Acórdão · TJSP

1003916-97.2023.8.26.0655

ApelaçãO CíVel16ª CDPrivRel. ALEXANDRE BATISTA ALVES15 abr 2026
Falso funcionário/gerenteFinanciamentoWhatsAppPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Daycoval condenado por fortuito interno: fraudador via WhatsApp usou dados sigilosos do financiamento (contrato, parcela, inadimplência) para induzir PIX de R$ 1.301,35; banco não provou segurança dos sistemas.

O que foi julgado

Produto bancário
Financiamento
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 1.301,35
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpista entrou em contato via WhatsApp se passando por preposto do Banco Daycoval, detinha dados contratuais específicos da vítima (número do contrato, valor da parcela, CPF, inadimplência) e enviou código PIX/QR Code para pagamento fraudulento da parcela

Marcadores do caso
Pix Unico Alto ValorDispositivo Da Vitima Usado
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteKyc Deficiente Conta Destino

Resultado

Dano material
R$ 1.301,35
Dano moral
R$ 3.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 4.301,35

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Vazamento Dados Contratuais Sigilosos Responsabilidade Banco

    Fraudador detinha número de contrato, valor da parcela e status de inadimplência — dados que só poderiam provir de vazamento interno; banco não apresentou prova técnica de segurança dos sistemas, configurando falha na prestação do serviço e fortuito interno.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio CompletoLog Auditoria DisponivelOperacao AtipicaHipossuficiente TecnicaDados Fornecidos VoluntariamenteFalha Kyc Intermediario
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Vazamento Dados Desvio Produtivo

    Vazamento de dados pessoais e bancários sensíveis aliado ao desvio produtivo da consumidora para solucionar o entrave configurou dano moral in re ipsa, mantido o quantum de R$ 3.000,00 por proporcional.

    Requisitos
    Operacao AtipicaHipossuficiente Tecnica
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Sucumbencia Recursal

    Negado provimento ao recurso do banco, aplicando-se o art. 85 §11 CPC para majorar honorários para 15% sobre o valor atualizado da condenação.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Pix Beneficiario Diverso

    Afastada porque não se pode exigir do consumidor identificar fraude quando criminoso detém dados sigilosos contratuais que conferem elevada verossimilhança à comunicação fraudulenta.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteOperacao AtipicaDispositivo Da Vitima Usado
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Excludente Responsabilidade Fraude Terceiro

    Fraude por terceiro com dados sigilosos configura fortuito interno, não externo, nos termos da Súmula 479 STJ; nexo causal externo não provado pelo banco.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Inexistencia Dano Moral Mero Dissabor Patrimonial

    Rejeitada porque vazamento de dados sensíveis e desvio produtivo superam o mero aborrecimento patrimonial, configurando dano moral indenizável.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno: fraudador com dados sigilosos configura risco inerente à atividade bancária, não excludente externo.

  • Art Cdc14

    Base legal da responsabilidade objetiva do fornecedor por defeito na prestação do serviço, impondo dever de reparação independentemente de culpa.

  • Enunciado Tjsp14

    Enunciado SDP-TJSP consolidou que em fraudes PIX com fortuito interno a instituição financeira responde por danos materiais e morais quando evidenciada falha na prestação do serviço.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que nunca usa PIX para cobrança de financiamento; acórdão rebateu que alterações nos procedimentos de cobrança são práticas habituais em hipóteses de inadimplência, não se podendo exigir do consumidor conhecimento de todas as modalidades aceitas.
  • Banco sustentou que consumidora poderia identificar a fraude pelo nome diverso do beneficiário PIX; acórdão rebateu que o domínio de dados contratuais específicos confere legítima aparência de autenticidade, afastando a culpa exclusiva da vítima.
  • Banco alegou que a fraude foi praticada por terceiros sem qualquer participação sua; acórdão rebateu que dados sigilosos acessados pelo fraudador configuram fortuito interno inerente à atividade bancária, não causa externa excludente.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco limitou-se a alegações genéricas sobre confiabilidade dos sistemas sem juntar prova técnica capaz de explicar o acesso de terceiros a dados sigilosos do contrato, descumprindo o ônus do art. 373 II CPC e determinando a procedência dos pedidos.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·mensagens fls. 13/14 com dados do contrato
  • ·sentença fls. 187/191
  • ·contrarrazões fls. 216/221

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Várzea Paulista · 1ª Vara
Colegiado
Relator / Juiz
HELOISA HELENA PALHARES MONTENEGRO DE MORAES
Competência
Cível
Data de autuação
25 set 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 6.301,35
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Moral
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
16ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ALEXANDRE BATISTA ALVES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 6.301,35
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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