Acórdão · TJSP

1081146-03.2024.8.26.0100

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.II DP2Rel. MARCIO BONETTI23 fev 2026
Invasão de conta / empréstimos fraudulentosBradescoEmpréstimo pessoalDigital (não especificado)PIX
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco condenado por falha em mobile banking (empréstimo R$19.900 fraudulento): restituição simples R$2.932,16 + inexigibilidade do contrato; dano moral afastado e restituição dobrada rejeitada — resultado moderadamente favorável ao banco no plano moral/punitivo.

O que foi julgado

Produto bancário
Empréstimo pessoal
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
Recíproca · banco maior
Descrição do golpe

Fraude em mobile banking com contratação de empréstimo pessoal de R$ 19.900,00 não reconhecida pela correntista e subsequentes transferências via PIX para terceiros, sem comprovação de autoria pela instituição financeira

Marcadores do caso
Pre Emprestimo Antes TransferenciaPix Unico Alto ValorValor Alto AtipicoContratacao Digital
Sinais de alerta
Antifraude FalhouSem Biometria ContratacaoMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 2.932,16
Dano moral
R$ 0,00
Exige Prova
Custo total estimado
R$ 2.932,16
Fundamento do afastamento do dano moral

dano_moral_nao_presumido_fraude_bancaria_recomposicao_patrimonial

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Inexigibilidade Emprestimo Fraudulento Ausencia Prova Contratacao

    Banco não comprovou validação facial, IP, geolocalização ou perfil transacional; logs genéricos unilaterais insuficientes; ônus probatório do art. 373 II CPC não cumprido.

    Requisitos
    Log Auditoria DisponivelBiometria ValidadaAnalise Local Geolocalizacao InconsistenteOperacao AtipicaPre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio CompletoBo Registrado Tempestivo
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Dano Moral Nao Presumido Fraude Bancaria Sem Prova Abalo Personalidade

    Dano moral afastado porque não houve inscrição em cadastros de inadimplentes nem prova de abalo psicológico intenso e duradouro; recomposição patrimonial suficiente.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaBo Registrado Tempestivo
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Honorarios 15 Sobre Proveito Economico Sucumbencia Majoritaria Reu

    Sucumbência majoritária do banco (decaiu do pedido de validade do contrato de ~R$20k) determinou honorários de 15% sobre o proveito econômico total obtido pela autora.

    Requisitos
    Outro
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Presumido Fraude Bancaria

    Tese do dano moral in re ipsa rejeitada: exige-se demonstração de efetiva lesão à personalidade além do mero dissabor, não comprovada pela autora.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaBo Registrado Tempestivo
  • Repeticao DobroPró-bancoRejeitada
    Restituicao Dobrada Art42 Cdc

    Restituição dobrada afastada por ausência de má-fé ou cobrança dolosa da instituição financeira, restringindo-se ao ressarcimento simples do saldo próprio.

    Requisitos
    Outro

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva por fortuito interno: consolidou a inexigibilidade do contrato de empréstimo e a nulidade das transferências PIX fraudulentas.

  • STJ1.199.782/PR

    Uniformizou em recurso repetitivo a responsabilidade objetiva dos bancos por fraudes de terceiros como risco do empreendimento, ancorando a condenação à restituição do saldo próprio.

  • STJ1.660.152/SP

    Afastou o dano moral ao exigir agressão efetiva à dignidade humana com sofrimento intenso, impedindo a condenação indenizatória autônoma — resultado favorável ao banco.

Contrapontos rebatidos

  • O banco alegou regularidade das transações via logs do Mobile Banking, mas o acórdão rejeitou: registros sistêmicos genéricos produzidos unilateralmente, sem IP correlacionado, validação facial ou geolocalização, não provam a autoria da contratação.
  • O banco logrou afastar a restituição dobrada demonstrando ausência de má-fé ou cobrança dolosa; o acórdão reconheceu que a fraude foi perpetrada por terceiros, sem conduta processual ou administrativa dolosa do banco.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco não juntou prova técnica idônea da contratação (validação facial, IP, geolocalização, compatibilidade com perfil), descumprindo o ônus do art. 373 II CPC, o que determinou a inexigibilidade do contrato.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·BO registrado pela autora (fls. 27/28)
  • ·reclamação junto ao Banco Central (fls. 2)
  • ·extrato bancário da autora (fls. 29)
  • ·registros sistêmicos (logs) do Mobile Banking juntados pelo réu
  • ·contrarrazões do réu (fls. 227/235)
  • ·sentença de improcedência (fls. 180/186)
  • ·razões de apelação da autora (fls. 197/202)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Central Cível · 9ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Rodrigo Galvão Medina
Competência
Cível
Data de autuação
24 mai 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 24.103,20
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. II (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
MARCIO BONETTI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 24.103,20
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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