Acórdão · TJSP

1003115-66.2025.8.26.0606

ApelaçãO CíVel18ª CDPrivRel. WILSON JULIO ZANLUQUI10 fev 2026
Falsa portabilidadeEmpréstimo pessoalDigital (não especificado)Empréstimo pessoal fraudulento
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe da falsa portabilidade: biometria facial válida + transferência voluntária = fortuito externo; Súmula 479 STJ afastada; improcedência total mantida pela 18ª Câmara (Rel. Zanluqui).

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Empréstimo pessoal
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
Empréstimo pessoal fraudulento
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe da falsa portabilidade: vítima foi induzida por terceiros a contratar empréstimo e transferir os valores recebidos acreditando estar realizando portabilidade de dívida com promessa de devolução

Marcadores do caso
Pre Emprestimo Antes TransferenciaContratacao Digital

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

ausencia_nexo_causal_fortuito_externo

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Fortuito Externo Falsa Portabilidade Transferencia Voluntaria

    Biometria facial robusta validou contratação; vítima transferiu voluntariamente valores a terceiros, rompendo nexo causal e configurando fortuito externo nos termos do art. 14 §3º II CDC.

    Requisitos
    Biometria ValidadaDispositivo Da Vitima UsadoDados Fornecidos VoluntariamenteOperacao AtipicaAusencia Prova Tecnica Autor
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Recursais Art85 Par11 Cpc

    Honorários majorados para 12% sobre o valor da causa em sede recursal com base no art. 85 §11 CPC, observada a gratuidade de justiça da apelante.

  • IntegralPró-consumidorRejeitada
    Aplicacao Sumula479 Golpe Falsa Portabilidade

    Súmula 479 STJ inaplicável pois restringe-se ao fortuito interno; transferência voluntária pela consumidora configura fortuito externo que afasta a responsabilidade objetiva.

    Requisitos
    Biometria ValidadaDados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-consumidorRejeitada
    Presuncao Vazamento Dados Banco

    Vazamento de dados não pode ser presumido; não há indícios de invasão ao sistema bancário nem falha na assinatura digital.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorLog Auditoria Disponivel

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14_§3_II

    Excludente de responsabilidade por culpa exclusiva do consumidor aplicada diretamente para afastar o dever de indenizar do banco no golpe da falsa portabilidade.

  • Sumula Stj479

    Afastada pelo acórdão por ser limitada ao fortuito interno; sua inaplicabilidade ao fortuito externo foi o fundamento central para manter a improcedência.

  • TJSP1003441-65.2024.8.26.0281

    Precedente da própria 18ª Câmara (Rel. Israel Góes dos Anjos) em caso idêntico de falsa portabilidade citado como paradigma direto para confirmar improcedência.

Contrapontos rebatidos

  • A autora alegou falha no dever de segurança, mas o acórdão reconhece que o banco utilizou biometria facial com conferência documental, tecnologia robusta que cumpre o dever de cautela na identificação do cliente.
  • A alegação de vazamento de dados como fortuito interno foi rejeitada por ausência de qualquer indício de invasão ao sistema bancário; a Súmula 479 STJ não alcança o fortuito externo.
  • A autora pleiteou nulidade do contrato, mas o acórdão constata que o valor foi efetivamente creditado em sua conta, comprovando que o banco cumpriu integralmente sua contraprestação.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    A autora não comprovou invasão ao sistema do banco nem vazamento de dados, ônus que lhe cabia para caracterizar fortuito interno e aplicar a Súmula 479 STJ.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico

Documentos citados

  • ·fls. 95/106 - biometria facial e docs
  • ·fls. 101 - crédito na conta da autora
  • ·fls. 212/226 - contrarrazões banco

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Suzano · 5ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Paulo Roberto Dallan
Competência
Cível
Data de autuação
31 mar 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 45.621,48
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Práticas Abusivas
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
18ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
WILSON JULIO ZANLUQUI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 45.621,48
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

Inteiro teor

Abrir em nova aba
Abrir inteiro teor

O documento abre em uma nova aba (visualização original do TJSP).