Acórdão · TJSP

1002677-96.2025.8.26.0361

ApelaçãO CíVel16ª CDPrivRel. ALEXANDRE BATISTA ALVES13 fev 2026
Consignado não contratadoMercantilConsignado INSSDigital (não especificado)PIX
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP 16ª Câmara mantém responsabilidade objetiva do Banco Mercantil por consignado fraudulento em idosa INSS sem biometria; reduz moral de R$10k para R$5k com voto vencido aproveitável em recurso especial.

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
Recíproca · banco maior
Descrição do golpe

Empréstimos pessoais, cartão consignado e seguro prestamista contratados fraudulentamente em nome de beneficiária do INSS, sem anuência da autora, com os valores transferidos via PIX para contas de terceiros desconhecidos e conta aberta fraudulentamente em nome da vítima no banco Neon.

Marcadores do caso
Vitima IdosaVitima Aposentado InssPre Emprestimo Antes TransferenciaPix Unico Alto ValorOperacoes Em Sequencia RapidaContratacao DigitalRecurso Financeiro Alimentar Comprometido
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoAntifraude FalhouMonitoramento DeficienteKyc Deficiente Conta DestinoMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Objetiva Fraude Terceiro Fortuito Interno

    Banco não comprovou autenticidade das contratações (ausência de biometria, geolocalização, IP) e operações em sequência rápida configuraram falha sistêmica — responsabilidade objetiva mantida.

    Requisitos
    Biometria AusenteLog Auditoria DisponivelAnalise Sequencia Operacoes AnomalaAnalise Intervalo Transacoes CurtoOperacao AtipicaPre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoCombo Probatorio CompletoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralParcialParcial
    Dano Moral Reducao Verba Alimentar Previdenciaria

    Dano moral reconhecido (privação de verba alimentar de módico valor), mas quantum reduzido de R$10k para R$5k por maioria, com voto vencido pela manutenção do valor original.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • CompensacaoPró-consumidorAcolhida
    Rejeicao Pedido Compensacao Ausencia Beneficio Vitima

    Valores integralmente transferidos via PIX a terceiros e conta fraudulenta no Neon, sem benefício à autora, afastando qualquer compensação por enriquecimento ilícito.

    Requisitos
    Pre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoFalha Kyc Intermediario
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Compartilhamento Senha

    Tese de culpa exclusiva rejeitada pois fortuito externo não afasta responsabilidade objetiva; banco não provou que vítima compartilhou senha e risco de fraude é inerente à atividade bancária (Súmula 479 STJ).

    Requisitos
    Senha Validada BancoDados Fornecidos VoluntariamenteAto Terceiro Identificado
  • CompensacaoPró-bancoRejeitada
    Compensacao Valores Creditados

    Pedido de compensação rejeitado pois valores transitaram brevemente por conta da autora e foram imediatamente desviados a terceiros, sem que a vítima se beneficiasse de qualquer quantia.

    Requisitos
    Pre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoFalha Kyc Intermediario

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para afastar culpa exclusiva do consumidor e impor responsabilidade objetiva do banco por fraude de terceiro como fortuito interno.

  • Art Cdc14

    Base legal da responsabilidade objetiva do fornecedor por falha na prestação do serviço, aplicada para condenar o banco independentemente de culpa.

  • Enunciado Tjsp14_SDP

    Enunciado da SDP-TJSP consolidou responsabilidade por operações PIX fraudulentas com fortuito interno, reforçando a condenação e afastando tese defensiva do banco.

Contrapontos rebatidos

  • O banco alegou contratação regular via internet banking com senha pessoal intransferível; o acórdão rebateu exigindo documentação robusta de autenticação (biometria facial, geolocalização, IP, device) que o banco não apresentou, apenas logs internos insuficientes.
  • Banco pediu compensação alegando enriquecimento ilícito da autora; acórdão afastou demonstrando que valores foram imediatamente transferidos via PIX a terceiros e conta fraudulenta Neon, sem benefício real à vítima.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não se desincumbiu do ônus de provar a regularidade das contratações digitais (biometria, geolocalização, IP, device), após inversão do ônus pelo art. 6º VIII CDC, o que selou a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Beneficiário INSS
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·relatórios internos e logs de sistema (fls. 369/373)
  • ·comprovantes PIX a terceiros e Neon (fls. 26/29)
  • ·r. sentença de fls. 499/506
  • ·aclarada às fls. 562/563
  • ·contrarrazões fls. 572/581
  • ·preparo fls. 543/544

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Mogi das Cruzes · 5ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
ANDRESSA MARIA TAVARES MARCHIORI
Competência
Cível
Data de autuação
17 fev 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 128.004,14
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Moral
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
16ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ALEXANDRE BATISTA ALVES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 128.004,14
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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