Acórdão · TJSP

1003089-19.2025.8.26.0590

ApelaçãO CíVel13ª CDPrivRel. MÁRCIO TEIXEIRA LARANJO25 mar 2026
Falso advogadoMercado PagoApp digitalWhatsAppPIX
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe falso advogado via WhatsApp: TJSP 13ª Câmara mantém improcedência por fortuito externo — operações realizadas pelo próprio titular com credenciais autênticas, ausência de atipicidade confirmada por extratos, culpa exclusiva vítima/terceiro (art. 14 §3º CDC).

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
App digital
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 6.039,03
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe do falso advogado: vítima foi contatada via WhatsApp por terceiro que se passou por seu advogado, induzindo-a a realizar empréstimos e transferências via PIX sob pretexto de liberar valores de ação judicial.

Marcadores do caso
Dispositivo Da Vitima UsadoPre Emprestimo Antes TransferenciaMultiplas Transferencias Escalonadas

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Fortuito Externo Golpe Falso Advogado Culpa Exclusiva Vitima Terceiro

    Fraude ocorreu inteiramente via WhatsApp fora do ambiente bancário; autor usou próprias credenciais voluntariamente; extratos confirmaram ausência de atipicidade; fortuito externo configurado afasta Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Dispositivo Da Vitima UsadoDados Fornecidos VoluntariamenteOperacao No Perfil VitimaAlerta Antifraude Nao DisparadoAcesso Remoto Anydesk Todesk HdpAusencia Prova Tecnica Autor
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Rejeicao Preliminar Nao Conhecimento Dialeticidade

    Razões recursais guardam relação direta com fundamentos da sentença, cumprindo o princípio da dialeticidade do art. 1.010 CPC; preliminar rejeitada.

  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Sucumbencia Recursal

    Desprovimento do recurso autorizou majoração de 10% para 11% nos termos do art. 85 §11 CPC.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Fortuito Interno Falha Mecanismos Seguranca

    Extratos (fls.129/148) demonstraram compatibilidade das transações com perfil sociofinanceiro do autor (fotógrafo); ausência de atipicidade afastou a tese de falha nos mecanismos de segurança.

    Requisitos
    Operacao No Perfil VitimaAlerta Antifraude Nao DisparadoLog Auditoria Disponivel
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Falha Kyc Conta Destino Abertura Contas Fraudadores

    Réus não podem prever má-fé no momento de abertura de contas; MED foi acionado tempestivamente mas sem saldo disponível — limitação do mecanismo, não falha dos réus.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioEstorno Solicitado Tempestivo
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Golpe Bancario In Re Ipsa

    Improcedência total afasta nexo causal entre atividade bancária e dano; ausência de falha dos réus elimina pressuposto do dano moral.

    Requisitos
    Nexo Causal Externo Provado

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14_§3_I_II

    Excludentes de responsabilidade por culpa exclusiva da vítima e de terceiro foram o fundamento jurídico central que afastou a responsabilidade objetiva dos réus e resultou na improcedência total.

  • TJSP1008668-30.2024.8.26.0477

    Precedente do Núcleo de Justiça 4.0 Turma VI (Rel. Luiz Arcuri, j.12.02.2026) diretamente citado no voto: golpe falso advogado com biometria e credenciais pessoais — fortuito externo configurado, Súmula 479 STJ afastada.

  • TJSP1013570-34.2024.8.26.0248

    Precedente da própria 13ª Câmara (Rel. Nelson Jorge Júnior, j.05.08.2025): engenharia social explora vulnerabilidade humana, não de sistemas; desídia da vítima em não verificar identidade do suposto advogado exclui responsabilidade bancária.

Contrapontos rebatidos

  • Autor alegou que aprovação automática de empréstimos configuraria fortuito interno; acórdão confirmou que extratos (fls.129/148) demonstram compatibilidade das operações com perfil sociofinanceiro do correntista (fotógrafo), afastando qualquer atipicidade.
  • Autor imputou falha no MED; acórdão reconheceu que réus abriram o MED tão logo comunicados (fls.249/250 e 453/466), mas saldo já havia sido esvaziado pelos fraudadores — limitação do mecanismo, não negligência dos réus.
  • Autor sustentou que réus falharam ao permitir contas de fraudadores; acórdão afastou por impossibilidade de prever má-fé no ato de abertura, sem qualquer indício de irregularidade acessível ao banco no momento.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autor não comprovou atipicidade das transações; extratos juntados pelos réus (fls.129/148) demonstraram compatibilidade com perfil do correntista, ônus que pesou decisivamente na rejeição da tese de fortuito interno.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Adulto
Ocupação
Outro
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Não

Documentos citados

  • ·extratos fls. 129/148
  • ·MED Mercadopago fls. 249/250
  • ·MED Will fls. 453/466
  • ·sentença fls. 508/518
  • ·recurso fls. 522/528
  • ·resposta fls. 551/555
  • ·resposta fls. 561/567

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de São Vicente · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Thiago Gonçalves Alvarez
Competência
Cível
Data de autuação
18 mar 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 16.039,03
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
13ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
MÁRCIO TEIXEIRA LARANJO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 16.039,03
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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