Acórdão · TJSP

1069107-08.2023.8.26.0100

Engenharia social (genérica)Conta corrente PFPresencialCompra com cartão
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Roubo de celular com fraude de R$30.500: banco condenado no material por fortuito interno e falha no monitoramento de perfil atípico; dano moral afastado — resultado parcialmente favorável ao banco (13ª Câmara, Rel. Ana de Lourdes).

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
Compra com cartão
Valor fraudado
R$ 30.500,00
Divisão da responsabilidade
Recíproca · consumidor maior
Descrição do golpe

Roubo/furto de celular mediante grave ameaça, seguido de uso do dispositivo pelos criminosos para realizar compras e pagamentos fraudulentos na conta bancária da vítima

Marcadores do caso
Dispositivo Da Vitima UsadoOperacoes Em Sequencia RapidaValor Alto Atipico
Sinais de alerta
Monitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 30.500,00
Dano moral
R$ 0,00
Afastado Mero Aborrecimento
Custo total estimado
R$ 30.500,00
Fundamento do afastamento do dano moral

falha_bancaria_sem_prova_dano_extrapatrimonial

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Objetiva Furto Celular Transacoes Atipicas

    Banco não demonstrou compatibilidade das operações com perfil do autor; transações sequenciais no mesmo dia configuram fortuito interno sob Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Operacao AtipicaOperacao No Perfil VitimaDispositivo Da Vitima UsadoAnalise Intervalo Transacoes CurtoBo Registrado TempestivoBo Tardio Ou AusenteAlerta Antifraude Nao Disparado
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Ausencia Prova Dano Extrapatrimonial Fraude Bancaria

    Autor não comprovou circunstâncias agravantes (inscrição em cadastros, inviabilização de negócio); dano moral não é in re ipsa em fraude bancária — tese acolhida pelo tribunal.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • HonorariosNeutroAcolhida
    Honorarios Sucumbencia Reciproca 25 75

    Sucumbência recíproca reconhecida: autor arca com 25% custas e 10% sobre valor moral pleiteado; banco arca com 75% custas e 10% sobre condenação material.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Comunicacao Tardia

    Comunicação dois dias após roubo não evidencia negligência; operações já concluídas antes de qualquer prazo razoável de notificação.

    Requisitos
    Bo Tardio Ou AusenteAnalise Intervalo Transacoes CurtoDados Fornecidos Voluntariamente
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Isencao Contratual Operacoes Anteriores Comunicacao

    Cláusula contratual de isenção por operações anteriores à comunicação afastada como abusiva (CDC art. 51, IV); risco inerente à atividade bancária não pode ser transferido ao consumidor.

    Requisitos
    Outro

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da condenação material: responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno em fraudes de terceiros em operações bancárias.

  • STJ2.683.592/SE

    Precedente decisivo para afastar dano moral in re ipsa: fraude bancária não gera dano moral sem comprovação de abalo psíquico ou circunstâncias agravantes.

  • STJ1.995.458/SP

    Estabeleceu dever do banco de monitorar e obstar operações atípicas ao perfil do consumidor, sustentando a condenação material mesmo com uso de senha.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou comunicação tardia (2 dias) como culpa da vítima; tribunal rebateu demonstrando que as operações foram realizadas sequencialmente em poucas horas no mesmo dia do roubo, tornando inócua qualquer comunicação mais célere.
  • Banco sustentou que uso de senha pessoal valida as operações; tribunal aplicou REsp 1.995.458/SP para exigir monitoramento de operações atípicas independentemente de autenticação por senha.
  • Banco invocou cláusula de isenção para operações anteriores à comunicação; tribunal declarou a cláusula abusiva com base no CDC art. 51 IV e REsp 348.343/SP.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não demonstrou que as transações fraudulentas eram compatíveis com o perfil de consumo do autor, ônus que lhe cabia e cuja omissão determinou a condenação material.

  • Aproveitou: Pró-banco

    Autor não comprovou dano moral além da fraude em si (inscrição em cadastros, inviabilização de negócio), ônus que levou ao afastamento da indenização extrapatrimonial.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Adulto
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·fls. 41-42 — débitos sequenciais 16.05.2023
  • ·fls. 310-315 — sentença procedente
  • ·fls. 324-343 — razões do apelante
  • ·fls. 328-329 — cláusula de isenção pré-comunicação
  • ·fl. 337 — alegação transações elevadas históricas
  • ·fls. 351-370 — contrarrazões do apelado

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Central Cível · 43ª Vara CÍvel
Colegiado
Relator / Juiz
Paulo Rogério Santos Pinheiro
Competência
Cível
Data de autuação
30 mai 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 92.199,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
13ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ANA DE LOURDES COUTINHO SILVA DA FONSECA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 92.199,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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