Acórdão · TJSP

1007635-35.2025.8.26.0100

ApelaçãO CíVel18ª CDPrivRel. ERNANI DESCO FILHO7 abr 2026
Maquininha falsaBanco do BrasilCartão de créditoPresencialCompra com cartão
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco do Brasil perde apelação: maquininha adulterada processou R$18.079,99; antifraude bloqueou 3 transações mas autorizou 2 no mesmo contexto, confirmando falha clamorosa — Súmula 479 STJ aplicada integralmente.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Cartão de crédito
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
Compra com cartão
Valor fraudado
R$ 18.079,99
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe da maquininha: terminal de pagamento adulterado processou transações de alto valor (R$ 9.999,99 e R$ 8.080,00) ao invés do pagamento de R$ 23,44 tentado pela vítima, via motoboy intermediário em serviço de reforma.

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoOperacoes Em Sequencia RapidaContratacao Presencial
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 18.079,99
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 23.079,99

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorRejeitada
    Maquininha Adulterada Transacoes Atipicas Sistema Seguranca Parcialmente Falho

    Banco não demonstrou que monitoramento atuou adequadamente; sistema bloqueou 3 mas autorizou 2 transações no mesmo contexto, evidenciando falha parcial do antifraude reconhecida como fortuito interno.

    Requisitos
    Alerta Antifraude DisparadoAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaAnalise Valor AtipicoAnalise Intervalo Transacoes CurtoAnalise Sequencia Operacoes AnomalaBo Registrado TempestivoEstorno Solicitado TempestivoAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio Completo
  • MoralPró-consumidorRejeitada
    Dano Moral Mantido Por Ausencia Impugnacao Especifica

    Banco não impugnou especificamente o quantum moral nem pleiteou minoração subsidiária; rejeitada a excludente de responsabilidade, mantida a condenação de R$5.000 integralmente.

    Requisitos
    Outro
  • HonorariosPró-consumidorRejeitada
    Majoracao Honorarios Fase Recursal

    Honorários majorados de 10% para 15% com base no art. 85 §11 CPC pelo trabalho adicional em sede recursal.

  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Nulidade Ausencia Fundamentacao

    Acórdão reconheceu fundamentação suficiente na sentença; inconformismo da parte não gera nulidade, conforme jurisprudência STF e STJ.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Entrega Cartao Terceiro

    Vítima não entregou cartão; usou terminal adulterado tentando pagar R$23,44; fraude ocorreu por adulteração do equipamento, configurando fortuito interno e não culpa exclusiva do consumidor.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Inviolabilidade Chip Senha Exclui Responsabilidade

    Defesa baseada em chip e senha foi tida como genérica; banco não demonstrou monitoramento adequado de risco, sendo insuficiente alegar validação técnica sem provar sistema antifraude funcionou corretamente.

    Requisitos
    Senha Validada BancoMonitoramento Ativo ReconhecidoCombo Probatorio CompletoAusencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno; aplicada para impor dever de indenizar independentemente de culpa.

  • STJ1.995.458/SP

    Consagrou que sistema bancário que admite operações totalmente atípicas ao perfil do consumidor viola dever de segurança e configura falha na prestação do serviço — citado diretamente no AREsp 1.728.279/SP transcrito no acórdão.

  • Art Cdc14 §1º

    Base legal da falha na prestação do serviço bancário; aplicado em conjunto com a Súmula 479 STJ para fixar responsabilidade objetiva.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou fortuito externo por engenharia social ocorrida fora de suas dependências; acórdão rebateu afirmando que o próprio sistema bloqueou 3 transações no mesmo contexto mas autorizou 2, caracterizando falha interna do antifraude e fortuito interno.
  • Banco imputou imprudência ao consumidor por entregar cartão a terceiro; acórdão reconheceu que vítima apenas tentou pagar R$23,44 em terminal viciado e não entregou voluntariamente credenciais, afastando culpa exclusiva.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não se desincumbiu do ônus (CPC art. 373 II + CDC art. 6º VIII) de demonstrar que as transações de R$9.999,99 e R$8.080,00 condiziam com o perfil do correntista, o que pesou decisivamente para a condenação.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco apresentou apenas defesas genéricas sobre inviolabilidade do chip sem demonstrar que o sistema de monitoramento de risco atuou de forma adequada, o que reforçou a conclusão de falha clamorosa.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·boletim de ocorrência fls. 69/70
  • ·extrato bancário fls. 40-42
  • ·comunicação do autor fl. 71
  • ·sentença fls. 212/217

Capa do processo

1ª instância

Classe
ExecuçãO De TíTulo Extrajudicial
Órgão julgador
Foro Central Cível · 45ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
FABIO EVANGELISTA DE MOURA
Competência
Cível
Data de autuação
23 jan 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 26.079,99
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Obrigações
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
18ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ERNANI DESCO FILHO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 26.079,99
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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