Acórdão · TJSP

1006373-25.2024.8.26.0152

ApelaçãO CíVel21ª CDPrivRel. PAULO ALCIDES12 fev 2026
Falso leilãoItaúConta corrente PJSite falsoPIX
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

PJ perdeu R$159k em golpe do leilão via site falso; TJSP afastou CDC (PJ não vulnerável) e responsabilidade dos bancos por culpa exclusiva da vítima — precedente forte para defesa bancária em fraudes com transferência espontânea.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Conta corrente PJ
Canal da fraude
Site falso
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 159.275,00
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe do leilão: vítima (PJ) acessou site falso de leilão (www.leiloescopart.net) e, acreditando ter arrematado veículo Toyota Hilux SW4, transferiu R$ 159.275,00 via PIX para conta de estelionatário no Banco BMG.

Marcadores do caso
Vitima Pj MicroPix Unico Alto ValorValor Alto Atipico

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Culpa Exclusiva Vitima Terceiro Golpe Leilao

    Transferência realizada voluntária e espontaneamente pela própria PJ sem verificar autenticidade do site, idoneidade do leiloeiro ou correspondência do beneficiário PIX, configurando culpa exclusiva da vítima e de terceiro (art. 14, §3º, II e III, CDC).

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteBo Tardio Ou AusenteAusencia Prova Tecnica AutorHipossuficiente Tecnica
  • MaterialPró-bancoAcolhida
    Inaplicabilidade Mecanismo Devolucao Pix

    MED exige saldo na conta do recebedor e BO tempestivo; BO registrado 3 dias após operação e valores tipicamente evadidos em fraudes dessa natureza inviabilizam a devolução.

    Requisitos
    Bo Tardio Ou AusenteEstorno Solicitado Tempestivo
  • PreliminarPró-bancoAcolhida
    Inaplicabilidade Cdc Pessoa Juridica Nao Vulneravel

    PJ autora não é destinatária final do serviço bancário (art. 2º CDC) e não demonstrou vulnerabilidade técnica, jurídica ou econômica para atrair a teoria finalista mitigada; análise pelo regime geral de responsabilidade civil.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaAusencia Prova Tecnica Autor
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Bancos Fraude

    Tese rejeitada pois, embora admissível a responsabilidade objetiva pelo risco (art. 927, §único, CC), o nexo causal entre conduta dos bancos e o dano foi rompido pela transferência espontânea sem cautelas mínimas.

    Requisitos
    Nexo Causal Externo ProvadoDados Fornecidos Voluntariamente
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Falha Recuperacao Pix Med

    Alegação de falha no acionamento do MED rejeitada: devolução depende de permanência dos valores na conta do recebedor e BO registrado apenas 3 dias após a operação, inviabilizando o mecanismo.

    Requisitos
    Bo Tardio Ou AusenteEstorno Solicitado Tempestivo

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdcart_14_§3_II_III

    Fundamento decisivo para afastar responsabilidade dos bancos: excludente por culpa exclusiva da vítima (II) e de terceiro (III), aplicada diretamente ao caso mesmo com ressalva sobre inaplicabilidade do CDC à PJ.

  • TJSP1012410-93.2024.8.26.0564

    Precedente da própria 21ª Câmara (Rel. Ademir Benedito, 11/03/2025) em golpe análogo de aquisição com estelionatário — reforçou padrão decisório da Câmara para afastar responsabilidade bancária em transferências espontâneas.

  • Art Ccart_927_paragrafo_unico

    Admitiu responsabilidade objetiva pelo risco das instituições financeiras mas condicionou ao nexo causal — ausente no caso por transferência espontânea da vítima, servindo de base para manter a improcedência.

Contrapontos rebatidos

  • A autora alegou ser hipossuficiente e merecer proteção consumerista; o acórdão rebateu afirmando que PJ não é destinatária final do serviço bancário e nenhuma prova de vulnerabilidade técnica, jurídica ou econômica foi produzida.
  • A autora sustentou falha dos bancos em proteger a transação; o acórdão rebateu destacando que a operação foi realizada pela própria autora sem qualquer irregularidade atribuível às instituições, rompendo o nexo causal.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    A PJ autora não produziu prova de vulnerabilidade técnica, jurídica ou econômica necessária para atrair a teoria finalista mitigada do CDC, o que resultou na análise pelo regime geral de responsabilidade civil.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    A autora não demonstrou nenhuma falha na prestação de serviços pelos bancos réus, ônus que lhe incumbia para configurar a responsabilidade civil objetiva pelo nexo causal.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
PJ micro/pequena
Vulnerabilidade
Pessoa jurídica
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·sentença fls. 310/314
  • ·apelação fls. 317/327
  • ·contrarrazões fls. 337/347
  • ·contrarrazões fls. 348/359
  • ·BO registrado 3 dias após operação

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Cotia · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
CLAUDIA GUIMARAES DOS SANTOS
Competência
Cível
Data de autuação
4 jun 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 159.275,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
21ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
PAULO ALCIDES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 159.275,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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