Acórdão · TJSP

1002877-89.2025.8.26.0010

ApelaçãO CíVel14ª CDPrivRel. THIAGO DE SIQUEIRA17 dez 2025
Phishing (email/SMS)Banco do BrasilConta corrente PFSMSPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco do Brasil condenado por fraude SMS/link falso contra servidor aposentado (R$9.985): Súmula 479 STJ + falha em monitoramento de operações atípicas; banco não produziu prova de ausência de falha.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
SMS
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 9.985,03
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe do link falso via SMS: vítima recebeu mensagem SMS simulando comunicação do programa de pontos do banco sobre expiração de pontos, acessou link fraudulento e forneceu seus dados, resultando em duas transferências via PIX e compra fraudulenta no cartão de crédito

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssOperacoes Em Sequencia RapidaValor Alto AtipicoDispositivo Da Vitima Usado
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 9.985,03
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 14.985,03

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Operacoes Atipicas Nao Bloqueadas

    Banco não provou ausência de falha; operações destoavam do perfil do cliente aposentado e foram realizadas em curto espaço de tempo, configurando fortuito interno pela Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaAnalise Intervalo Transacoes CurtoAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio CompletoHipossuficiente TecnicaBo Registrado TempestivoEstorno Solicitado Tempestivo
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Privacao Beneficio Previdenciario

    Dano moral configurado pela privação de parte do benefício previdenciário, omissão do banco e necessidade de ingresso judicial; valor R$5.000 mantido como adequado.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaBo Registrado Tempestivo
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Rejeicao Ilegitimidade Passiva Banco

    Preliminar de ilegitimidade passiva rejeitada pois transações fraudulentas ocorreram no âmbito da operação bancária do réu, atraindo responsabilidade objetiva pelo CDC art. 14.

    Requisitos
    Outro
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Operacoes Via App Com Senha Pessoal Fortuito Externo

    Tese de fortuito externo rejeitada: uso de senha pessoal e dispositivo da vítima não exclui responsabilidade objetiva do banco quando há falha no monitoramento de operações atípicas.

    Requisitos
    Senha Validada BancoDispositivo Da Vitima UsadoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Fraude Bancaria Mero Aborrecimento

    Tese do mero aborrecimento rejeitada: privação de benefício previdenciário e omissão bancária após reclamação configuram dano moral indenizável, não simples aborrecimento cotidiano.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Consagrou a responsabilidade objetiva do banco por fraudes de terceiros como fortuito interno, sendo o fundamento central para rejeitar a tese de fortuito externo do banco.

  • STJ1199782/PR

    Precedente representativo de controvérsia que estabeleceu a responsabilidade objetiva de instituições bancárias por fraudes praticadas por terceiros como risco do empreendimento, citado expressamente no acórdão.

  • Art Cdc6_VIII

    Inversão do ônus da prova em favor do consumidor hipossuficiente impôs ao banco a obrigação de provar ausência de falha, do qual não se desincumbiu, determinando a procedência dos pedidos.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que operações via app com senha pessoal do cliente configurariam fortuito externo; acórdão rebateu que a mera utilização de senha não demonstra ausência de falha, impondo ao banco provar que as operações não decorreram de fraude.
  • Banco sustentou que a situação seria mero aborrecimento; acórdão manteve a condenação destacando privação do benefício previdenciário, omissão dos prepostos e fragilidade do sistema de segurança como fundamentos do dano moral.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco não produziu prova alguma de que as operações foram realizadas regularmente e sem falha no sistema, ônus que lhe cabia pela inversão probatória do CDC art. 6º VIII, o que foi determinante para a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·extrato bancário fls. 24 e 235
  • ·Boletim de Ocorrência fls. 29/30
  • ·contestação administrativa indeferida
  • ·procuração assinada eletronicamente não ICP-Brasil

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Regional X - Ipiranga · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
MARINA DUBOIS FAVA
Competência
Cível
Data de autuação
29 abr 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 19.985,03
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
14ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
THIAGO DE SIQUEIRA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 19.985,03
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

Inteiro teor

Abrir em nova aba
Abrir inteiro teor

O documento abre em uma nova aba (visualização original do TJSP).