1003847-76.2025.8.26.0564
Análise do acórdão
Golpe do boleto em financiamento com dados sigilosos (valor, CPF, identificação) configura fortuito interno; Santander/Aymoré condenados solidariamente a R$1.802,12 + dano moral majorado R$3k→R$5k.
O que foi julgado
Golpe do boleto falso: terceiro fraudador enviou boleto falsificado via WhatsApp contendo dados sigilosos do contrato de financiamento (valor exato da parcela, nome, CPF, identificação da instituição), induzindo o consumidor a pagar para beneficiário diverso do credor real.
Resultado
Teses
- ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhidaGolpe Boleto Dados Sigilosos Financiamento
Boleto fraudulento com dados sigilosos do financiamento evidenciou falha interna do banco, configurando fortuito interno e responsabilidade objetiva pelo art.14 CDC e Súmula 479 STJ.
RequisitosFalha Kyc IntermediarioHipossuficiente TecnicaAusencia Prova Tecnica AutorBo Registrado TempestivoOperacao Atipica - MoralPró-consumidorAcolhidaDano Moral Majorado 5000 Boleto Fraudulento
Dano moral majorado de R$3.000 para R$5.000 por ultrapassar mero aborrecimento: frustração, insegurança, perda de tempo útil e necessidade de BO e ação judicial.
RequisitosHipossuficiente TecnicaBo Registrado Tempestivo - PreliminarPró-consumidorAcolhidaIlegitimidade Passiva Afastada Grupo Economico
Santander e Aymoré integram mesmo grupo econômico e cadeia de fornecimento, respondendo solidariamente nos termos do art.7º parágrafo único do CDC.
RequisitosOutro - MaterialPró-bancoRejeitadaFortuito Externo Atuacao Exclusiva Terceiro
Rejeitada pois dados sigilosos do contrato em poder do fraudador evidenciam falha interna, afastando a tese de fortuito externo; banco não comprovou inexistência de falha.
RequisitosAusencia Prova Tecnica AutorAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado - ProcessualPró-bancoRejeitadaCerceamento Defesa Prova Tecnica
Julgamento antecipado mantido pois acervo documental era suficiente (art.355, I CPC); magistrado é destinatário final da prova e pode dispensar perícia técnica.
RequisitosAusencia Prova Tecnica AutorLog Auditoria Disponivel - MoralPró-bancoRejeitadaAfastamento Ou Reducao Danos Morais
Rejeitada porque a fraude excede mero aborrecimento e o nexo causal entre falha do banco e dano ao consumidor restou demonstrado; quantum inclusive majorado.
RequisitosHipossuficiente TecnicaBo Registrado Tempestivo
Como o tribunal decidiu
Precedentes decisivos
- Sumula Stj479
Fundamento central para responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fortuito interno, aplicada diretamente para manter e ampliar condenação.
- STJ1.197.929/PR
Recurso repetitivo STJ fixando responsabilidade objetiva de bancos por fraudes de terceiros como risco do empreendimento, citado como jurisprudência vinculante no mérito.
- STJ2077278/SP
STJ reconheceu que dados sobre operações bancárias são de tratamento exclusivo das instituições; vazamento configura defeito de serviço (art.14 CDC + art.44 LGPD), embasando diretamente o nexo causal.
Contrapontos rebatidos
- Banco alegou que boleto foi enviado via WhatsApp (canal não oficial) com beneficiário estranho; acórdão rebateu que o consumidor não tinha como identificar fraude antes do pagamento, pois dados constantes eram sigilosos e compatíveis com o contrato real.
- Banco arguiu que inversão do ônus foi automática e abstrata; acórdão rebateu que decorreu da verossimilhança concreta das alegações e hipossuficiência técnica do consumidor frente à instituição, nos termos do art.6º VIII CDC.
Ônus não cumprido
- Aproveitou: Pró-consumidor
O banco não se desincumbiu do ônus de provar inexistência de falha no serviço nem culpa exclusiva de terceiro (art.14 §3º CDC), o que manteve o dever de indenizar.
Contexto
Perfil da vítima
Documentos citados
- ·boleto fraudulento (fls. 32)
- ·comprovante de pagamento (fls. 33)
- ·registro de boletim de ocorrência
- ·contrarrazões (fls. 218/223)
- ·recurso adesivo (fls. 208/213)
- ·apelação do réu (fls. 188/192)
- ·sentença (fls. 178/184)
Capa do processo
1ª instância
2ª instância
Inteiro teor
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