Acórdão · TJSP

1003245-39.2024.8.26.0526

ApelaçãO CíVel14ª CDPrivRel. CÉSAR ZALAF25 fev 2026
Falsa portabilidadeSantanderConsignado INSSWhatsAppEmpréstimo pessoal fraudulento
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Santander nega provimento: responsabilidade objetiva mantida (Súmula 479 STJ) por falsa portabilidade de consignado INSS via correspondente bancário com dados vazados; dano moral R$6k mantido.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Empréstimo pessoal fraudulento
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe da falsa portabilidade de empréstimo consignado: suposto atendente de banco contatou a vítima via WhatsApp prometendo portabilidade e cancelamento de cartão consignado, orientando-a a realizar transferências para terceiros e resultando na contratação fraudulenta de empréstimo consignado não autorizado junto ao Banco Santander via correspondente bancário.

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoDispositivo Da Vitima UsadoContratacao Digital
Sinais de alerta
Kyc Deficiente Conta DestinoAntifraude FalhouMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 6.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 6.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Correspondente Bancario Fraude Portabilidade

    Banco não produziu prova de regularidade da contratação; incongruências no contrato (DDD e e-mail distintos) e dados privilegiados em posse dos fraudadores confirmaram fraude via correspondente bancário vinculado, aplicando-se Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioAlerta Antifraude Nao DisparadoBo Registrado TempestivoDados Fornecidos VoluntariamenteCombo Probatorio CompletoAusencia Prova Tecnica AutorAto Terceiro IdentificadoHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-consumidorRejeitada
    Dano Moral Desconto Indevido Beneficio Previdenciario

    Privação de benefício previdenciário e necessidade de ação judicial ultrapassam mero aborrecimento; dano moral in re ipsa mantido em R$6.000 com fundamento em razoabilidade e proporcionalidade.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaBo Registrado TempestivoEstorno Solicitado Tempestivo
  • HonorariosPró-consumidorRejeitada
    Majoracao Honorarios Art 85 Cpc

    Honorários majorados de R$1.000 para R$1.800 pelo trabalho adicional em grau recursal, com base no art. 85, §11, CPC.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Regularidade Contratacao Ausencia Fraude

    Banco não se desincumbiu do ônus (art. 373, II, CPC); incongruências no contrato e dados privilegiados dos fraudadores refutaram a tese de regularidade.

    Requisitos
    Combo Probatorio CompletoLog Auditoria DisponivelBiometria ValidadaToken Digital Confirmado
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Impugnacao Danos Morais Pelo Banco

    Privação de benefício previdenciário de aposentada INSS e necessidade de ação judicial caracterizam dano moral que supera mero dissabor, rejeitando tese do banco.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaBo Registrado Tempestivo

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamentou a responsabilidade objetiva do Santander pelo fortuito interno gerado pela atuação fraudulenta do correspondente bancário vinculado, sendo o pilar central da manutenção da condenação.

  • TJSP1020605-78.2021.8.26.0562

    Precedente da própria 14ª Câmara (Rel. Luis Fernando Camargo de Barros Vidal) com fatos idênticos — falsa portabilidade via correspondente — citado para confirmar responsabilidade solidária e objetiva do banco e manter o resultado.

  • Art Cpc373_II

    Reconheceu que o banco não cumpriu o ônus de provar fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da autora, determinando a procedência por ausência de prova defensiva.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou regularidade da contratação, mas o contrato apresentou telefone com DDD 021 e e-mail distintos dos da autora, evidenciando vício formal incompatível com contratação legítima.
  • Banco negou fraude, mas os criminosos detinham informações privilegiadas da autora (celular, conta e dados do empréstimo), narrativa não impugnada pelo réu, denotando vazamento de dados e participação de correspondente vinculado.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não produziu prova suficiente da regularidade da contratação (art. 373, II, CPC), o que determinou sua responsabilização objetiva pela fraude do correspondente vinculado.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·contrato de empréstimo fls. 334/360
  • ·conversas de WhatsApp fls. 27/61
  • ·Boletim de Ocorrência fls. 22/23
  • ·notificação de celular fls. 64
  • ·tutela antecipada fls. 103/104
  • ·sentença fls. 605/612

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Salto · 1ª Vara
Colegiado
Relator / Juiz
Thais Galvão Camilher Peluzo
Competência
Cível
Data de autuação
3 jun 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 22.985,72
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Moral
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
14ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
CÉSAR ZALAF
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 22.985,72
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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