Acórdão · TJSP

1006619-56.2025.8.26.0032

ApelaçãO CíVel11ª CDPrivRel. JOSÉ WILSON GONÇALVES19 fev 2026
Falso advogadoSantanderConta corrente PFWhatsAppPIX
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe do falso advogado via WhatsApp: vítima entregou dados e senhas voluntariamente; TJSP 11ª Câmara nega provimento por culpa exclusiva da vítima e afasta Súmula 479 STJ — precedente forte para defesa do banco.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 19.512,03
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe do falso advogado: fraudador contata vítima via WhatsApp se passando por responsável financeiro de escritório de advocacia, informa falso ganho de causa judicial e solicita dados bancários e senhas para realizar repasse, induzindo a vítima a efetuar transferências via Pix e contrair empréstimo bancário.

Marcadores do caso
Pre Emprestimo Antes TransferenciaPix Unico Alto ValorDispositivo Da Vitima UsadoContratacao Digital

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fortuito_externo_culpa_exclusiva_vitima

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Culpa Exclusiva Vitima Falso Advogado Whatsapp

    Vítima realizou pessoalmente as operações com seus meios de autenticação após fornecer dados ao fraudador por WhatsApp, configurando culpa exclusiva e fortuito externo sem falha sistêmica do banco.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoSenha Validada BancoAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao No Perfil VitimaHipossuficiente Tecnica
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Impugnacao Gratuidade Nao Devolvida Em Contrarrazoes

    Impugnação à gratuidade rejeitada na sentença transitou em julgado por falta de recurso específico do banco; contrarrazões não devolvem a questão ao Tribunal.

  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Recursais 15 Porcento

    Honorários majorados para 15% do valor da causa com IPCA desde o ajuizamento e Selic do trânsito em julgado, nos termos dos arts. 85 §11 CPC e 389/406 §1 CC.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Ausencia Bloqueio Transacoes Atipicas

    Operações realizadas pelo próprio correntista com seus meios de autenticação sem atipicidade sistêmica ou sinal de violação que justificasse bloqueio cautelar; MED invocado mas inaplicável ao contexto.

    Requisitos
    Operacao No Perfil VitimaAlerta Antifraude Nao DisparadoDispositivo Da Vitima UsadoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Por Falha Na Abertura De Conta Do Beneficiario

    Ausência de nexo causal entre conduta do banco e o dano; inexistência de indícios de irregularidade na abertura da conta beneficiária do fraudador afasta responsabilidade civil.

    Requisitos
    Nexo Causal Externo ProvadoFalha Kyc Intermediario

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14_§3_II

    Excludente de responsabilidade do fornecedor por culpa exclusiva do consumidor — base legal central para afastar toda responsabilidade do banco no caso concreto.

  • Sumula Stj479

    Afastada expressamente por inocorrência de fortuito interno — as operações foram realizadas pelo próprio correntista, sem falha sistêmica, distinguindo este caso do âmbito de aplicação da súmula.

  • TJSP1011375-98.2024.8.26.0079

    Precedente da mesma 11ª Câmara, Rel. José Marcelo Tossi Silva, golpe do falso advogado, culpa exclusiva do consumidor — citado pelo relator como paradigma direto para negar provimento.

Contrapontos rebatidos

  • Autor invocou o MED e dever de bloqueio pelo banco; acórdão rebate afirmando que as operações foram feitas pelo próprio correntista com seu celular cadastrado e meios de autenticação próprios, sem nenhum sinal de violação sistêmica ou atipicidade que justificasse intervenção cautelar.
  • Autor alegou que o banco falhou ao permitir abertura da conta que recebeu os valores; acórdão rejeita por inexistência de indícios de irregularidade na abertura e ausência de nexo causal entre conduta do banco e o prejuízo.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autor não demonstrou qualquer falha sistêmica, atipicidade transacional ou indício de violação que obrigasse o banco a intervir cautelarmente, ônus que lhe cabia e que pesou decisivamente para a improcedência.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Não

Documentos citados

  • ·Boletim de Ocorrência acostado pelo apelante
  • ·razões a fls. 123/132
  • ·sentença a fls. 90/92
  • ·contrarrazões a fls. 136/147

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Birigui · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Cassia de Abreu
Competência
Cível
Data de autuação
29 abr 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 35.726,03
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
11ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
JOSÉ WILSON GONÇALVES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 35.726,03
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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