Acórdão · TJSP

1161769-54.2024.8.26.0100

ApelaçãO CíVel23ª CDPrivRel. TAVARES DE ALMEIDA11 fev 2026
Falsa central de atendimentoBanco do BrasilConta corrente PFLigaçãoIndefinido
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Falsa central: banco provou sistema antifraude ativo (alertas + bloqueio senha) e vítima confirmou operações e desbloqueou presencialmente — culpa exclusiva afasta Súmula 479, improcedência mantida com majoração de honorários.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
Indefinido
Valor fraudado
R$ 1.153.948,70
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe da falsa central de atendimento: vítima recebeu ligação de suposto gerente do banco, realizou diversas transações bancárias de valores vultuosos acreditando nas informações repassadas pelo fraudador por via telefônica.

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoContratacao Presencial

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

culpa_exclusiva_vitima_art14_par3_ii_cdc

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Culpa Exclusiva Vitima Falsa Central Confirmacao Operacoes

    Banco contatou vítima múltiplas vezes alertando sobre golpe, bloqueou senha e vítima desbloqueou presencialmente — culpa exclusiva demonstrada, art. 14 §3º II CDC aplicado.

    Requisitos
    Alerta Antifraude DisparadoMonitoramento Ativo ReconhecidoOperacao AtipicaDados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente TecnicaDispositivo Da Vitima UsadoCombo Probatorio Completo
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Sucumbenciais Recursais

    Sucumbência recursal da apelante autoriza majoração de 10% para 15% sobre valor da causa, nos termos do art. 85 §11 CPC.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Fortuito Interno Dados Cliente Spoofing

    Tese de fortuito interno rejeitada pois banco atuou ativamente para prevenir fraude; vítima confirmou operações e desconheceu alertas repetidos.

    Requisitos
    Alerta Antifraude DisparadoMonitoramento Ativo ReconhecidoDados Fornecidos Voluntariamente
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Transacoes Fora Perfil Nao Bloqueadas

    Sistema antifraude funcionou e bloqueou senha; banco contactou cliente múltiplas vezes — ausência de falha no monitoramento de perfil afasta a tese.

    Requisitos
    Operacao AtipicaAlerta Antifraude DisparadoMonitoramento Ativo ReconhecidoAnalise Valor Atipico
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Sumula479 Responsabilidade Objetiva Fraude Terceiro

    Súmula 479 afastada pois culpa exclusiva da vítima rompe nexo causal, tornando inaplicável a responsabilidade objetiva do banco.

    Requisitos
    Alerta Antifraude DisparadoDados Fornecidos VoluntariamenteCombo Probatorio Completo

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14 §3º II

    Excludente de responsabilidade por culpa exclusiva do consumidor: fundamento central que afastou nexo causal e determinou improcedência total da ação.

  • TJSP1017421-89.2024.8.26.0019

    Precedente da 23ª Câmara TJSP (Rel. Sergio Gomes) em golpe análogo de falsa central, com culpa exclusiva da vítima e reforma para improcedência, citado como paradigma diretamente aplicável.

  • STJAgInt no AREsp 2.653.859/SC

    STJ, Rel. Min. Raul Araújo, Quarta Turma: culpa exclusiva da vítima que fornece dados a fraudadores afasta responsabilidade do banco — âncora do entendimento consolidado no STJ.

Contrapontos rebatidos

  • Autora alegou que criminosos tinham seus dados e usaram telefone oficial (fortuito interno); banco rebateu demonstrando que contatou a vítima em diversas oportunidades alertando sobre golpe e bloqueou a senha, sendo a fraude consumada pelo próprio descuido da correntista.
  • Autora alegou que banco deveria ter bloqueado movimentações atípicas de valor vultuoso; banco demonstrou que o sistema antifraude foi acionado automaticamente, emitiu alertas e bloqueou senha, mas vítima desbloqueou presencialmente na agência.
  • Autora invocou Súmula 479 STJ para responsabilidade objetiva; banco rebateu com art. 14 §3º II CDC demonstrando culpa exclusiva da vítima que rompeu o nexo causal, tornando inaplicável a súmula.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autora não produziu prova técnica de falha no sistema bancário; inversão do ônus reconhecida mas insuficiente diante da prova robusta do banco sobre funcionamento do antifraude.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·fls. 284/292 — contatos do gerente com autora
  • ·fls. 293/295 — bloqueio/desbloqueio senha
  • ·fls. 476/488 — contrarrazões do banco
  • ·fls. 459/471 — apelação da autora
  • ·fls. 191/195 — gratuidade concedida

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Central Cível · 39ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
ANA LUIZA MADEIRO CRUZ ESERIAN
Competência
Cível
Data de autuação
8 out 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 1.153.948,70
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
23ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
EMÍLIO MIGLIANO NETO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 1.153.948,70
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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