Acórdão · TJSP

1000518-71.2022.8.26.0302

ApelaçãO CíVel18ª CDPrivRel. ISRAEL GÓES DOS ANJOS9 mar 2026
Consignado não contratadoC6 BankConsignado INSSIndefinidoConsignado indevido
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP-18ª Câmara afasta dano moral e impõe compensação: banco responde pelos descontos indevidos (assinaturas falsas comprovadas por perícia), mas não pelo boleto falso pago a terceiro pela própria autora.

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Indefinido
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
R$ 4.936,24
Divisão da responsabilidade
Recíproca 50/50
Descrição do golpe

Empréstimos consignados fraudulentos contratados com assinaturas falsas; vítima orientada a devolver valores via boleto bancário falso emitido por terceiro desconhecido

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssContratacao DigitalOutro Marcador
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 0,00
Afastado Mero Aborrecimento
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

ausencia_inscricao_cadastro_devedores_sem_comprovacao_sofrimento

Teses

  • ★ principalMaterialParcialParcial
    Boleto Falso Culpa Terceiro Compensacao

    Perícia grafotécnica confirmou fraude nos contratos (responsabilidade do banco), mas boletos usados pela autora para devolver eram falsos e beneficiaram terceiro desconhecido, gerando compensação parcial em favor do banco.

    Requisitos
    Pericia Tecnica JuntadaAusencia Prova Tecnica AutorAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo ProvadoDados Fornecidos VoluntariamenteLog Auditoria Disponivel
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Afastamento Dano Moral Ausencia Inscricao Inadimplentes

    Dano moral afastado pois não houve inscrição em cadastros de inadimplentes nem prova de sofrimento psíquico ou supressão de condições de sobrevivência.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorHipossuficiente Tecnica
  • HonorariosParcialAcolhida
    Sucumbencia Reciproca 50 50 Custas Honorarios

    Sucumbência recíproca reconhecida em razão do decaimento da autora no pedido de danos morais; cada parte arca com 50% das custas, com honorários fixados separadamente.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Fortuito Externo Imprudencia Autora Contratos

    Tese de fortuito externo total rejeitada porque perícia comprovou falsidade das assinaturas, evidenciando falha do banco na verificação documental na contratação.

    Requisitos
    Pericia Tecnica JuntadaAusencia Prova Tecnica Autor
  • Repeticao DobroPró-bancoRejeitada
    Repeticao Dobro Ma Fe Banco

    Repetição em dobro rejeitada por ausência de prova de má-fé do banco; apenas falha na prestação do serviço foi demonstrada.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Majoracao Dano Moral Contrato Fraudulento

    Pedido de majoração prejudicado pelo provimento parcial do recurso do réu que afastou integralmente o dano moral.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Aplicada para responsabilizar o banco pelos contratos fraudulentos (assinaturas falsas), mas afastada quanto aos boletos falsos por ausência de prova de origem interna da fraude, resultando em compensação parcial.

  • Art Cdc14

    Art. 14 §3º CDC usado como excludente parcial: culpa de terceiro afastou responsabilidade do banco pelo trecho do boleto falso, fundamentando a compensação de valores.

  • Sumula Stj297

    Aplicação do CDC às instituições financeiras com inversão do ônus da prova em favor da autora, viabilizando a perícia grafotécnica como prova decisiva da fraude contratual.

Contrapontos rebatidos

  • Autora alegou ter sido orientada pelo banco a devolver valores via boleto; acórdão afastou: não há prova ou indício de que os boletos falsos se originaram da instituição ou foram transmitidos por prepostos, afastando fortuito interno e Súmula 479 nesse trecho.
  • Autora pleiteou devolução em dobro alegando má-fé; acórdão reconheceu apenas falha na prestação do serviço, insuficiente para caracterizar má-fé apta a gerar repetição dobrada.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autora não comprovou que os boletos falsos se originaram do banco ou foram transmitidos por seus prepostos, o que afastou a aplicação da Súmula 479 nesse trecho e fundamentou a compensação.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Acórdão reconheceu que autora deixou de verificar a autenticidade dos boletos antes do pagamento, contribuindo para o resultado da fraude e gerando compensação dos valores.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Beneficiário INSS
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·contratos nº 010015913703, 010016308954, 010018008480
  • ·perícia grafotécnica fls. 255/269
  • ·boletos supostos fls. 20/22
  • ·comprovantes TED fls. 111/113
  • ·relatório verificador de boletos

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Jaú · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Daniela Almeida Prado Ninno
Competência
Cível
Data de autuação
25 jan 2022
Última movimentação
Valor da causa
R$ 39.081,20
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Perdas e Danos
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
18ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ISRAEL GÓES DOS ANJOS
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 39.081,20
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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