1007884-96.2024.8.26.0010
Análise do acórdão
Santander perde solidariamente em boleto fraudulento (R$1.420,85): participação na cadeia de compensação estabelece nexo causal independente da emissão, bloqueando tese de fortuito externo.
O que foi julgado
Pagamento de boleto fraudulento: vítima pagou boleto de mensalidade escolar que havia sido adulterado por terceiro, com valor direcionado a beneficiário diverso (Facebook/Adyen), embora o boleto ostentasse aparência legítima com logo da instituição financeira
Resultado
Teses
- ★ principalMaterialPró-consumidorRejeitadaResponsabilidade Solidaria Cadeia Fornecimento Boleto Fraudulento
Banco integrou cadeia de compensação e validação do boleto fraudulento, estabelecendo nexo causal solidário com Facebook/Adyen independentemente de ser emissor.
RequisitosFalha Kyc IntermediarioAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao Atipica - PreliminarPró-consumidorAcolhidaRejeicao Culpa Exclusiva Vitima Boleto Aparencia Legitima
Boleto ostentava aparência legítima com logo do Santander, afastando dever do consumidor de detectar a fraude; fortuito interno absorve a conduta da vítima.
RequisitosHipossuficiente TecnicaDados Fornecidos Voluntariamente - MaterialPró-bancoRejeitadaCulpa Exclusiva Vitima Por Nao Verificar Dados Boleto
Tese rejeitada pois boleto tinha aparência legítima com logo do banco, não se exigindo do consumidor leigo a verificação técnica de dados do beneficiário final.
RequisitosDados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente Tecnica - MaterialPró-bancoRejeitadaAusencia Nexo Causal Banco Nao Emissor Boleto
Participação na compensação e validação da transação bancária estabelece nexo causal solidário, mesmo sem ser o emissor do boleto ou deter a conta de origem (Itaú).
RequisitosFalha Kyc IntermediarioLog Auditoria Disponivel
Como o tribunal decidiu
Precedentes decisivos
- Sumula Stj479
Fundamento central para responsabilidade objetiva do banco por fraude no ambiente virtual com base no risco da atividade, afastando excludentes alegadas.
- Art Cdc14
Base da responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços, sustentando a condenação solidária independentemente de culpa.
- TJSP1010244-79.2024.8.26.0664
Precedente análogo citado (Rel. Domingos de Siqueira Frascino, NJ 4.0 Turma IV, jul/2025) que consolidou responsabilidade solidária objetiva de instituição financeira e gestora de pagamentos em fraude de boleto.
Contrapontos rebatidos
- Santander alegou não ter emitido o boleto e que o pagamento foi via Banco Itaú; acórdão rebateu afirmando que a participação no sistema de compensação e validação é suficiente para estabelecer nexo causal solidário.
- Santander alegou que o comprovante evidenciava divergência entre beneficiário aparente e destinatários reais; acórdão afastou pois o boleto ostentava aparência legítima com logo do próprio Santander, inviabilizando a detecção pelo consumidor.
Ônus não cumprido
- Aproveitou: Pró-banco
Banco não produziu prova técnica demonstrando ausência de participação na cadeia de compensação do boleto fraudulento, ônus que pesou decisivamente contra a tese de exclusão de responsabilidade.
Contexto
Perfil da vítima
Documentos citados
- ·boleto mensalidade escolar R$1.420,85
- ·comprovante com beneficiário Facebook/Adyen
- ·CNPJ da procuração Facebook fls. 11 e 101
- ·sentença fls. 176/182
- ·embargos declaração fls. 185/186
Capa do processo
1ª instância
2ª instância
Inteiro teor
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