Acórdão · TJSP

1002603-54.2025.8.26.0066

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.III DP2Rel. GILBERTO FRANCESCHINI11 mar 2026
Falsa central de atendimentoMercantilConsignado INSSWhatsAppConsignado indevido
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP mantém improcedência total: falsa central via WhatsApp configura fortuito externo, divergência entre inicial e BO afasta inversão do ônus; banco Mercantil isento de material e moral.

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe da falsa central de atendimento: vítima recebeu ligação via WhatsApp de estelionatário que se apresentou como funcionário do Banco Mercantil, orientou-a a acessar o aplicativo e seguir instruções, resultando em contratação de empréstimo consignado e transferência via Pix para conta de terceiro.

Marcadores do caso
Pre Emprestimo Antes TransferenciaPix Unico Alto ValorMultiplas Transferencias EscalonadasContratacao Digital

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fortuito_externo_culpa_consumidor

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Fortuito Externo Falsa Central Orientacao Estelionatario

    Autor seguiu orientações de estelionatário via WhatsApp e forneceu dados voluntariamente; sistema bancário não foi violado, caracterizando fortuito externo nos termos do art. 14, §3º, II do CDC.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo ProvadoAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao Atipica
  • ProcessualPró-bancoAcolhida
    Inversao Onus Afastada Por Divergencia Narrativa

    Divergência entre petição inicial (omitiu ligação) e BO (relata orientações do estelionatário via WhatsApp) afastou verossimilhança e impediu inversão do ônus, mantendo-o sobre o autor (art. 373, I, CPC).

    Requisitos
    Bo Registrado TempestivoAusencia Prova Tecnica Autor
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Fortuito Interno Sistema Bancario

    Tese rejeitada pois o sistema de segurança não foi violado; a fraude decorreu da conduta do próprio autor ao fornecer dados a terceiro, não de falha interna do banco.

    Requisitos
    Log Auditoria DisponivelCombo Probatorio CompletoAusencia Prova Tecnica Autor
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Banco Operacoes Destoantes Perfil

    Tese rejeitada: análise do perfil de consumo só se aplica quando o sistema falha ou é invadido; no caso, o próprio autor viabilizou a fraude, afastando responsabilidade objetiva.

    Requisitos
    Operacao No Perfil VitimaOperacao AtipicaAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Decorrente De Fraude Bancaria

    Dano moral prejudicado pela improcedência total; culpa exclusiva do consumidor e de terceiro afasta qualquer condenação indenizatória.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteNexo Causal Externo Provado

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14 §3º II

    Excludente de responsabilidade por culpa exclusiva do consumidor e de terceiro aplicada como fundamento central para afastar toda condenação do banco.

  • Art Cpc373 I

    Ônus da prova mantido sobre o autor em razão da divergência entre inicial e BO, impedindo inversão e inviabilizando a pretensão autoral por falta de prova do fato constitutivo.

  • TJSP1043556-60.2022.8.26.0100

    Precedente da 15ª Câmara (Rel. Mendes Pereira) citado como paradigma para afastar responsabilidade do banco em golpe de falsa central com fortuito externo, mantendo improcedência.

Contrapontos rebatidos

  • Autor alegou falha no sistema de segurança do banco; acórdão rebateu afirmando que o sistema não foi violado e que a fraude ocorreu porque o próprio autor seguiu orientações do estelionatário e forneceu seus dados voluntariamente.
  • Autor argumentou responsabilidade objetiva por operações que destoariam de seu perfil; acórdão rebateu que análise de perfil de consumo só é pertinente quando o sistema falha ou é invadido, o que não ocorreu.
  • Autor negou culpa exclusiva e pleiteou inversão do ônus; acórdão rebateu com a divergência entre a inicial (omitiu a ligação) e o BO (confirma que autor seguiu orientações do estelionatário), afastando verossimilhança necessária à inversão.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Autor não comprovou o fato constitutivo de seu direito (art. 373, I, CPC); divergência entre inicial e BO afastou verossimilhança e impediu inversão do ônus, resultando em improcedência total.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Beneficiário INSS
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·BO fls. 19/21 - ligação WhatsApp
  • ·sentença fls. 181/187
  • ·réu contestou e juntou documentos
  • ·contrarrazões fls. 208/213
  • ·tutela de urgência fls. 53/54

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Barretos · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Matheus de Souza Parducci Camargo
Competência
Cível
Data de autuação
21 mar 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 16.962,37
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Rescisão do contrato e devolução do dinheiro
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. III (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
GILBERTO FRANCESCHINI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 16.962,37
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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