Acórdão · TJSP

1003592-03.2024.8.26.0452

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.III DP2Rel. GILBERTO FRANCESCHINI3 mar 2026
Maquininha falsaPanConsignado INSSPresencialEmpréstimo pessoal fraudulento
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco PAN vence integralmente: falso vendedor de colchão coletou dados presencialmente e usou maquininha com cartão/senha da própria vítima; biometria facial + assinatura eletrônica validam contrato; culpa exclusiva afasta Súmula 479/STJ (CDC art. 14 §3º II).

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
Empréstimo pessoal fraudulento
Valor fraudado
R$ 6.000,00
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Falso vendedor de colchão ortopédico abordou vítima em sua residência, coletou dados pessoais para suposta ficha de atendimento e realizou empréstimo consignado fraudulento em nome do autor; no dia seguinte retornou com maquininha de cartão e levou R$3.000,00 mediante uso do cartão e senha pessoal da vítima.

Marcadores do caso
Contratacao PresencialCartao Fisico EntregueVitima Aposentado InssPre Emprestimo Antes Transferencia

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fortuito_externo_culpa_consumidor

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Culpa Exclusiva Vitima Dados Fornecidos Voluntariamente

    Autor voluntariamente entregou dados ao estelionatário e usou cartão e senha pessoais na maquininha, configurando culpa exclusiva da vítima (CDC art. 14 §3º II); sistema do banco não foi violado.

    Requisitos
    Biometria ValidadaSenha Validada BancoDados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoLog Auditoria DisponivelBo Registrado Tempestivo
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Grau Recursal

    Art. 85 §11 CPC aplicado para majorar honorários de 10% para 13% sobre valor da causa pelo trabalho adicional em grau recursal.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Falha Sistema Seguranca Banco

    Não houve violação do sistema de segurança; biometria facial, geolocalização e assinatura eletrônica foram regularmente utilizadas; análise de perfil de consumo só é pertinente quando o sistema é invadido.

    Requisitos
    Biometria ValidadaLog Auditoria DisponivelAlerta Antifraude Nao DisparadoDados Fornecidos Voluntariamente
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Danos Morais Golpe Emprestimo Fraudulento

    Dano não guarda nexo causal com atuação do banco; trata-se de golpe interpessoal com culpa exclusiva da vítima, sem responsabilidade bancária.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteNexo Causal Externo Provado
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Fortuito Interno Emprestimo Consignado Nao Autorizado

    Contrato celebrado com biometria facial, geolocalização, assinatura eletrônica e crédito depositado na conta do autor afastam tese de fortuito interno; dados foram entregues voluntariamente pelo autor.

    Requisitos
    Biometria ValidadaDados Fornecidos VoluntariamenteLog Auditoria Disponivel

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14 §3º II

    Fundamento central para afastar responsabilidade do banco: culpa exclusiva da vítima que forneceu dados voluntariamente ao estelionatário e efetuou pagamento pessoalmente com cartão e senha.

  • TJSP1016601-03.2025.8.26.0224 Rel. Flávio Pinella Helaehil - Turma VI NJ4.0

    Precedente análogo do golpe da maquininha citado como ratio decidendi: primeira transação com cartão e senha pessoais configura culpa exclusiva da vítima, afastando responsabilidade bancária.

Contrapontos rebatidos

  • Tribunal afirmou expressamente que análise de perfil de consumo é relevante apenas quando o sistema bancário é invadido ou falha; no caso, não houve qualquer violação do sistema, tornando irrelevante a atipicidade da operação.
  • Tribunal qualificou o evento como fortuito externo pois o dano não guarda relação com a atividade desenvolvida pela instituição financeira, sendo a conduta do autor e do terceiro fraudador os elementos causais exclusivos.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autor não demonstrou qualquer falha concreta no sistema de segurança do banco, ônus que lhe cabia para superar a prova de biometria facial, geolocalização e assinatura eletrônica regulares juntadas pelo réu.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·proposta nº 388578983, fls. 108/133
  • ·extrato bancário fls. 68/71
  • ·boletim de ocorrência fls. 52/53
  • ·sentença fls. 225/231

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Piraju · 1ª Vara
Colegiado
Relator / Juiz
ANDRE TADEU CARLETO
Competência
Cível
Data de autuação
5 dez 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 5.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Obrigações
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. III (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
GILBERTO FRANCESCHINI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 5.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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