Acórdão · TJSP

1033206-08.2024.8.26.0564

Engenharia social (genérica)SantanderConta corrente PFDigital (não especificado)Transferência interna
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Santander teve apelação desprovida (38ª Câmara TJSP, Rel. Flávia Gonçalez) por fortuito interno em roubo de celular com transações atípicas; condenação de R$13.933,34 mantida — caso consolidado, sem voto vencido.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
Transferência interna
Valor fraudado
R$ 8.933,34
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Roubo de celular em via pública seguido de transações bancárias fraudulentas realizadas pelos criminosos com uso das credenciais da vítima, burlando o sistema de segurança do banco

Marcadores do caso
Dispositivo Da Vitima UsadoMultiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoOperacoes Em Sequencia Rapida
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 8.933,34
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 13.933,34

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Roubo Celular Transacoes Atipicas

    Tribunal aplicou Súmula 479 STJ: roubo do celular é fortuito interno; banco falhou no monitoramento de operações vultosas e sequenciais incompatíveis com perfil do consumidor.

    Requisitos
    Analise Valor AtipicoAnalise Intervalo Transacoes CurtoOperacao AtipicaAlerta Antifraude Nao DisparadoDispositivo Da Vitima UsadoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral In Re Ipsa Falha Seguranca Bancaria

    Dano moral reconhecido in re ipsa pela gravidade da falha de segurança e exposição do consumidor a risco, fixado em R$ 5.000,00 com fundamento em precedentes da própria 38ª Câmara.

    Requisitos
    Operacao AtipicaHipossuficiente Tecnica
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Rejeicao Cerceamento Defesa Preclusao

    Banco quedou-se inerte quando instado a especificar provas após anulação da sentença anterior, operando-se preclusão temporal e lógica (venire contra factum proprium).

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Fortuito Externo Roubo Via Publica

    Tese de fortuito externo afastada porque roubo de celular é risco inerente à atividade bancária digital, sendo o evento classificado como fortuito interno nos termos da Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Dispositivo Da Vitima UsadoDados Fornecidos VoluntariamenteNexo Causal Externo Provado
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Negligencia Senhas

    Culpa exclusiva da vítima não comprovada; acórdão reconhece que vítima comunicou tempestivamente o banco após o roubo, e que mesmo uso de biometria/senha não elide dever de monitoramento.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteBo Registrado TempestivoContato Central Anterior
  • HonorariosPró-bancoRejeitada
    Reducao Honorarios Abaixo Minimo Legal

    Honorários fixados no mínimo legal de 10% (art. 85 §2º CPC); redução inviável; majorados para 14% em sede recursal (art. 85 §11 CPC).

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para classificar o roubo do celular como fortuito interno e manter a responsabilidade objetiva do banco pelas transações fraudulentas.

  • Art Cdc14

    Base da responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços por defeitos independentemente de culpa, afastando as excludentes invocadas pelo banco.

  • Art Cpc370_parágrafo_único

    Fundamento para rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa, autorizando o julgamento antecipado após a preclusão da prova técnica requerida pelo banco.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou uso de credenciais pessoais e biometria como excludente; tribunal rebateu que o sistema de detecção de fraudes deve bloquear operações atípicas independentemente da validade das credenciais usadas.
  • Banco invocou segurança pública como fortuito externo; tribunal aplicou Súmula 479 STJ entendendo que a exploração de meios digitais bancários transfere ao banco o risco de fraudes perpetradas por esses canais.
  • Banco requereu prova pericial em sede recursal; tribunal reconheceu preclusão por inércia do banco quando expressamente intimado para especificar provas após anulação da sentença anterior.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não especificou provas quando expressamente intimado após anulação da sentença anterior, operando preclusão temporal e lógica que inviabilizou a prova pericial técnica em recurso.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não comprovou culpa exclusiva da vítima (art. 14 §3º II CDC), mantendo íntegro o nexo causal e o dever de indenizar.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·transações debitadas da conta corrente
  • ·compras lançadas no cartão de crédito
  • ·vítima comunicou fato à instituição

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de São Bernardo do Campo · 4ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Sergio Hideo Okabayashi
Competência
Cível
Data de autuação
27 out 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 18.933,34
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
38ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ANNA PAULA DIAS DA COSTA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 18.933,34
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Contratos - Cartão de Crédito
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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