Acórdão · TJSP

1004003-02.2019.8.26.0006

ApelaçãO CíVel11ª CDPrivRel. CRISTINA DI GIAIMO CABOCLO28 fev 2026
Falsa portabilidadeConsignado servidorWhatsAppEmpréstimo pessoal fraudulento
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Vítima enviou dados ao golpista via WhatsApp e transferiu voluntariamente R$31,8k; nexo causal rompido por participação ativa — improcedência total com majoração de honorários para 11%.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Consignado servidor
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Empréstimo pessoal fraudulento
Valor fraudado
R$ 34.376,21
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpista se passou por intermediador e ofereceu portabilidade de empréstimo consignado via WhatsApp/ligação, coletou dados pessoais da vítima, formalizou contrato junto ao banco em nome dela e a convenceu a transferir o valor recebido para conta de terceiro, sem quitar o empréstimo original.

Marcadores do caso
Contratacao DigitalPre Emprestimo Antes TransferenciaMultiplas Transferencias Escalonadas

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

ausencia_nexo_causal_conduta_banco

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Participacao Ativa Vitima Forneceu Dados Ao Golpista

    Autora enviou documentos pessoais ao fraudador via WhatsApp e autorizou terceiro a contratar empréstimo em seu nome, rompendo nexo causal entre conduta do banco e o dano.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoBo Registrado TempestivoAusencia Prova Tecnica AutorAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MaterialPró-bancoAcolhida
    Ausencia Prova Defeito Servico Banco

    Autora não era cliente do banco réu, afastando tese de vazamento de dados; banco apenas cumpriu contrato viabilizado pelos documentos fornecidos pela própria autora.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorFalha Kyc IntermediarioLog Auditoria Disponivel
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Art 85 Par11 Cpc

    Desprovimento do recurso ensejou majoração dos honorários para 11% sobre o valor da causa nos termos do art. 85, §11º, CPC.

  • IntegralPró-consumidorRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Banco Fraude Consignado

    Súmula 479 STJ afastada por ausência de nexo causal — participação ativa da autora rompe a cadeia causal exigida para responsabilização objetiva.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica Autor
  • ProcessualPró-consumidorRejeitada
    Inversao Onus Hipossuficiencia Tecnica

    Inversão do ônus irrelevante pois as provas (mensagens WhatsApp fls. 30/37) já demonstravam a participação ativa da própria autora na fraude.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaDados Fornecidos Voluntariamente

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • TJSP1002031-18.2022.8.26.0062 — Rel. Renato Rangel Desinano, 11ª Câmara de Direito Privado, 14/09/2023

    Caso análogo citado como paradigma: autor ludibriado permitiu acesso remoto e efetuou PIX para terceiros; ausência de nexo causal entre conduta do banco e o dano manteve improcedência — fundamento decisivo para confirmar a sentença.

  • Art Cdc14

    Responsabilidade objetiva do fornecedor reconhecida como regra, mas afastada no caso concreto por ausência do requisito nexo causal entre defeito do serviço e dano sofrido.

  • Art Cpc85_§11

    Fundamento legal para majoração dos honorários advocatícios em grau recursal para 11% sobre o valor da causa, beneficiando o banco.

Contrapontos rebatidos

  • Autora alegou nulidade do contrato por assinatura falsa constatada em perícia (fls. 362/427); acórdão rebate afirmando que a falsidade não nulifica contrato que a autora quis celebrar ao autorizar terceiro a contratar em seu nome com os documentos que ela mesma forneceu.
  • Autora invocou responsabilidade objetiva bancária (Súmula 479 STJ) pelo risco da atividade; acórdão rebate pela ausência de nexo causal, pois foi a própria autora quem forneceu seus dados e transferiu voluntariamente o valor recebido.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Autora não produziu prova de qualquer conduta comissiva ou omissiva do banco que tivesse causado o dano, fato expressamente reconhecido pelo acórdão como determinante para a improcedência.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Servidor público
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·trocas de mensagens WhatsApp fls. 30/37
  • ·comprovante transferência fls. 38
  • ·laudo pericial grafotécnico fls. 362/427
  • ·contrato empréstimo consignado nº 20-5989996/19
  • ·holerite fevereiro/2019 fls. 40
  • ·documentos pessoais autora fls. 193/194
  • ·crédito R$34.376,21 conta autora fls. 198

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Regional VI - Penha de França · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Juliana Nobre Correia
Competência
Cível
Data de autuação
21 abr 2019
Última movimentação
Valor da causa
R$ 34.376,21
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
11ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
CRISTINA DI GIAIMO CABOCLO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 34.376,21
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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