR HILDEBRAND E SILVA
Competência
Cível
Data de autuação
5 nov 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 7.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Responsabilidade do Fornecedor
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
16ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
MARCELO IELO AMARO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 7.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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