Acórdão · TJSP

1000715-04.2024.8.26.0125

ApelaçãO CíVel18ª CDPrivRel. HÉLIO MARQUEZ DE FARIAS3 mar 2026
Consignado não contratadoPanConsignado INSSLigaçãoPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Daycoval condenado por manter descontos consignados após cancelamento administrativo comprovado: repetição dobrada + R$5k danos morais; decisão unânime com sólida base STJ (Súmula 479 + EAREsp 676.608/RS).

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Autora recebeu contato telefônico ofertando empréstimo; após contratação, foi induzida por suposta funcionária de banco a devolver via PIX os valores creditados sob promessa de cancelamento e novo contrato sem encargos, que nunca se concretizou; descontos no benefício previdenciário prosseguiram indevidamente

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssPix Unico Alto ValorMultiplas Transferencias EscalonadasRecurso Financeiro Alimentar Comprometido
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteKyc Deficiente Conta Destino

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Contratos Consignados Nao Cancelados

    Cancelamento administrativo comprovado por protocolo mas descontos persistiram até março/2024, configurando falha objetiva do banco independentemente de culpa de terceiro.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAto Terceiro IdentificadoEstorno Solicitado TempestivoOperacao AtipicaAlerta Antifraude Nao Disparado
  • Repeticao DobroPró-consumidorAcolhida
    Repeticao Dobrada CobrançAs Posteriores 30 03 2021

    Cobranças indevidas posteriores a 30/03/2021 sujeitam-se à restituição dobrada por aplicação do EAREsp 676.608/RS (Tema 929), bastando conduta contrária à boa-fé objetiva.

    Requisitos
    Outro
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Descontos Indevidos Beneficio Previdenciario

    Dano moral in re ipsa configurado por descontos mensais de R$1.305,33 em benefício previdenciário por meses; valor de R$5.000 mantido como razoável e proporcional.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Terceiro Fraude

    Tese afastada porque a Súmula 479 STJ impõe responsabilidade objetiva por fortuito interno, sendo irrelevante a conduta do terceiro fraudador para excluir responsabilidade bancária.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoDados Fornecidos Voluntariamente
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Compensacao Valor Disponibilizado

    Pedido de compensação de R$7.820,00 rejeitado pois os contratos de cartão foram declarados inexigíveis, não havendo crédito legítimo a compensar.

    Requisitos
    Outro

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para responsabilidade objetiva do banco por fraude de terceiro como fortuito interno, afastando tese de culpa exclusiva da vítima.

  • Earesp676.608/RS

    Tema 929 determinou repetição dobrada das cobranças indevidas posteriores a 30/03/2021 independentemente de culpa do fornecedor, bastando conduta contrária à boa-fé objetiva.

  • TJSP1005287-78.2019.8.26.0577

    Precedente da 32ª Câmara (Rel. Des. Kioitsi Chicuta) sobre declaração de inexigibilidade e repetição dobrada em contratos consignados cancelados administrativamente, reforçando a decisão.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou validade da contratação digital com biometria facial, mas o tribunal reconheceu que a responsabilidade objetiva (Súmula 479 STJ) independe da regularidade formal da contratação quando há falha na gestão pós-cancelamento.
  • Banco alegou que a autora deveria ter verificado legitimidade dos destinatários do PIX, mas o acórdão reconheceu que ela agiu sob orientação de suposta funcionária dos bancos réus, afastando culpa exclusiva da vítima.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não apresentou justificativa para a permanência dos descontos no benefício previdenciário após o cancelamento administrativo comprovado por protocolo, o que foi determinante para a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Adulto
Ocupação
Beneficiário INSS
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·protocolo de cancelamento fl. 78
  • ·transferências PIX fl. 33
  • ·conversas WhatsApp na exordial
  • ·descontos no benefício fl. 107
  • ·suspensão descontos março/2024 fl. 135
  • ·novo contrato fl. 85
  • ·acordo homologado fl. 410

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Capivari · 2ª Vara
Colegiado
Relator / Juiz
Competência
Cível
Data de autuação
27 fev 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 35.850,43
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
18ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
HÉLIO MARQUEZ DE FARIAS
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 35.850,43
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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